quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Una copa de Albariño


Acabei por conhecer o Albariño, um dos vinhos brancos típicos da Galícia, num almoço de férias, de um modo trivial. Perguntei ao garçon do Filigrana, restaurante do hotel, logo no primeiro dia de hospedagem, quais eram os vinhos galegos típicos. Ele, objetivo, respondeu que eu deveria eleger um Albariño, para cair bem com o prato que pedi, o bacalhau da região. Disse-me, sem titubear, que um branco seria a escolha, aos poucos eu poderia descobrir os outros, a cada prato do território. Sem mais, foi buscar a garrafa, mostrou o rótulo, serviu. 

"Una copa de Albariño" tornou-se  uma constante, nos diversos locais de Santiago de Compostela onde almoçamos. Aquele era o primeiro contato com os elementos regionais, vinhos e comidas, e eu pouco sabia a respeito do que eram os sabores relevantes dos galegos. Novamente, o gosto pela cozinha viajeira me tomava, enquanto eu percorria a primeira 'copa'  do meu encanto albarínico. 

No fim daquela tarde, fui pesquisar. *

Prossegui nas descobertas, com o passar dos dias. Na primeira visita ao centro histórico, passando por uma livraria clássica de Compostela, comprei meu "Cocina Gallega", que conta com o prefácio de um renomado escritor gastronômico da Galícia, Álvaro Cunqueiro. Mais uma vez, segui uma indicação: foi o livreiro que afirmou, contundente: como eu desejava algo completo e com detalhes da Galícia, deveria escolher este, pois um texto do Cunqueiro dá valor inestimável à obra. Eu, até ali, era refém de informações precisas: o garçon e o vendedor na livraria determinaram minha copa de Albariño e meu livro de cozinha galega com prefácio do (meu desconhecido) Álvaro Cunqueiro.

Em geral, como viajante, acabo por conhecer dados sobre os lugares através de seus moradores, não dos manuais de cidades. Deixo o estranho me guiar pela mão, em seu conhecimento, e apenas sigo setas orientadas. Os vendedores de mercado, garçons e donos de livrarias são meus principais guias no processo de descoberta. Foi na livraria de viagens de Girona, na Catalunha, que encontrei os livros do Josep Pla, pela sugestão veemente do Quim, livreiro. Tenho a anotação na minha caderneta, pra nunca esquecer aquele momento.

Aceitar a dica do garçon foi a chave para a vivência das sensações que o Albariño provoca. Para além disso, foi a forma de eu me conectar com o território galego com intimidade crescente, ao longo da temporada. Consumir um produto tão típico, que identifica a região por suas características, promove em mim o sabor de pertencer ao local que visito.  O pertencimento transitório do viajante, talvez.

Esse vinho tem alma diurna, leveza e frescor. A mim, a "copa de Albariño" ficou registrada como um prazer calmo, suave, semelhante ao que senti nas caminhadas em passos lentos pelos bosques compostelanos.  O Albariño tem uma acidez leve, que marca sua vitalidade.  Tanto durante a etapa das entradas e do prato principal, quanto no momento do doce, a 'copa' enriquece a experiência da refeição, numa alegria mansa.
O desejo de caminhar sem mapa segue embalando a tarde.

No retrogosto, o equilíbrio do transe de viajante com a quietude de pertencer ao local através de suas vinhas.

*Natural do norte da Península Ibérica, a uva Alvarinho ou Albariño, como é chamada na região espanhola da Galícia, também é muito encontrada em Portugal e, durante anos, esteve praticamente limitada a esses dois países. Na Espanha, essa uva é tão difundida que é uma das poucas variedades celebradas por lá. Na região da Galícia existe até um festival do vinho dedicado a ela, é a Fiesta del Albarino que, anualmente, traz diferentes atividades culturais e gastronômicas relacionadas a essa casta.

(fonte: http://www.sommelierwine.com.br/2015/08/03/serie-uvas-albarino/)
  
Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina


Albariño y queso Arzua con membrillo

Albariño com a entrada

Um doce muito especial, e, claro, o Albariño













segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Degustação de queijos galegos no Mercado de Abastos de Santiago de Compostela



Queridos leitores! 

A partir desta postagem, venho contar um pouco sobre o que aprendi da culinária da Galícia, região onde estive em setembro último, para o "I Congresso Internacional de Língua, Literatura e Gastronomia", em Santiago de Compostela. 
Há muito para partilhar, motivo pelo qual farei uma série de posts nas próximas semanas de novembro. E começo apresentando a Dona Olga, do Mercado de Abastos, de Compostela. Na foto, com ela, está minha mãe, recebendo a prova de um dos queijos galegos típicos. 
Pois a Dona Olga fez de nossa visita ao mercado uma sessão de degustação de queijos regionais, dando lascas de cada um, explicando origem e modo de produção. Provamos o Arzúa-Ulloa, de casca firme e centro macio, levemente ácido e de consistência bem cremosa; o segundo foi o Tetilla, assim chamado por sua forma, lembrando uma mama;  o  terceiro, San Simón,  é defumado e de casca e núcleo mais firmes, com sabor forte. Todos deliciosos, mas o meu favorito é o Arzúa, que combinou tanto com uma salada com figos e verdes quanto com o perfeito  'membrillo', a marmelada, em nosso idioma, ou codonyat, em catalão.
Todos são produtos com denominação de origem, motivo pelo qual cada um merece uma postagem individual sobre suas características. 
O Tetilla e o San Simón, embora fossem  também presentes no café da manhã, não  nos chamaram tanto a atenção quanto o primeiro. 
Da Dona Olga compramos uma fatia robusta do membrillo feito com frutas em seu interior, muito bom, além de avelãs e amêndoas em sacos de papel pardo. E tivemos o privilégio de conhecer esses produtos tão típicos por sua voz, alegre e melodiosa, ao saudar-nos com delícias galegas. 
Mais do que os queijos, do que o doce, o que ficou foi a experiência desse contato com ela, ciceroneando a cozinha da Galícia por sua atitude doadora e convidativa aos sabores de sua banca. 
A meu ver, uma das principais riquezas de uma viagem está na conversa com os vendedores do mercado local, pois nos presenteiam com algo precioso, o relato, o detalhe, o como-se-faz e o como-se-come, a curiosidade sobre o produto, as amostras para degustação. 
Através da visita ao mercado, é possível conhecer muito sobre a gastronomia de uma dada região. E não só pelas iguarias, mas pelas pessoas que nos apresentam a elas, com toda sua sabedoria e generosidade para partilhar a vida da cozinha de seu território. Um dos aspectos que se destaca é que a banca deixa de ter um número ou uma especificação em nossa memória de viajantes, e passa a ser " a banca da dona Olga", como as receitas dos cadernos de família, que têm, em seu nome, a figura de quem é especialista no quitute ou de quem deu as dicas. A presença de alguém a conduzir nossa experiência no conhecimento de sabores de um espaço geográfico é um dado que fica na lembrança, fazendo parte das recordações que armazenamos com afeto. 

Vocês costumam visitar os mercados das cidades que visitam? Vou adorar ler suas lembranças!

Amanhã, outras recordações culinárias da viagem para Compostela. 

Com carinho,
Betina


Dona Olga, apresentando os queijos locais.

Membrillo e queijos

uma vista da banca da Dona Olga

Queijo Tetilla, ao lado do Arzúa.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A primavera no Blog!

Queridos amigos! 

Apenas hoje a primavera chega ao blog, com as mudanças de cores para acompanhar a claridade e a alegria da estação. No Serendipity in Cucina, sigo escrevendo de cozinha, viagens e sobre o bem-viver, elementos muitas vezes atrelados. Meu foco principal é partilhar a felicidade, seja nos campos de forno-e-fogão, seja em terras distantes. Pelas correrias dos últimos meses, não escrevi em agosto e em setembro. Assim, volto hoje para as páginas em branco, escolhendo temas curiosos ou sabores típicos para os posts, como as descobertas feitas na Galícia, Espanha, onde conheci a torta de Santiago, feita de amêndoas, açúcar e ovos, o vinho Albariño, os queijos Arzua, San Simón e Tetilla, o caldo galego e tantas outras saborices.

Bem-vindos!!

Com carinho,
Betina

domingo, 31 de julho de 2016

Começando um novo mês! Feliz agosto aos leitores!!!


E julho chega ao fim, as férias terminam, volta a rotina para quem fez a pausa invernal. A vida parece ganhar novo respiro: o segundo semestre chegando e o caminho do ano sendo vivido. Por que estrada  seguir? E qual o ritmo do passo? Às vezes, pode ser pesado começar de novo, o dia, a semana, o mês, o semestre. E pode ser leve, como o desafio de experimentar uma receita inédita. 

Felizmente, não temos a certeza no preparo de uma felicidade em compota, como aquelas do caderno cheio de manchas da foto. Felizmente??????
Sim.

 O "como-se-faz", quantidades e modo de unir os ingredientes, tempo de preparo, e assim por diante, é só vivendo que descobrimos. As surpresas do dia-a-dia permitem riquíssimas descobertas quando estamos atentos e dispostos, assim como na cozinha. Tudo é uma questão do estado de ânimo com que percebemos cada situação.

E podemos escolher: mesmo tendo que levar a vida a sério, perceber os desafios de modo lúdico nos ajuda na leveza necessária para atravessar um dia complexo. Assim como na cozinha, podemos até ter frustrações quando a massa da pizza não sai como esperávamos, mas se optarmos pelo desânimo e pela desistência, como continuaremos aprendendo? A dica é sempre duas medidas de flexibilidade, uma medida de dar-de-ombros e outra de riso, ingredientes fundamentais para seguir adiante. O essencial é a criatividade para lidar com o imprevisto, com o novo: mudar a receita, criar outra coisa no lugar. Ou, como li em Isabel Allende uma vez, é necessário inventar na culinária, pois se algo der errado,sempre se pode chamar uma pizza. (a ideia é essa, embora não escrita assim.)

No cotidiano, essa proposta é válida, também. Encarar com leveza mesmo os temas difíceis nos ajuda a diminuir seu peso, favorecendo soluções e sobretudo diminuindo o stress e a ansiedade com os resultados. Um ponto que nos preparos de forno-e-fogão é imprescindível, na vida também é: o foco no presente. Não se pode fazer uma chimia sem prestar atenção em suas transformações, sob ação do fogo baixo depois que ferve: cor, textura, resposta aos giros da colher-de-pau, cheiro, ponto de estrada, gosto...tem-se que prestar atenção, estar ali de corpo e alma, com os cinco sentidos chamados ao ofício. Não é diferente em nosso cotidiano. 

Prestar atenção no presente, no que se apresenta (torna-se presente), nos ajuda a criar novas e corajosas soluções para o que nos desafia. 

Se usamos nossas ferramentas pessoais para amassar o pão ou preparar o bife à milanesa, podemos usá-las também nas propostas que a vida nos oferece sem aviso. Características como a paciência, o foco, a tolerância, a leveza e a alegria são indicadas, na cozinha e na vida.

E mais: sempre podemos aprender uma nova técnica culinária, ou agregar formas diversas para lidar  com as situações que o dia oferece.

Bom agosto aos amigos!

Com carinho,
Betina


terça-feira, 26 de julho de 2016

Dica da semana: curso-degustação de vinhos - Férias de julho!



Queridos leitores!!

Ainda estamos em período de férias de julho. Mesmo que não se faça aquela pequena pausa do inverno, fica a sensação festiva no ar, aquele desejo de fazer parte da bendita folga deste mês. E é excelente criar pequenos espaços de férias dentro da rotina, quando parar o trabalho não se faz possível. Entre outras razões, está o fato de que a novidade de um evento ativa nossos centros do prazer.

Como funciona? Os espaços de criação e brincadeira são contemplados pelo novo, liberando no cérebro uma série de substâncias ligadas às sensações prazerosas, com efeitos em todo corpo. Em resumo, nutrição do bem-viver. Chamo isso de abrir janelas, fundamental no ritmo de vida que se leva hoje. Um outro ponto, que atua em sistemas semelhantes no cérebro, é o estímulo da curiosidade por um dado assunto, que acarreta a busca por áreas de interesse diversas daquelas que vivenciamos no dia-a-dia. Mais um motivo para abrir a agenda a atividades diversas daquelas a que estamos acostumados é que essas consistem em oportunidades para exercitarmos o foco no pleno agora, ou, como vem sendo chamado em âmbito global, "mindfullness". Quando estamos aprendendo algo novo ou tomando contato com um campo de vivências que nos seja pouco familiar, temos a ocasião para focar no presente da ação, do próprio aprendizado. Este último será tema para um próximo post, sobre a relevância dos cinco sentidos na prática do foco pleno.

Eu listaria infindáveis benefícios, mas há um em especial: as atividades prazerosas trazem o sentimento de passeio, de partilha da alegria. Foi por isso que lembrei de divulgar o curso/degustação do vinho Carménère, que será ministrado pela enóloga Maria Amélia Flores, em sua Vinho & Arte Casa. A degustação é acompanhada por pães e queijos, e acontece na próxima quinta-feira, 28/07, das 19:30 às 22:30. O valor é 125,00 e as reservas podem ser feitas pelos telefones 51-30233345 e 51-93316098.

No friozinho de Porto Alegre, uma oportunidade de saborear queijos, pães e vinhos, e ainda obter conhecimento sobre este vinho de história tão especial, é uma riqueza de mini-férias. O que costumo sentir em atividades como essa é o faz-de-conta de viagem, o estranhamento que o viajante experimenta fora de seu território conhecido, do ponto de vista geográfico ou simbólico. Por mais que seja na própria cidade, participar de uma ocasião como este curso, em que se aprenderá algo lúdico e, ao mesmo tempo relevante na história do vinho, faz com que a gente sinta que está fora da moldura cotidiana. 

Para ver a programação e os vinhos a serem degustados, visitem no link:


Aproveitem para seguir as atividades propostas pela Vinho & Arte! 

Com carinho,
Betina


terça-feira, 19 de julho de 2016

A receita da Nega Maluca!!!


Queridos leitores!! 

Pois aqui está a receita que, acredito eu, seja a mais antiga em minha história. Quem leu o Alfarrábio conhecerá algumas das melhores lembranças que tenho deste bolo, a "Nega Maluca"!!!

Ingredientes e suas variações:

Sei decor as quantidades: 2 xícaras de farinha de trigo, 1 1/2 xícara de açúcar, 1 xícara de chocolate em pó (uso o chocolate do Fradinho), 1/2 xícara de óleo (uso azeite de oliva), 3 ovos inteiros, 1 xícara (não muito cheia) de leite, 1 pacote de fermento químico (peneirado).

Meu como-se-faz, que atravessa os tempos:

Em um bowl, peneirar a farinha, unindo o açúcar e o chocolate em pó ( prefiro o do Fradinho por ser menos doce, mas pode ser Nescau). Misturar bem os ingredientes secos, até formar um composto de tom marrom suave. Unir o azeite de oliva, misturando levemente (optei por este por ser mais saudável, mas também pelo suave aroma que casa muito bem com os demais ingredientes.). Os ovos devem ser acrescentados um de cada vez, misturando-os à massa de modo individual. Colocar, aos poucos, a xícara de leite (não muito cheia), misturando-o ao conjunto. Peneirar 1 pacote de fermento químico (ou 1 colher das de sopa do fermento se vier em pote.)

Tudo pronto, a massa fica na textura e no tom  demonstrados abaixo:

Passos seguintes
Colocar numa forma retangular, untada com manteiga e farinha de trigo.
Pré-aquecer o forno em 180° por 10 minutos.
Colocar o bolo no forno, na mesma temperatura (180°) por 45-50 minutos.
Mas e aquela crostinha brilhante e firme, da foto?
Pois aquela é a cobertura, que faço há anos do mesmo jeito. E sempre dá certo!
Para cada receita de bolo, faço três receitas deste glacé (cada medida é composta por 3 colheres-sopa de açúcar, 3 colheres-sopa de leite, 3 colheres-sopa de Nescau, 1 colher-sopa de manteiga (Aviação com sal). 
Quando triplico a receita, triplico todos os ingredientes menos a manteiga, que deve permanecer
 em 1 colher-sopa. Assim:
9 colheres-sopa açúcar
9 colheres-sopa Nescau
9 colheres-sopa Leite
 (uso o Leite Integral para o bolo e para o glacé).
1 colher-sopa manteiga
(se o conjunto ficar mais líquido,
 é possível agregar mais 1/3 a 1/2 da colher-sopa de manteiga).
Misturo os ingredientes com colher-de-pau, devagarinho, em fogo baixo, até que comece a ferver e, então, a engrossar. Desligo assim que começa a ficar espesso, mas ainda escorrendo lentamente da colher. O segredo deste bolo é começar a fazer a cobertura no final dos 45 minutos de forno: quando toca o apito do forno, avisando que a receita está pronta, é que ocorre o ponto-chave.
Faço o teste do palito, para confirmar que o bolo está pronto (palito sai sequinho quando afundado no bolo, se estiver pronto.) Corto o bolo em quadradinhos, com a faca indo até o fundo da forma, como na foto superior, e então espalho a cobertura por todo ele ( em cada cantinho), não deixando nenhuma área sem estar coberta pelo glacé.
Devolvo a forma para o forno, já apagado, e deixo ali por em média 2 horas (ou até tocar na cobertura e confirmar que está seca). O bolo fica sequinho por fora, com a cobertura crocante, mas bem umidecido por dentro, por onde a cobertura entrou através das linhas horizontais e verticais cortadas com a faca. 
E está pronto! Agora é só deixar esfriar!!!!
Algumas dicas:
- como prefiro este bolo não muito doce, uso na massa o chocolate do Fradinho e na cobertura o Nescau; pode-se usar, na massa do bolo, também uma barra de chocolate ao leite ou amargo, dependendo do paladar.
-Já usei dois potes de iogurte natural na massa, ao invés do leite. Essa mudança foi bem interessante, deixando o bolo mais macio e cremoso do que já é, e com um leve tom azedinho, quebrando a doçura. Colocar 2 a 3 potes, misturando devagar, que a massa fique homogênea e não muito espessa.
- Já usei pimenta calabresa em flocos, com cuidado para não me entusiasmar no colocar a pimenta...:)
-Prefiro o azeite de oliva, mas é por gosto, mesmo. Vocês podem preferir óleo de cozinha, é o ingrediente tradicional. Importante é manter a quantidade de 1/2 xícara. 
-Se preferirem servir de sobremesa, ao invés da merenda, é precioso acompanhar o pedaço com uma bola de sorvete.
E não poderia deixar de contar: é um bolo sensacional para piqueniques, com os farelos caindo na toalha e alegrando as formigas anfitriãs!
É uma receita deliciosa para as tardes invernais das férias de julho!!


Chega de prosa...Hora do bolo!!!

(qualquer dúvida, me escrevam!)

Bom proveito!
Com carinho,
Betina

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Férias de julho: recordando sabores!!


Queridos leitores!

Enquanto escrevo minha Dissertação de Mestrado, um devaneio vem de leve assoprar a lembrança de que é tempo de férias de julho. Para nós, do Hemisfério Sul, as férias de inverno. Aos queridos leitores que seguem o Blog no Hemisfério Norte, exponho minha cordial e suave inveja de seus dias ensolarados e veranescos...(brincadeirinha!)

Bom, esse período dá saudade de um monte de coisas dos tempos de férias do colégio, como fazer lanche vendo a Sessão da Tarde, com mil cobertores em volta, para proteger do frio. Um sabor na lembrança? O da Nega Maluca em quadradinhos, acompanhando a caneca de Nescau, bem quente.

Amanhã vem a receita!!!  

E a vocês, que sabor toca a alma nesses dias frios? 

Com carinho,
Betina

terça-feira, 28 de junho de 2016

E por falar em antipasto: a mesa do Le Bistrot, no Constantino!


Boa noite, queridos leitores! 

Lembrei de contar de outra oferta de antipasti muito especial, em Porto Alegre, o Constantino Café, na Fernando Gomes. Trouxe pra cá algumas fotos apresentadas no Google. No site do restaurante, há imagens lindas, também! 

Fazia muito tempo desde minha última ida, mais de um ano, por incrível que pareça. Correrias da vida, acabei voltando lá na semana passada. Descobri que a mesa de antipasti e saladinhas, que sempre adorei no Le Bistrot, retornou!!! ( O Le Bistrot ficava ao lado do Constantino e  fechou no segundo semestre de 2014, na Fernando Gomes, tendo seguido como Le Bistrot Gourmet, perto da Praça Japão. São dos mesmos proprietários.)

Os almoços de sábado, com amigos, e mesmo em dias de semana, por mais de dez anos foram parte da minha rotina. No findi, o almoço tinha a configuração que sempre me encantou: a mesa de saladas e antipasto, com verdes, terrines, patés, mistos de zucchini, beringela e tomates assados, pães, salada de feijão branco, e tantas outras saborices. O cardápio do dia ficava na mesa, em um retângulo charmoso de papel pardo, com duas opções de pratos quentes e variáveis das sobremesas. Era uma festa, o almoço no "Le", como costumávamos chamar carinhosamente, entre família e amigos. Quando combinávamos entre as amigas, as tardes eram longas de conversas e brindes, sempre uma ocasião. Freqüentei o Le Bistrot desde o verão de 2001, se não me falha a memória, até seus últimos dias na casa da Fernando Gomes: nos passeios ensolarados, ficávamos nas mesinhas da rua; nos dias frios, lá dentro. Em julho e agosto de 2014, quando me recuperava da fratura na mão esquerda, almocei muitas vezes ali em meio aos dias de trabalho, sendo recebida e muito bem atendida pela equipe. 

imagem de um almoço intimista, no Constantino,
lendo "A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin
(setembro de 2014)

Quando o "Le" fechou para a reforma, a partir de setembro daquele ano, o Constantino passou a oferecer almoço. Era um cardápio muito bem feito, com pratos elaborados, mas compatíveis com a demanda de rapidez, típica de uma refeição entre os turnos de trabalho. Pelo menos uma vez na semana, eu aparecia por lá, escolhendo sugestões leves. Foi um inverno longo e chuvoso, mas ainda assim o restaurante soube colher o melhor da estação: o ambiente interno, aconchegante, tem a lareira e a atmosfera introspectiva como excelentes atrativos. 

Coisas do tempo que passa, e da gente, que se transforma. Em 2015, com o Mestrado, meu mapa de vida me colocou em outros cenários, principalmente a PUC, onde almoçava antes, depois ou entre as aulas. Estar próxima ao Constantino, durante a semana, ficou difícil, e nos finais de semana as escolhas acabavam apontando para outras direções. Nem sei bem por quê, confesso. Amo o local, adoro comemorar datas ali ou sentar à mesa ao meio-dia ou à noite. Simples assim, a cartografia da rotina me trocou de território.

Semana passada, com correria e tudo, estive lá! E fui surpreendida com o retorno da mesa de antipasto, que tanto marcou um período da minha vida de 2001 a 2014. Sabores, memórias, conversas e reflexões estão associadas às entradinhas do Le. Agora, do Constantino!

Além disso, há  a oferta de sopas e a carta, com opções muito especiais. O jardim fica aquecido, sendo uma possibilidade aconchegante no inverno, também. A lareira e as mesinhas do interno seguem como deliciosa cena para uma refeição partilhada, ou até para um almocinho intimista, conversando consigo mesmo durante o saborear. 

Sugiro a vivência!!! Durante a semana, o Constantino Café fica aberto para o almoço, das 12:00 às  14:30; nos sábados, das 12:00 às 15:30. Conforme me contou a equipe, após esses horários, pratos do cardápio são oferecidos, entre quitutes e principais. Para o jantar, de segunda à quinta, pode-se ir das 18:00 à 00:00; sextas e sábados, das 19:00 à 00:00. 
Fica na Fernando Gomes, 44.
O Telefone é: 55-51- 33468589.

Visitem o site do  Constantino Café!

Aos amigos, um abraço!
Betina


Comemoração de aniversário,
 no jardim do Constantino,
em 14/10/2014






segunda-feira, 27 de junho de 2016

Antipasti: para abrir o apetite!


 Inspirada pelas recordações do Atelier das Massas, fui pesquisar fotos de outros balcões de antipasti: um de São Paulo, no Restaurante Lelis, e dois em Roma: Le Tavernelle, que encontrei por Serendipity  enquanto me perdia nas ruas da cidade, e uma cantina que à época se chamava 
L´Assassino, tema de um dos escritos do meu Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras, "A anima do penne al ragú". Pelo que pude ver pelo Google, hoje esse restaurante tem o nome de Ai vespri siciliani. Será que o casal alegre do balcão ainda está lá? Na minha lembrança, sempre.

Pude ver, pelo site, que o estilo dos pratos permanece muito semelhante ao que conheci, com uma discreta mudança que acompanha a tendência global: o que antes era essencialmente familiar, hoje está gourmetizado. A transformação é inevitável, acompanha o movimento do mundo, mas sinto falta do rústico que vivenciei ali, no meu prato fundo, servido de penne em abundante ragú. A cozinha do restaurante, hoje, traz impulso de inovação, respeitando elementos do cardápio tradicional siciliano, baseado em produtos do mar. Louças e decorações contemporâneas dos ingredientes contam que meu prato fundo, com molho vermelho transbordando, já é passado.

"O Assassino"
Foccaccia
"Aqui, ditadura gastronômica"


Era fevereiro, uns dois graus de temperatura. O balcão de antipasti, lembro bem, estava  rico de sabores cintilando a azeite de oliva local, beringelas, zucchinni, tomates recheados e tantas outras iguarias. Largas massas de foccaccia, queijos e fiambres, azeitonas e outros deleites convidavam meu olhar para o retorno. Voltei, de fato, para umas taças de vinho, o antipasto e uma celebração a dois, no idioma local. Impossível esquecer aquela cantina...

 Resolvi partilhar uma seleção de imagens, sendo a primeira a do nosso típico italiano tão amado pelos portoalegrenses, Atelier das Massas.  É mágico ver como as atmosferas se parecem, em um contexto muito único:  vidros de azeites de oliva e de pimentas, garrafas de vinho, as paredes lotadas de quadros, os balcões de entradinhas plenos de cores e de texturas, tons fortes que nos convidam para a cena.

Bem-vindos às lembranças!




          Quando compartilhamos lembranças de sabores vividos, de certo modo estamos dividindo a mesa. Vocês, aqui, são leitores e, acima de tudo, comensais de memórias saborosas.

Deixo então um abraço carinhoso!
Betina






                                                 


















Entradinhas do Atelier das Massas: um belo Happy Hour de inverno


Queridos leitores! 

Estou em fim de semestre no Mestrado, então, numa correria daquelas...acontece que, mesmo num tempo maluco, consegui, há umas duas semanas, fazer um Happy Hour com amigos, num restaurante que amo em Porto Alegre, o  Atelier das Massas (cliquem no link para ver as fotos!).
O Atelier, é claro, tem massas espetaculares, mas confesso que sempre tive curiosidade e apreço especial pela oferta de antipasti, as entradinhas expostas no balcão.

 Fomos numa sexta-feira, chegando pouco depois das sete da noite, horário de abertura do restaurante para o jantar. Os quitutes, as taças de vinho e os tin-tins, com as devidas risadas e boa prosa, foram divinos; acima de tudo, um presente para os cinco sentidos. Para nós e para todos os clientes, que também curtiam seus pratos e observavam, de soslaio, a concorrência pelas mesas. Em menos de uma hora, estava o local já completo, e a espera, do lado de dentro e de fora da casa, começou a aumentar. Pasmem: com frio intenso e tudo! Excelente foi perceber a atenção dos proprietários e dos garçons com aqueles que aguardavam, oferecendo bebidas, servindo, dando informações e cuidado. 

Não jantamos, pois a ideia era curtir uma boa prosa antes dos compromissos da sexta à noite, mas o cardápio sempre deixa uma expectativa pelo retorno..."da próxima vez, vou pedir este prato!". Saborear as entradas, que são originais, múltiplas e super vibrantes, foi uma experiência deliciosa no Atelier. Em todas as vezes em que fui ao local, escolhi alguma massa típica da casa, mas a vontade de ir pelo antipasto era uma constante. E vos digo: vale a pena, também!!!

O restaurante abre para almoço, das 11:00 às 14:30; para jantar, das 19:00 às 23:30. O telefone é 32251125, e é possível reservar pelo Restorando, no link Restorando Atelier das Massas. E eu descobri, na pesquisa, que eles têm Tele-entrega!!! Telefone: 33258888! O menu online é este aqui do link. O delivery fica aberto nos seguintes horários: 
segunda à sexta, das 19:00- 23:00
Sábados: 11:00-14:30 e das 19:00 às 23:00
Domingos e feriados, fechado.

Bom, com as fotos abaixo, deixo meus comentários de lado. Vocês podem imaginar...Para quem não aparece por lá faz tempo, sugiro renovar as lembranças! Aos frequentadores, fica a partilha de um sentimento delicioso que o lugar propicia, o de estar numa daquelas cantinas típicas e familiares dos italianos. E não é mesmo? O mais incrível é a sensação de ele ser um restaurante com tanta unidade, tão típico por sua proposta, que funcionaria desse mesmo jeito, acolhedor e lúdico, onde estivesse. É como um oásis no centro de Porto Alegre.

Se fosse um texto literário, eu até arriscaria propor a frase  "o Atelier das Massas tem verossimilhança interna". É quase isso, amigos. Trata-se de uma obra  culinária, que vale por seu conjunto: tudo funciona em uma harmonia levemente desordenada, que caracteriza o cenário. Personagens, instantes peculiares, vida pulsando nas entradas e nos pratos criados ali: tudo é próprio da "obra". O que existe lá fora não faz parte das cenas que o interno oferece. Dentro do Atelier é, sem dúvidas, um mundo à parte. 

Vocês resistem? 

Eu, não.
:) 

Com carinho,
Betina
pecaditos possíveis...quem resiste? 
salames, queijos e fiambres, no detalhe
quitutes da casa: cogumelos, azeitonas recheadas, e tantos mais
balcão com queijos, fiambres e quitutes: iluminado à noite
balcão à noite
ofertas de entradinhas criativas
vista geral do restaurante, plano térreo.


(todas as fotografias foram extraídas do site Atelier das Massas. Visite o link e veja quem fez cada foto.)





domingo, 19 de junho de 2016

Chegando o inverno!



Está dada a largada! Em poucas horas, estaremos no inverno, aqui no Hemisfério Sul. E Porto Alegre anda surpreendente no quesito frio. O lado bom são as lareiras, as comidinhas saborosas, a elegância dos trajes, o calor dos (mil) cobertores, o passear juntos, o brindar com vinho tinto, e por aí vai. 
Confesso, já fui mais fã da estação de dias frios e cinzentos, mas tenho buscado curtir. 

Escolhi essa foto porque os mercados sempre são potenciais territórios de criação. Vemos este e aquele ingrediente, preparamos o cenário, e plim!, está feita a festa. Em especial, quando é a dois.
Ao recebermos amigos em casa, muitas vezes as melhores opções são as tradicionais, como queijos e vinhos, fondue, café da noite com pães especiais e a casa aquecida pelo fogo. Manter as tradições é a cara do inverno, aliás. Esperamos por ele para escolher os queijos no mercado, ou para comprar as frutas e o chocolate. Por isso a imagem: as receitas ocorrem espontâneas enquanto caminhamos pelas bancas, à espera de ideias que nos saltem.

E, na cozinha, tradição rima com criação? Sim, sem dúvidas. Podemos seguir receitas invernais clássicas, mas com novos elementos, temperos, inovações. É isto que o passeio pelos corredores do mercado citadino nos oferece: o inusitado, a surpresa, o clique na escolha do queijo desconhecido, da geleia de uma fruta da época e daquele pão rebuscado, que sempre deixamos para  experimentar depois.

Passei pra desejar que os amigos tenham um delicioso friozinho, pleno de tintins, sabores e partilha!
E, claro, com muitas boas prosas e risadas em volta da mesa!

A seguir cenas dos próximos posts:

"Entradinhas do Atelier das Massas: um belo Happy Hour de inverno"

"E por falar em Antipasto"

"O queijo e a gruta"

"O amor é massa-madre"

E posts com dicas de lugares e atividades saborosas para curtir a chegada do frio.

Com carinho,
Betina


domingo, 27 de março de 2016

Carpe!!!


E como amanhã  teremos uma nova segunda-feira cotidiana, passado o feriado de Páscoa, vale uma reflexão: saboreie o dia, para além das guloseimas e dos chocolates recebidos. Este saborear tem origem na ideia de 'aproveite o dia', presente na frase Carpe Diem. 

Trata-se de um aproveitar pleno da vivência das horas, e não apenas um 'passar' do dia, para que logo se vá a segunda, a terça, a quarta, a quinta e chegue, ensolarada, a sexta, e então o sábado, o domingo...e outra segunda. É assim que a vida 'passa', a gente mastigando a comida sem saborear, porque há só uma hora de almoço.

Um exercício de imaginação...Num bolinho de chuva, cada mordidinha traz a maciez, o aconchego da massa bege-clara, o crocante da casquinha, o perfume quente e o carinho que o açúcar  faz na pele, quando abrimos o quitute com as mãos. E tem o expresso, gole a gole: a merenda  nos reporta a memórias trazidas lá do fundo. Lembranças vêm pelo bolinho e pelo cheiro do café, denso e viçoso na xícara branca, mesmo se estivermos desavisados, atentos aos sentidos. E vêm o bem-estar e a gostosura de um intervalo na correria, a pausa de nirvana numa segunda-feira. Pois esse saborear pleno de uma pequena safadeza, bolinho de chuva com café, é o mesmo que podemos aplicar ao nosso dia rotineiro. Isso parte de uma decisão, ao despertarmos.

Quando saboreamos o tempo, cada segunda-feira é prazerosa em sua essência. Mesmo depois de um feriado longo. 

Então, bom finzinho de domingo, e bom começo de semana aos amigos!!

Abraços,
Betina

Parrilla, Francis Mallmann e o sabor como chave: aniversário de quatro anos do Blog!


E por falar em Parrilla, quero contar sobre o chef argentino Francis Mallmann, especialista na  exímia prática do fogo na Gastronomia. Mallmann é o premiado autor dos livros "Terra de Fogos" e "Sete Fogos", além de proprietário do Patagonia Sur, no bairro La Boca (site), em Buenos Aires, do 1884, de Mendoza (site), e do Hotel e Restaurante Garzon, no Uruguai (conheça aqui).


Quando falei no Villa Crespo, ontem, restaurante Porto Alegrense de inspiração portenha, logo em seguida lembrei de contar sobre esse chef. Fiz tal ligação através de dois elementos intrincados: a parrilla e, sem dúvidas, Buenos Aires. Mallmann realiza peripécias parrilleras fenomenais, e é nascido em uma província de Buenos Aires. 

Só depois fui perceber por que estaria abordando esses temas nesse final de semana. São, afinal de contas, assuntos muito vinculados à capital portenha, quase minha cidade natal, cidade que tenho no coração. E por que escrever sobre isso logo agora?

 Hoje o Serendipity in Cucina completa quatro anos, 
tendo nascido no fim da manhã  de 27 de março de 2012, em Buenos Aires.
 Estranho eu não ter me dado conta, mas é claro, agora, que a postagem sobre o Villa Crespo e a decisão de escrever sobre Mallmann vieram das  seguintes palavras-chave dentro de mim: Buenos Aires, Março, Serendipity in Cucina. 

Veja aqui a primeira postagem do blog.

Temos, sim, palavras-chave em nós. Elementos que estão ali, esperando para serem acessados pela via do coração. Quando chegamos a eles, por um gatilho aleatório, abre-se um portão de lembranças e emoções em nosso mundo interno. As palavras-chave nos propiciam um reencontro conosco, com partes guardadas e à espera de um chamado para serem relembradas, revividas, ressignificadas. 

Buenos Aires, Serendipity (serendipidade), Cucina (cozinha) e Serendipity in Cucina: são chaves de encontro e descoberta, em mim. Foi este o papel do nascimento do blog, em 2012, há quatro anos: despertar o (re)encontro com a culinária e seus símbolos em minha história, em primeiro lugar. Em segundo, e também relevante, o papel foi o de transmitir reflexões e descobertas, nos campos de forno-e-fogão, ao leitores e amigos. Cada um de nós, com suas palavras-chave, com este ou aquele gatilho de acesso a sentimentos e percepções.

O que vim descobrindo, com o tempo, nas pesquisas e escritas sobre a cozinha? 
Que os sabores são essenciais no acesso às nossas palavras-chave, no coração. Muitas vezes, para além da palavra, são os sabores que nos permitem chegar às emoções e às memórias mais escondidas. Onde uma palavra não é alcançada para essa ou aquela compreensão, muitas vezes é a comida que abre uma porta de rara fechadura, em nosso interior. 

Saborear é preciso!

Seguirei contando sobre o Francis Mallmann, em mais um ou dois posts. Depois, o foco será a Gastronomia uruguaia, através da experiência no restaurante Lo de Tere, que referi em postagens desse mês.

Agradeço aos leitores pela presença e carinho em nossos quatro anos juntos!

Abraços,
Betina

sábado, 26 de março de 2016

Sabores e sentidos no Villa Crespo, em Porto Alegre

Vista do interno, eis a fachada do Villa Crespo
(até com luminária típica!)
Dia desses, voltei ao Restaurante Villa Crespo, uma buenísima Parrilla Porteña na Av. Teixeira Mendes 1151, em Porto Alegre. Aliás, para quem ainda não sabe onde ir amanhã, domingo de Páscoa, essa é uma saborosa possibilidade! Sugiro reservar ou chegar cedo (tels. 51-9235.68.77 ou 3365.30.00), pois é daqueles lugares concorridos, em finais de semana e feriados. Tinha conhecido o local ano passado, e tomado nota para retornar outras vezes, de tão bom que é. Então, já alinhavando as mudanças no blog, fui há poucos dias, para saborear o cardápio e fotografar detalhes para um post. 

Minha perspectiva, ao falar dos lugares que me agradam, é expressar o todo:  o modo como me senti no ambiente, saboreei os pratos e fui antendida, ouvi a música, vivi o lugar. Por isso, o Villa Crespo chegou ao 'Serendipity in Cucina". Minhas primeiras visitas ao restaurante, em 2015, não poderiam ter sido melhores: em linhas gerais, as escolhas foram um queso parrillero de entrada, com o Chimichurri feito na casa, tempero picante e viçoso na medida, uma cerveza (que não pode faltar), um asado de tira com molhinhos de acompanhamento, uma batata com queijo Roquefort, e, de sobremesa, uma panqueca de dulce de leche...O lugar me fez sentir alegria, pelas deliciosas conversas e risadas daqueles almoços, sem dúvidas, mas também pela atmosfera festiva que existe ali. E foi essa atmosfera que fui buscar, na visita recente deste 2016.

Que tal o cardápio? Clica aqui!

Numa refeição, exercitamos nossos cinco sentidos, e quando todos são contemplados com sucesso, a memória torna-se tão saboreável como a própria ocasião: o Villa Crespo deixa na gente recuerdos assim: a celebração, a partilha, a comida, os cheiros transbordantes, as vozes dos comensais em seu domingo com amigos e família. E foi o que ocorreu, a memória das sensações me inspirou a voltar lá. Esse clima todo é muito bom! 


Há um aspecto interessante quando falamos sobre o saborear na vivência do comer fora: o sabor  não é um sentido, ele está atrelado aos sentidos. Para mim, o sabor é o sentimento do gosto. Num entrecot, num asado de tira ou num queso parrillero, está o prazer do gosto, a tentação do cheirinho típico, o visual convidativo das tábuas à mesa, o Piazzolla tocando ao fundo, a textura perfeita da carne junto à maciez da batata com Roquefort derretido...Tudo isso compõe o sabor. Agora, a coisa vai além: na experiência, está a memória desses elementos,  existe a história deles em minha vida, o meu laço com Buenos Aires, onde essas comidas compuseram meu cardápio de lembranças; estão também presentes as primeiras visitas ao restaurante, a cor de vinho tinto das paredes, as madeiras escuras e as pedras da decoração, todas trazendo aconchego, o som das palavras no cardápio, a cremosidade do dulce de leche, um bege-dourado ultrapassando as fronteiras da massa de panqueca e se espalhando pela louça branca... bom, há tantos simbolismos que compõem o fato de elegermos um local como vivo em nossa carta de sabores pessoais, que é possível citar apenas exemplos, pois cada um de nós visita um restaurante com suas bagagens.

Voltei lá  para o almoço, prestei atenção a elementos do cenário, conversei com o mozo que atendeu a mesa com excelência, o Felipe,  e, através dele, conheci um pouco da história do local. O Villa Crespo tem este nome em homenagem a um bairro de Buenos Aires, o original Villa Crespo (para saber mais, clique no link Barrio Villa Crespo CABA). O proprietário do restaurante é o mesmo do Tirol, renomado pelos filés tradicionais em nossa Porto Alegre, e um local como o Villa Crespo era um sonho seu. Conforme o Felipe, foi feita uma ampla pesquisa nas parrillas porteñas, antes de abrir este, em 03 de dezembro de 2013, e todos os detalhes (cores, atmosfera, luminárias, quadrinhos, cabide de pirulitos, garrafas nas mesas) foram inspirados em parrillas de Buenos Aires. 

E como é bom conhecer a história de um lugar! Este foi um hábito que adquiri com a escrita culinária e com a prática da cocina viajera, atividade de pesquisa (por conta e risco) em que viajo para conhecer a cozinha das paisagens, como fiz na Província de Girona, na Catalunha. Estar em um local, comer os sabores daquela cultura, aprender sobre seus produtos e seus territórios são fatores que se tornam parte da nossa memória e da nossa construção pessoal. Tem sido muito prazeroso viver isso através dos escritos, através do blog e das conversas com os restauradores e funcionários, pois são possibilidades de enriquecer de simbolismo, e de sentimento, uma refeição. Não tenho objetivo de tecer crítica de restaurantes, não sei fazer isso e não é meu escopo: vou num lugar para descobrir como me sentirei ali, com que alegria sairei de sua porta e através de qual memória desejarei retornar à sua mesa. Tendo sentido conforto, prazer e alegria, recomendo aos amigos! 



E o Villa Crespo, com certeza, merece recomendação! 
Para conhecer, clique aqui:Villa Crespo Porto Alegre 

Com carinho, e Feliz Páscoa!!

Betina



Outras fotos!

salada de rúcula com parmesão
detalhes das mesas
pirulitos com inspiração porteña

detalhes das paredes, vindos de Buenos Aires
Detalhes das paredes, vindos de Buenos Aires