quarta-feira, 23 de abril de 2014

Homenagem aos Livros de Cozinha!!!



No Dia Mundial do Livro, a homenagem do Serendipity in Cucina aos livros de Cozinha, estes fieis e simpaticos mestres  que ensinam e partilham as Artes Culinárias, que se tornam confidentes e testemunhas das mudanças de ultima hora nas receitas...estes ilustres amigos, alinhados um a um em nossas estantes e presentes na vida dos amantes da boa mesa! Podemos não  usa-los amiúde,  mas os desejamos, belamente expostos  ou em uso no balcão,  comungando conosco a festa de forno-e-fogao. Ah, os livros de cozinha...!!! Estes que nos levam à loucura nas prateleiras de livrarias, estes que nos mantém por horas entre um folhear e outro das paginas, na escolha voluptuosa de abocanhar uns dez de uma so vez, gulosos por suas receitas, por suas historias, por seu sabor. 

Para mim, os livros de cozinha são amigos de longa data, sempre convidados à mesa da copa, para pesquisas, conversas, devaneios, novos ventos... e foram eles que me inspiraram para a realização do meu Pequeno Alfarrabio de Acepipes e Doçuras, juntos aos cadernos de receitas que conheci e que tive. 

A cada novo livro culinario, descubro um novo mundo de ideias, de janelas abertas com cheiro de coisa boa saindo do forno! 

Meu 'Muito Obrigada' a estes personagens de minhas aventuras de cozinha, que inspiram meus escritos e meu prazer na alquimia dos ingredientes!!

E você: qual sua historia com os livros de cozinha? 

Com carinho, 
Betina

domingo, 20 de abril de 2014

Qual sua receita de hoje?

Domingo de Pascoa. Almoço em familia, ou como preferir: com o amor, os amigos, consigo mesmo, em casa, em cidade estranha, no interior, nalguma capital. Em qualquer lugar, hoje é Domingo de Pascoa, se você sente e acredita no simbolismo desta data. É Domingo de Pascoa dentro da gente, uma partilha silenciosa com nossas lembranças,  antes mesmo de celebrarmos o dia com os demais, na hora do almoço. 

E haverá tantos outros que amamos e queremos perto, mas encontraremos noutra ocasião,  com presentes atrasados do Coelhinho, abraços e tin-tins...Bom, não importa: na receita que desejamos preparar, estão todos do nosso querer-bem, próximos ou distantes, e até estes últimos serão parte da cozinha de Páscoa, se você estiver inteiro na realização do prato.  Se estão em seu íntimo,  tornam-se vivos no seu fazer culinário: basta você estar presente na tarefa, focado em cada ato, em cada sensação que os ingredientes gerarem na mistura.

Vivencie a receita como uma experiência única de vida, sem 'perder' um segundo com preocupações ou pensamentos que nao pertencem àquele momento. Esteja ali, pleno, dedicado ao processo, com a pureza da criança que brinca por brincar, consciente apenas do tempo que tem. E qual o tempo da criança? O instante da brincadeira, em que tudo o que sente é verdade, é vivido e colorido. Sem antes ou depois. Seja a receita que estiver preparando, faça parte dela como ingrediente, através de sua atenção. 


Esta é uma das melhores formas de homenagearmos nossos queridos, longe ou perto, pois colocamos nosso amor na delícia que fazemos-doce ou salgado, acido, amargo ou umami,quente ou frio, entrada, prato principal, salada, sobremesa ou merenda. Ali estamos nós, desejando Feliz Páscoa através da nossa receitinha favorita! Ja escolheu a sua?

Feliz Domingo de Páscoa!!
Com carinho,
Betina

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Feriado da Pascoa: o renascimento da criança!

Bom dia! Ha quanto tempo nao escrevo, coisa de um mês ou dois. Correrias de sempre, novos projetos, livro de cozinha viajistica sendo escrito, a descoberta de um território enigmatico que deu origem a uma pesquisa culinaria, o estudo vagaroso do idioma catalão  através de suas receitas...todos foram processos envolventes em tempo e emoção,  explorações externas-e internas-que adiaram meu retorno ao blog. Pois voltei para a Pascoa, festa mais contente do ano, para mim.

Como ja contei certa vez, no meu "Pequeno Alfarrabio de Acepipes e Doçuras", comecei a fazer chocolates para presentear meu irmão,  na Pascoa de 1988...queria surpreendê-lo com uma cesta de minha autoria, e, dali em diante, minha fabriqueta "Cacau Company" fez inumeras invenções e peripecias nas Pascoas familiares. No entanto, sempre esta data foi especial em nossa cozinha, símbolo de calor do forno aquecendo a casa e a alma da gente. 

Bom, nem tudo são lembranças doces...Perdemos a Vó Leia, personagem de tantas das minhas historias de vida culinaria, na Sexta-Feira Santa de 1995,-logo ela, tão cuidadosa com as ressalvas deste dia. Foi uma data triste, tristissima, mas a força animica desta celebração perdurou, e continuo sentindo, a cada ano, o prazer deste festejo.  Foi a mesma Vó Leia que me levou a aprender chocolates, num curso curtissimo de uma tarde chuvosa em Porto Alegre, e foi também ela a participar, com a mãe,  dos preparativos do meu bazar de chocolates para a Páscoa de 1992. Uma das maiores riquezas deste Bazar foi a ajuda incansavel da minha amiga de infancia, Andréa, na feitura dos doces e na organização das vendas. Tudo muito com ares de feito-em-casa, em familia, partilhando com bons amigos a doçura que este tempo significa.

Este periodo é de reunião na cozinha, os aventais em movimento, o cheiro de coisa-boa espalhado pela casa toda e da Macela recem colhida no mato, coelhinhos decorando os lares e as lembranças,  a procura dos ninhos escondidos, o barulho precioso do abrir o papel dos grandes ovos de chocolate, depois de longas buscas...ha uma magia que permeia esta ocasião,  um renascimento da criança dentro de cada um, um brincar saboroso que acredita na vinda do Coelho...sinto, mesmo, é uma inocência que me salva da adultice permanente,  e que me salva do tradicional dito "Ja passei da epoca de acreditar em Coelhinho da Páscoa!"... ha uma parte minha, e talvez sua, que se desveste de aduto e que volta a sentir-se criança procurando pelo ninho, descobrindo as delicias da cesta de palha, numa atmosfera alegre e curiosa em nosso íntimo, como se a Pascoa vitalizasse a criança que fomos. A meu ver, este  também é o renascimento que celebramos no Domingo, mas  num sentido individual. Para além  da conotação religiosa que conhecemos e respeitamos, acredito que este seja um tempo de darmos voz à nossa criança,  na docura, na pureza e na faceirice de surpreender-se ao encontrar o ninho escondido.
Que seja uma Festa de partilha e de felicidade a todos os amigos e leitores!
Gracias pela visita!
Com carinho,
Betina
Chocolates do Bazar de Páscoa,  1992!