terça-feira, 11 de março de 2014

Olhar...e olhar de novo!



Às vezes, a mudança de perspectiva está num 'click', dentro de nós. Olhamos, imaginamos, olhamos de novo e não somos mais os mesmos da cena primeira: nossa imaginação caminhou na frente. Ao re-olhar, já brincamos com o conjunto, já misturamos tons, já borramos o quadro, de propósito.

Somos nós ali, pintando nova vida, no lugar do olhar antigo. Mesma cena, mesmo cenário, mas outra percepção: entre nós e a imagem, interferência recíproca de mudança. Mudamos a cena, a cena nos muda, apenas por modificarmos nosso modo de olhar.  De imaginar.

Numa viagem, este fenômeno é ainda mais forte, e o 'transe de viajante' acontece exatamente quando permitimos que nosso olhar vá além da imagem concreta: olhamos com a imaginação, e o resultado é o 'Plim!', o clímax de nossa relação com o lugar onde estamos. Crucial, neste sentido, é o papel da novidade, mesmo que conheçamos muito onde estamos; o novo pode ser tanto um vilarejo ou uma metrópole desconhecidos, ou pode ser um jeito de enxergar que aconteça em nós. O prazer que sentimos é o da descoberta: a mágica de encontrarmos, na imagem de antes, uma tinta diferente, a nossa! No segundo olhar, ali estamos nós, preenchendo a pintura com nossa anima.

No meu sentir, é o que fazemos nas viagens, quando nos entregamos para a experiência de conhecer uma cidade em detalhes: no local que observamos, há partes de nós, há o nosso modo de percebê-lo.

E isso me faz lembrar de um trecho do livro 'As Cidades Invisíveis', de Italo Calvino...

"(...) Assim- dizem alguns- confirma-se a hipótese de que cada pessoa tem em mente uma cidade feita exclusivamente de diferenças, uma cidade sem figuras e sem forma, preenchida pelas cidades particulares."


Gosto tanto de viajar, vejo esta prática tão ligada aos prazeres da vida, que a agreguei ao nosso 'Serendipity in Cucina', a partir deste março de 2014! Aliás, a boa Serendipity das viagens ocorre quando olhamos com nosso gozo uma simples ruazinha transversal...

Em breve, trechos de literatura viajística, reflexões e mirabolâncias sobre viagens, culinárias ou não...


Bom início de semana!

Com carinho,
Betina

sábado, 8 de março de 2014

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Boa noite!

Às leitoras amigas, Feliz Dia Internacional da Mulher!

Há tempos não escrevo...férias de verão, retorno à rotina e planejamentos para o ano de 2014 me deixaram afastada do Blog. E bem sei que a escrita é um compromisso com os leitores e comigo, com meu espaço interno de criação, e bem sei que a nutrição da escrita é um trabalho diário; ocorre que existem períodos em que a vida nos absorve de tal modo em nossas transformações internas que a impressão é de um esvaziamento pleno. Sim, esvaziamento pleno, o paradoxo maior. E esta é a força do escrever, para mim: pulsação, um absoluto silêncio de palavras na folha branca, um branco cheio de branco, seguido pelo retorno do desejo de soltar as mãos no caderno ou no teclado e seguir o fluxo do texto. Sístole e Diástole de mim. 

Pois é, e hoje a palavra chegou. Pelo Dia Internacional da Mulher, vim fazer minha homenagem a todas nós, mulheres! Haveria muito a dizer, nesta escrita, mas deixo que cada uma de nós se sinta homenageada pelas qualidades que reconheça em si! Que cada uma de nós se sinta homenageada pelas memórias de suas vitórias, de suas forças, de suas vulnerabilidades, de suas emoções, de seus sabores prediletos, de seus amores, de suas raízes e de seus percursos de dentro e de fora! 

Lembrei de referenciar aqui, considerando a culinária como essência do 'Serendipity in Cucina', mulheres que trabalharam com empenho, com prazer e com zelo por sua trajetória de vida, tendo a cozinha como ferramenta de trabalho: Irma Rombauer, Julia Child, Doña Petrona (nas fotos abaixo), M.F.K. Fisher, Elizabeth David, entre tantas outras...Exemplos como os citados são apenas reflexos no espelho de muitas mulheres que, em sua cozinha, travaram batalhas profundas pela sobrevivência física e emocional. Venceram sempre, porque se propuseram a enfrentar as dificuldades, as crises, as faltas, com a mesma força com que celebraram as vitórias e as farturas. Seu vigor e seu valor estavam, acima de tudo, na força-motriz para seguir em frente, com resiliência e propósito, seu caminho. Fosse qual fosse o rumo escolhido.

A todas nós, no campo de vida em que estivermos, Parabéns! 

Com carinho,
Betina


Julia Child
Doña Petrona
Irma Rombauer