terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Caminhos que cruzei, caminhos que escolhi...

Este título anda me rondando há semanas, nem sei o porquê. Então, decidi me entregar para a aventura de desvendá-lo. Vamos lá...

Passo uma boa parte do dia escolhendo caminhos, sem mesmo perceber. Decisões simples, do dia-a-dia, acontecem a toda hora, não chego a conscientizar sua importância: são incorporadas pelo hábito. Levantar da cama, tomar café, escolher a roupa, escolher o caminho mais livre para o trabalho, almoçar num restaurante ou almoçar em casa, sair do trabalho mais cedo ou adiantar tarefas para o amanhã, jantar lanche ou comida, driblar a dieta, que ingredientes escolher para a salada do dia,  ler isto ou aquilo...São decisões, são escolhas, sim, e  ainda que subliminares, fazem parte de quem eu sou a cada dia, como peças da vestimenta que uso. E mais: cruzo muitos caminhos até uma definição, em 'modo automático', nem vejo os caminhos que cruzei, passo por eles sem olhar, sem 'mirar' em um específico...até que, 'Plim', está feita a escolha. Bom...Entre os caminhos que cruzo sem atenção e os caminhos que escolho, onde está a chave que abre uma determinada porta, uma em especial?

E comecei a pensar no título, como se fosse confrontada por tudo o que representa: não apenas as decisões simples, rotineiras, mas também as sérias, que impõem reflexão. Quantas vezes cruzamos os trilhos de respostas possíveis às nossas perguntas, sem nem atentarmos a seu significado??? E então?
Não enxergamos respostas que passam por nós, respostas à paisana, porque estamos com a cabeça aqui ou ali. Deixamos de escolher uma resposta possível que recém cruzamos, por falta de atenção...como se passássemos por várias ruas que cortam a avenida do nosso trajeto, todos os dias... a partir de um ponto, nem vemos mais as ruas por onde passamos, vamos seguindo um automatismo veloz, cotidiano, preocupados com outras coisas, com outros dilemas...E assim deixamos de entrar em uma rua diferente, porque nem a vemos, atordoados em fazer o caminho de sempre. Dentro e fora de nós. Escolhemos, deixamos de escolher, a toda hora. 

Abrimos a despensa e, dentre tantos ingredientes, esquecemos este ou aquele menos visados, lá do fundo. Acabamos usando os mesmos, por praticidade, por rapidez, por falta de atenção. Repetimos receitas, não por falta de ideias, mas porque cruzamos elementos possíveis, sem focar no potencial de suas qualidades, e decidimos por aqueles mais à mostra. Cruzamos caminhos em nossa despensa, também, e muitas vezes escolhemos sem pensar. E quem nunca, ao arrumar o armário de roupas, vislumbrou combinações que nem imaginava, apenas por atentar para peças esquecidas?

Cruzamos caminhos, sem perceber. Muitas vezes, escolhemos por hábito, sem reflexão, e vamos seguindo a vida. Cruzando caminhos, escolhendo caminhos. Seja para a salada do dia ou para definições essenciais, há um universo de ingredientes possíveis para compor nossas escolhas; no entanto, terminamos selecionando um número limitado, definindo rumos mais práticos, mais visíveis... apenas por não atentarmos à gama de possibilidades ao nosso redor.

Começarei a prestar mais atenção à minha despensa, quem sabe descubro um vidro de geleia guardado atrás dos enlatados...

E você: presta atenção aos caminhos que cruza?

Com carinho,
Betina


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma prosa pelo "San Valantine´s Day'!


Hoje, ao redor do mundo, é o 'Valantine´s Day', Dia do Amor, em larga escala...e fiquei pensando em uma imagem para ilustrar a homenagem ao dia. Encontrei esta citação do Mia Couto, um de meus escritores favoritos.

Em prosa? Uma ideia de história de amor, com a cozinha como pano de fundo: 
um romance em que ele e ela declaram os sentimentos mais profundos através das comidas que dedicam um ao outro.  Ele cozinha  seu prato mais saboroso, nos encontros de amor; ela produz banquetes de beleza ímpar, um Hors- D´oevre para a união dos corpos.

 Findo o enlevo, nenhum dos dois prepara, para seus novos pares, as mesmas receitas.
Coisa de fidelidade culinária, mesmo.
Ficaram guardadas as lembranças daqueles sabores no álbum de vida de cada um, como memórias gravadas nas fibras mais íntimas. Afinal de contas, dedicar um prato ao outro é, a bem da verdade, a autoria de uma carta de amor.

 Os registros que ficam, num espaço irrestrito dentro do peito, são o gosto bom de uma receita preciosa, o prazer vivenciado a dois, para além do sexo. Um prazer de entrega  de si mesmo, na elaboração da alquimia dos ingredientes- um encontro sinérgico que reproduz a 'liga' do casal...E um prazer de troca, de partilha, de dar e receber afeto e conforto através de um referencial atávico, o alimento. E há o papel do fogo, dos temperos, da mesa posta, do tempo interno para que o encontro das peles se traduza no prazer sexual. Cozinhar para o outro é uma das maiores declarações que se pode fazer a quem amamos, porque, no meu sentir, o ato culinário contempla, de um modo muito particular, alma e corpo numa relação.

Então, um belo dia de amor e quitutes, neste 14 de fevereiro!

Com carinho,
Betina

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Em trabalho de campo: pesquisando receitas e histórias pra contar!

Olá!!

Nossa última conversa foi na semana passada, dia 04 de fevereiro, e, desde então, estive realizando a pesquisa de novas receitas no tema de verão do Blog, as entradinhas e as saladas. Em breve, virei postar as novidades. Estou em trabalho de campo, por enquanto...
 
 Interessante, nesta estação, foi observar que, quando estamos envolvidos em um objetivo, a atenção dirigida nos torna mais alertas, coloca nossos sentidos ainda mais em ação. Percebemos mais as nuances do 'objeto de pesquisa' e até mesmo passamos a enxergar o que nem veríamos, tempo atrás. E digo mais, em prol da  pesquisa, da curiosidade, da 'ânsia pelo novo', ficamos mais disponíveis a arriscar empreitadas que fomentem nossa busca. Ampliamos descobertas, pois estamos aptos - e ávidos- a enveredar por rumos estranhos a nós. Um exemplo? Para escrever aqui no 'Serendipity in Cucina', sobre as saladas, resolvi ampliar meu campo de experimentação, provando ingredientes e misturas que, em geral, olhava de longe nas mesas de buffet e nos cardápios aqui e acolá. Me propus a provar a salada de feijão, de que já contei num post de fins de janeiro, e avancei. Nesta semana, provei uma deliciosa salada de Quinua e outra de massa-esta última surpreendeu minha implicância com saladas de massa! Vou contar a vocês nos próximos dias...
 
A verdade é que, mesmo quando estou à paisana, sem papel e caneta na mão, tenho comigo minha principal ferramenta para as pesquisas: os sentidos...além deles, a vontade de conhecer também é um elemento e tanto no meu processo de ampliação de horizontes culinários. Sim, tenho me proposto a saborear saladas até então fora das minhas prediletas, para compartilhar com vocês, leitores. E esta vivência tem sido muito prazerosa, porque me sinto em uma missão lúdica: aventurar-me, conhecer ingredientes e suas combinações, sentir o resultado como proveitoso ou não, e elaborar o 'prato' na página em branco, o texto. Transformar sabores e sensações em palavras é um desafio que merece muito zelo, leitura, pesquisa e dedicação, para que a leitura seja apetitosa como é o prato que apresentamos... e, claro, este é um desafio que merece e que precisa de muito trabalho prático: provar, provar, provar, colocando no exercício o gosto, o olfato, o tato, a visão e a audição...todos fundamentais na composição do fenômeno 'sabor'.
 
Um dos aspectos de maior aprendizado deste período, para mim, é a quebra de paradigmas do 'não gosto desse ingrediente', 'tal salada não me apetece': estou arriscando mais nos sabores, às vezes com boas surpresas, como foi o caso da salada de feijões de janeiro e da salada de massa, de hoje à noite. Sim, o propósito é a pesquisa de novas receitas sobre as quais escrever, mas também há nisto um pretexto: a motivação para a ruptura do conhecido, em primeir o lugar. Em segundo, o simptrles fato de 'ter um objetivo' a seguir é foco de prazer, de jogo, de descoberta e de encontro com um novo sabor, ou com um antigo reinventado.
 
Na pesquisa, há também o encontro com textos de autores clássicos que 'ensinam' através de sua escrita, como tem sido, para mim, a leitura de ' An omelette and a glass of wine', livro de crônicas culinárias da inglesa Elizabeth David. A vivência destes textos é tão rica que merece um post inteirinho. E há, ainda, no pesquisar dos temas culinários, a comunicação com quem faz o prato, o modo como conta seu fazer, seus truques, suas percepções. Na leitura e nas conversas, o elemento em comum é a presença do outro em nossa história, em nossa busca, e é esta interação que dá o tempero especial para o trabalho de escrita de cozinha: do referencial que lemos e que escutamos ao interlocutor-leitor, comensal de nossas palavras.
 
Agradeço a visita dos leitores, que movem para adiante o entusiasmo para que o 'Serendipity in Cucina' traga receitas e novas histórias pra contar!!
 
Com carinho,
Betina

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Palheta de verdes...

Ontem, o almoço em casa foi bem veranesco: saladinha de atum com rabanete ralado e vinagrete de limão, um conjunto leve e picante, ao mesmo tempo, com um 'ardido' bom de sentir e...uma salada de elementos que, entre si, compunham uma palheta de verdes, entre tons claros e outros mais vigorosos desta cor.

Os elementos e seu preparo: Zucchini, cortado no sentido longitudinal e grelhado em ambos os lados,  xuxu em fatias, também grelhado, batata-doce cozida, folhas de manjericão. Cortar em pedaços as metades da Zucchini, as fatias grelhadas do xuxu e a batata-doce; temperar com três ou quatro burrifadas do Vinagre Balsâmico, sal e azeite de oliva...e finalizar com as folhas do manjericão.

A salada se destaca pela leveza do resultado final, além da suavidade do prato, em tons variados e mansos de verde. A zucchini e o xuxu, por terem sido grelhados, assumem uma textura firme e um 'quê' no sabor; a batata-doce permanece fiel à sua qualidade, a calmaria...e o manjericão dá o tônus da refrescância à receita. O todo, em tons esverdeados, agrada os comensais pela harmonia do conjunto...

O sabor final é leve, equilibrado, e oferece ternura em sua palheta de verdes...e um sabor surpreendente!

Bom proveito!

Com carinho,
Betina

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Panzanella de Domingo!!!

Começando um novo mês, aqui estamos nós em nossa prosa, autora e leitores do 'Serendipity in Cucina'! Seguiremos com saladinhas e petiscos veranescos, enquanto durar a estação...Hoje realizei minha versão da Panzanella, com Pão integral em fatias banhado na limonada de  1 Limão Siciliano, espremido (para tirar o excesso de líquido) e despedaçado, com as mãos, na vasilha. Então, fiz camadas com os ingedientes: 

Primeira camada: na base, o pão umidecido, em migalhas; por cima,  tomates-cereja partidos ao meio, pitada de sal, as raspas do Limão Siciliano,   lascas finas e irregulares de mussarela de búfala, folhas do manjericão e o vinagrete.
Camadas seguintes: repeti a primeira camada por mais duas vezes, terminando o prato com o vinagrete sobre as folhas de manjericão. Por último, moí pimenta preta, até que o aroma sobrevoasse. Deixei uma hora na geladeira, antes de servir. Fiz a saladinha ouvindo UB40, um raegge leve para harmonizar com o preparo: com certeza, fez toda a diferença no entusiasmo da cozinha!

Usei o pão integral novinho, macio, mas a indicação é para usar pão já endurecido que, ao ser molhado, forma pedaços mais consistentes. No vinagrete, usei 1 parte de limão Siciliano e 3 partes de azeite de oliva.

Uma variação interessante, de caráter exótico e intenso, é molhar o pão na laranjada, usar cebola roxa em aros esparsos, azeitonas pretas sem caroço, tomate-cereja e lascas de queijo Feta.
Em ambas as versões,  molhar o pão no suco, ao invés de fazê-lo na água pura, é um modo de acrescentar o viço cítrico à salada.

O frescor dos elementos (limão Siciliano-raspa e suco, tomate cereja,  manjericão e mussarela de búfalo), agregada  à substância dada pelo pão umidecido, faz desta receita uma ótima alternativa para um almoço de verão!

Bom Proveito!

Com carinho,
Betina