terça-feira, 28 de janeiro de 2014

28/01/1754: nascimento do termo 'Serendipity'!!!

E foi no dia de hoje, 28 de janeiro, no ano de 1754, que Horace Walpole (1717-1797), Historiador e novelista inglês, cunhou o termo 'Serendipity', em uma carta a Horace Mann, educador americano. Walpole referiu que criara o termo a partir do conto de fada 'Os três príncipes de Serendip', em que os heróis estavam sempre fazendo descobertas, por acaso ou por sagacidade, de coisas que não estavam procurando. A raiz do nome é Serendip, um antigo nome para Sri Lanka, do Sânscrito Simhaladvipa e do Persa Sarandïp...E aqui começa nova pesquisa, com surpresas e Serendipices no folhear das páginas...

Uma pesquisa dentro de outra dentro de outra, com achados que levam a achados que levam a achados, com links para links e então para hiperlinks inimagináveis, que levam a outros trajetos onde faremos novas descobertas, e então novos percursos e labirintos e piqueniques entre um trecho e outro...

Assim, foi no dia de hoje, há 260 anos, que foi dado o primeiro passo para o nascimento de nosso 'Serendipity in Cucina'! Agradeço a  Horace Walpole, pois sua 'invenção' traz muitas peripécias divertidas para minhas viagens e receitas...

E você: encontra a 'Serendipity' em sua cozinha?

Com carinho,
Betina



Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mais um pouquinho sobre a 'Panzanella'!!!

E hoje pensei: se a proposta da 'Panzanella' é a de ser uma salada de verão, a tônica está na refrescância: este é o ponto que devemos manter em foco, ao escolhermos os ingredientes! Como sempre, podemos criar alternativas à receita tradicional, adaptações a produtos da região, mudanças na paleta de cores dos legumes e verduras...As variações são infinitas, desde que se tenha em mente o propósito do prato, a coerência com o que ele tem a dizer. No caso da Panzanella, estamos falando em verão, frescor, leveza! 

Foi, então, que me ocorreu: e se, ao invés de molharmos o pão na água, o fizermos numa água com o sumo de um limão Siciliano? Com isto, a 'anima' do limão poderá se incorporar da porosidade das fatias de pão, deixando, na salada, um 'quê' cítrico que fique discreto, sem berros, sem quebrar o espírito do conjunto. Pode-se, também, adicionar as raspas da fruta aos demais componentes, dando a alegria do amarelo para nossa salada, junto ao vermelho do tomate, ao roxo da cebola, ao verde do manjericão...

Existem outras versões, como a interessantíssima 'Green Panzanella', [Panzanella Verde], também do blog da italiana Giulia Scarpaleggia, 'Juls´Kitchen'! Vale a pena conferir!

Bom proveito!

Com carinho,
Betina

domingo, 26 de janeiro de 2014

Panzanella: uma salada toscana típica!

A Panzanella é uma salada fria, típica de verão, que leva pão Toscano (endurecido de uns dias) e  tomates, em sua essência, tendo outros ingredientes para completar a receita. Diz-se que o nome do prato viria de Pan (redução de 'Pane', para 'pão', em italiano) e Zanella, uma palavra antiga de origem italiana, significando 'bowl', vasilha. A origem da receita remonta à metade do Século XIV, e  teria sido mencionada por Bocaccio, naquela época...Bronzino, pintor fiorentino famoso, da Renascença, até mesmo teria escrito um poema para celebrar esta saborosa salada, que seria feita com cebolas, pois os tomates ainda não teriam chegado na Itália.

A salada tem um aspecto de conforto, maciez, refrescância...um sossego para dias quentíssimos de verão! O pão molhado e em pedaços suaviza a textura da receita, dando-lhe substância com leveza, o que vale ouro para almoços veranescos! E os tomates, as cebolas, o pepino e o manjericão também proporcionam este frescor, ao saborearmos o conjunto!
A salada cumpre o destino da Serendipity: o pão que sobrava, nas casas dos camponeses italianos, precisava ser reaproveitado, e os ingredientes produzidos no local, e na estação, eram parte da receita. A 'Panzanella', então, surge da necessidade de 'reinventar' um ingrediente, a partir de estratégias que o tornem viável (molhar o pão na água e esmigalhá-lo depois) e de elementos que sejam próprios da estação. Por que foi feita no verão, não se sabe, mas a salada tem um equilíbrio interessante para os dias quentes: a leveza e o frescor, fundamental para o organismo em dias tórridos.
E, com certeza, muito saborosa!

Ingredientes: 

2 xícaras de pão Toscano (sem sal)
3 tomates, partidos em 8 partes
2 cebolas roxas, em fatias bem finas
1 pepino, sem casca e fatiado
Folhas de manjericão
Azeite de oliva
Vinagre
Sal

Preparação, para 4 comensais!

Molhe as fatias do pão em água fria, por 10 minutos; escorra a água e despedace o pão em uma vasilha. Adicione os tomates, os pepinos, as cebolas e as folhas de manjericão. Tempere com azeite de oliva e sal.. Misture bem e deixe repousar. Antes de servir, adicione vinagre e misture novamente. Deixe à vontade seus convidados, mantendo na mesa o azeite de oliva, vinagre e sal. Assegure-se de que a salada está fria ao servir.

Amanhã, outras versões do preparo!

Com carinho,
Betina

Fonte: Tuscanycious

Sugestão: o Blog 'Juls´Kitchen', da italiana Giulia Scarpaleggia, em uma receita bárbara!


E que tal um Antipasto italiano com feijões???

E como uma receita leva à outra, procurei no livro "Italian Food" [ Comida Italiana], da ensaísta inglesa que tenho citado, Elizabeth David, se havia alguma salada ou entradinha com feijões, algo típico. E encontrei uma especialidade da Toscana, o Antipasto 'Fagioli Toscani col Tonno' [Feijão Toscano com Atum]. Este é um dos pratos mais conhecidos da cozinha de Florença, e deve ser apresentado e servido em abundância. Feito com feijões brancos, gordos e macios (tão amados pelos toscanos), devem ser cozidos em água que cubra a quantidade desejada. Levam em torno de três horas para cozinhar. Quantidades? Em torno de uma xícara é suficiente para 4 pessoas, para um Hors D´oevre. Coloque o sal no final do cozimento. Escorra, agregue cebolas cruas, envolva a combinação com bastante azeite de oliva e, quando o conjunto estiver frio, adicione atum (em lata), em pedaços grandes. 

Estes feijões são  tão especiais para os toscanos, em sua história culinária, que há até uma travessa especial para cozinhá-los sobre o fogo, a 'Fagiolara'. Conto mais sobre este utensílio, em breve...

Na receita, Elizabeth David recomendou que se usasse o atum em óleo; minha sugestão é que se experimente fazer com o atum natural, enlatado, sem o óleo. Sugiro isto pois, na mistura, tem-se já boa porção do azeite de oliva, e adaptações que favoreçam a saúde são sempre bem-vindas. Além disto, na minha receita, usaria cebola roxa, ao invés da branca: além de seu sabor, um detalhe assim colorido enfeita a salada! Acrescentaria, também, vinagre Balsâmico e pimenta preta moída na hora...e faria algum outro improviso, no preparo, com certeza...

Afinal, inventar é a alma da coisa!

E por falar em Toscana, nossa próxima receita será a Panzanella, uma salada típica desta região da Itália...Aguarde!

Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina

Salada de feijão preto: receita veranesca!!!

Minha 'bíblia' de cozinha, 'The Joy of Cooking',
na versão de 2006 (Scribner) e naquela de 1931,
publicada por  investimentos próprios da autora
 e vendida em sua casa!

Bom dia!

Inspirada pelo almoço de ontem, fui a uma de minhas fontes prediletas, buscando uma receita de salada de feijões: 'Joy of Cooking', clássico da americana Irma Rombauer, na edição comemorativa de 75 anos do livro. Encontrei uma das versões que mais me apeteceu: salada de feijão preto com tomates-cereja, cebola roxa e grãos de milho, adornada com  coentro ou  manjericão frescos. No tempero, um vinagrete simples ou de manjericão (o próprio vinagrete com as folhas picadinhas). De acordo com a referência, uma xícara de feijão cru rende 3 xícaras dele quando cozido.

Aqui, minha leitura, com conversão de medidas já realizada. Também é possível fazer esta salada com feijões diferentes: feijão branco ou mistura de feijão branco e vermelho, como na versão referida no post de ontem, do restaurante Le Bistrot. A receita é só um ponto de partida para a criação; invente você mesmo!

Salada de feijão preto (pg.170)

3 xícaras de feijão preto, cozido.
1 1/2 xícara de milho (se usar o enlatado, drenar o líquido)
4-5 xícaras de tomates-cereja, partidos à metade
1 xícara de cebola roxa picada
coentro ou manjericão frescos, para adornar. 

Vinagrete (pg.572):

Se aprecia alho, faça uma mistura, (sugestão minha: amassar no pilão):
1 dente de alho pequeno, sem pele
2-3 pitadas de sal

Remover para uma vasilha, adicionando:
1/2 colher (das de chá) de sal
1/8 colher (das de chá) de pimenta preta em grão
1/4 xícara de vinagre de vinho ou suco de limão
Cebola pequena (Shallot), picadinha (1 colher das de chá)
1/4 a 1/2 colher (das de chá) de mostarda

Bata no processador de alimentos, até misturar bem; adicione gradualmente, batendo de modo constante após cada adição: 
3/4 xícara de azeite de oliva 

Para o Vinagrete de manjericão (pg.573), adicione à receita acima 1/2 xícara de folhas de manjericão finamente picadas, ou 1/4 xícara de folhas de manjericão e 1/4 xícara de cebolinha picada, misturando bem ao vinagrete.

Se fizer com antecipação o vinagrete, cobrir e deixar na geladeira; sacudir bem antes de servir.

Adorei esta ideia para a salada de feijão, num colorido veranesco dado pelo milho, pelos tomates-cereja, e pelas folhas verdes do coentro ou manjericão, além do próprio preto dos grãos. Teremos, nesta receita, um prato substancioso que pode ser o principal, até, num dia de verão:  a 'substância', pelo feijão e pelo milho, contrastando com o frescor, dado pelos tomatinhos, pela cebola roxa, pelas ervas e pelo vinagrete.

Irma Rombauer, autora do
 best seller de cozinha de 1931,
 'The Joy of Cooking'!

Bom proveito, e um belo domingo!!!

Com carinho,
Betina

Referência: 'Joy of Cooking', Irma Rombauer - edição comemorativa de 75 anos. Scribner, 2006



sábado, 25 de janeiro de 2014

Salada de feijões: uma experiência revolucionária...

Olá! Hoje é um dia chuvoso e fresquinho em Porto Alegre, um sossego neste verão quase inescrupuloso que estamos vivendo...Pois almocei no restaurante  Le Bistrot, que nos finais de semana oferece uma mesa de entradinhas espetacular, além das saladas e pratos quentes super saborosos. Nesta época do ano, me apetecem muito mais pratos frios, e principalmente verduras e legumes. E sabe o que mais? Adoro quando um cardápio se adequa ao clima do dia, e foi o que percebi hoje. Entre outras saladas que me despertaram, estava uma, para meu paladar, inimaginável, mas muito apropriada para um dia chuvoso de verão: salada de feijões. Por puro preconceito, e nem sei por que, eu nunca me serviria de salada de feijões, em outros tempos. E hoje me vi desafiada, já que tenho pesquisado este tema culinário aqui para o 'Serendipity in Cucina'. Mais do que desafiada, me senti 'em missão', devendo provar a salada para contar aos leitores minhas impressões. 

A bem da verdade, quando nos tornamos pesquisadores, exploradores de um campo, os fenômenos adquirem um diferente contorno: ao invés de olhar para a salada como algo que nunca me apeteceria, me propus a experimentá-la com curiosidade, disposta a identificar suas características e potenciais, disposta a degustar seu sabor, simplesmente. Confesso: tenho relutância em gostar de saladas de massa, ou daquelas com arroz ou...com feijões. Já parto do princípio que são ideias que não combinam, para meu gosto. E relutava em mudar esta concepção, até começar a estudar sobre o capítulo 'saladas', em vários livros de diversas origens e autores. É fundamental estarmos disponíveis para as sugestões de um cardápio, e podemos incluir receitas em nosso caderno quando abrimos lugar para o novo. Quando escrevi, há uns dias atrás, sobre a Salada Niçoise, referi que uma das versões nos livros era com feijões, e posso afirmar que pensei 'nuuuunca arriscaria', mas com muita curiosidade pela estranheza da combinação.

Fui de coração aberto para o experimento, e adorei a salada de feijões!!!! Continha feijões brancos e vermelhos; cebolas pequenas, cortadas em rodelas finas;  tomate concassé (tomate picadinho, sem pele e sem semente), e salsinha. Uma lindeza a combinação das cores e formas, o equilíbrio da textura  firme dos feijões branco e vermelho com aquela do tomate, macia. Cores predominantes: branco e vermelho denso, com pinceladas de verde. Conheci o inusitado prazer de saborear o feijão em uma salada, algo para mim, até então, impensável. Por puro preconceito, admito, para mim feijão era feijão-prato quente e forte- e salada é salada-prato frio e leve. Para nós, brasileiros, 'feijão' é mais do que um ingrediente na culinária, é um símbolo de muita força  cultural (pensemos no 'arroz com feijão', 'feijoada', 'caldinho de feijão': sabores viçosos, corpulentos, invernais..). Puro preconceito e inflexibilidade, até começar a estudar as possibilidades que temos em uma receita de salada!!!! O tempero era simples: um bom azeite de oliva e um vinagre suave, e foi usado na medida certa, sem sobrecarregar o conjunto. Brincando com a palavra, foi usado com temperança, o que faz muita diferença no resultado final de um prato. 

Adorei ter saboreado uma nova combinação, e mais: amei ter incluído, no meu caderno de cozinha, esta ideia. Em linhas gerais, percebi como a pesquisa, a observação e o propósito curioso nos tornam mais abertos para a ampliação de nosso cardápio de refeições e, por que não dizer, ao nosso cardápio de vida. Esta página dos livros culinários, que eu sempre passava com certo descaso, torna-se página de investigação e criatividade, e já penso em quais outras misturas posso inventar com os feijões, quais temperos cabem nas misturas, etc.

Acho que, se estamos em viagem, nos propomos mais a novidades como esta de hoje, a ousar nos restaurantes, pedindo quitutes fora dos padrões rotineiros. Me arrependo até hoje de não ter tido mais abertura à experiência de saborear o Haggis, prato tradicional da cozinha escocesa, quando fui à Edimburgo para um congresso, em 2006. Tenho convicção de que não apreciaria, mas meu arrependimento foi de não ter tido coragem e disponibilidade para pedir um destes in loco. Considero que estas experiências, como viajantes ou em nossa condição cotidiana, ampliem nosso cérebro. Como assim?  Novos ingredientes podem significar, para o cérebro, mais elementos a conhecer, a identificar, a reconhecer, a armazenar e a evocar no futuro, em uma nova experiência culinária ou no pedido em um restaurante. 

Penso na importância de assimilarmos novos ingredientes em nosso campo de sabores pela comparação com a aquisição de palavras no aprendizado de um idioma. Quanto mais aprendemos, mais ferramentas adquirimos para desenvolver a comunicação e o domínio de uma língua desconhecida, até então. Assimilar novos ingredientes diz respeito à ampliação de nosso campo de sabores, de sensações, e isto importa na construção de nossa capacidade de saborear um prato, ou mesmo de saborear uma experiência, como quando visitamos um lugar que nunca imaginamos que poderia nos agradar. Em algumas viagens, como esta que citei ou em outras, fui bastante resistente a 'elementos estranhos' nas receitas, e perdi de provar várias especialidades dos locais onde estive, pois o medo superava a curiosidade culinária. Claro, sempre se deve provar com parcimônia e respeito à saúde, à higiene e às intolerâncias alimentares, sem dúvida, mas muitas vezes, quando em viagem, resisti a pratos típicos por pura resistência. A mesma que eu tinha até hoje quanto a usar feijões na salada. 

Bom, fica a reflexão e, como ideia, a proposta de uma salada semelhante: que ingredientes você combinaria com os feijões? E qual tempero usaria?

E para você, qual elemento ou combinação é impensável, como era para mim a salada de feijões?

Bom Proveito!

Com carinho,
Betina


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Receita = História

E você já pensou qual das suas receitas quer que seja transmitida para as próximas gerações? 

Afinal, com que receita você quer fazer história na família?

Esta escolha é, em essência, um passeio autobiográfico precioso!

Pense nisto!

Com carinho,
Betina

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A receita é uma história contada a muitas vozes...

Pensando na salada de atum da Vó Léia, fiz um labirinto de reflexões...Por que comida de vó é tão saborosa? Qual o tempero que realmente torna o prato das nossas avós absolutamente incomparável? Podemos estar em partes diferentes do mundo, em fusos horários opostos, e termos paladares muito diversos...tenho certeza: há alguma receita de sua avó, ou muitas, que fazem parte de sua existência de um modo único: um Goulash, um bife à Milanesa, uma macarronada, um bolo de frutas...

Refiro as avós, que são um mundo à parte, mas a transmissão de receitas ao longo de uma família é algo que transcende a questão genética: é memória, é afeto, é arquivo de experiências. Quando recebi as receitas da Vó Alda, escritas à mão, pela prima Carmem Lescano, em 2012, senti uma gratidão profunda pela minha prima, que guardou este tesouro e, no justo momento, partilhou-o comigo. E eu o partilhei com meus leitores-comensais, no "Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras", na abertura do capítulo 'Nossas Avós', na transmissão dos registros de uma avó para o neto ou a neta que habita cada leitor. Voltamos para o tema 'Avó'? Estamos falando em todos aqueles que fazem parte do caminho de uma receita até que ela chegue a nós. Estamos falando do contar de uma história que, muitas vezes, percorre idades e oceanos, e chega à nossa cozinha, à nossa despensa...com a bagagem de afeto que vem viajando, sabe-se lá, gerações!

A receita é uma história contada a muitas vozes, e cada cozinha ecoa estes sons durante o preparo de um quitute, de um doce, de um sabor antigo.

 E você: lembra de algum prato que tenha atravessado os cadernos culinários de sua família? 

Com carinho,
Betina

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Salada de Atum, uma especialidade da Vó Léia!!!

Pois a salada Niçoise, em alguns pontos, me faz lembrar uma das especialidades da Vó Léia, e talvez muita gente reconheça como um clássico também de sua família: a salada de atum, batatas, cebolas, ovos duros cortados em quatro partes, azeitonas pretas e um marcado tempero de azeite de oliva, sal e vinagre....A receita era irresistível no sabor, nas texturas, na substância, no vigor do azeite acolhendo os elementos do prato. É uma especialidade freqüente em restaurantes portugueses, com bacalhau ao invés do atum. 

A receita preparada pela Vó era, sem dúvida, concorrência desleal para qualquer prato quente que ousasse fazer as vezes de prato principal; todos os ingredientes eram abraçados pela sedução untuosa do tempero, e era o sabor ou o perfume ou a textura ou o alvoroço de sensações do azeite de oliva, ou tudo junto, que dava o viço da salada...As batatas, cortadas em fatias grossas, eram de uma mordida tenra, enquanto a azeitona dava força ao conjunto...a cebola, escaldada, era disposta em anéis esparsos, e os ovos duros, apresentados em quartos, adornavam e, principalmente, substanciavam o prato. A bem da verdade, não sei explicar por que parecia uma refeição mil estrelas, mas lembro que tinha o conforto de almoço em casa de vó, de prosa longa em volta da mesa, de um cheirinho de comida  d´além mar. 

Durante meu período de vestibulanda, muito saboreei aquele quitute entre um estudo e outro, e a vivência era do deleite de um dos meus pratos frios prediletos! Tinha o preparo especial pela vó, mas, é claro, os ingredientes formam um conjunto rico, uma combinação perfeita de sabor e texturas. Para um almocinho de verão, é outra ideia para provar no final de semana em família ou com amigos, na praia ou na cidade!

Então, Bom Proveito!
Com carinho, 
Betina

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Salada Niçoise: belo almoço de verão!

     A ideia para esta postagem partiu de uma foto que fiz ontem, enquanto pesquisava...Vi  a mesma salada em dois livros de cozinha e em meu caderno de recortes de receitas, juntos na mesa, e observei um universo de diferenças entre eles: um só de textos e figuras em preto e branco, outro com belas ilustrações, uma página de caderno culinário com recortes e colagens...Da foto, a inspiração para a prosa de hoje!
(Por respeito aos direitos autorais dos livros consultados, a foto fica apenas como inspiração...)

Enquanto faço a pesquisa sobre saladas, me divirto com as variações de um mesmo nome para mil vertentes. A clássica francesa 'Salada Niçoise', por exemplo, encontra quatro versões registradas pela ensaísta inglesa Elizabeth David, no livro [Cozinha Provincial Francesa], derivada de sua pesquisa em autores franceses; num recorte em meu caderno de receitas, extraído da revista Estilo Zaffari de nem-lembro-quando, há a sugestão de agregar o Tapenade para acompanhar  a salada...num livro sobre massas, a ideia de uma versão que usa massa (Fusili tricolor) no preparo.

 Numa baguncinha de tantas páginas sobre a mesa, comparo ingredientes, ideias, apresentações, curiosidades...E vou agregando, em meu hábito de pesquisa culinária, aprendizado vivido pelo caminho.

 O estudo da obra de Elizabeth David tem sido riquíssimo neste sentido, pois ela fundamenta seus relatos com a história e o percurso das receitas e de seus criadores, traz a data e a referência bibliográfica da informação, leva o leitor com ela em seus trajetos...Fiquei com vontade de fazer o mesmo, e ousei ler o capítulo de saladas nos vários livros de cozinha que tenho em casa, de uma gama ampla de autores. Com isto, verifiquei o que ainda devo buscar em livros que não tenho, o que preciso aprimorar nas pesquisas, o quanto de informação importa para o propósito final: a partilha das dicas aqui no Blog...

Por hoje, trago minha leitura da receita de Elizabeth David, que faz uma ponderação válida, bem coerente com a filosofia do Slow Food: os ingredientes dependem da estação e de quais estão disponíveis (no território)...mas ovos duros, filés de anchovas, azeitonas pretas e tomates, com alho no tempero, são elementos bem constantes naquela que deve ser, em essência, uma salada rústica do campo, misturada de um modo 'espontâneo', sem métrica.

Coloque as folhas verdes na sua travessa de salada; acrescente 2 ovos duros, cortados à metade,  2 tomates bem firmes, cada um cortado em 4 partes, 6 filés de anchovas, em torno de 8-10 azeitonas pretas e, se você gostar, algumas alcaparras. Apenas na hora de servir a salada,  misture o tempero: use o azeite de oliva mais frutado que você conseguir, vinagre de estragão, sal, pimenta e um dente de alho amassado. Cabe a você escolher outros ingredientes: atum, feijões, pimentas em fatias finíssimas, beterraba, batatas, corações de alcachofra. Tudo depende do que será servido depois, como prato principal.

A autora escreve que esta salada, de origem em Nice, na França, é sempre servida como Hors D´oevre (entrada). Na receita apresentada pela revista Estilo Zaffari, há  referência a esta receita como uma salada ótima para o verão, por ser bastante substancial, apesar de servida fria. Sou totalmente de acordo! Para mim, saladas como a Niçoise são receitas que caem muito bem numa mesa veranesca, na qualidade de prato principal: por sua composição, pelas cores e aromas, pela força dos ingredientes (nada mais, nada menos do que anchovas, ovos, alcaparras, azeitonas...).

Cebola (Picada e escaldada), tomates em cubos, pepino fresco, pimentão vermelho, cebolinha, manjericão: alguns dos ingredientes possíveis na receita da Salada Niçoise, que podem contribuir com a atmosfera refrescante  à mesa, que o verão inspira !

Ainda, a adaptação do preparo com massa (Fusili Tricolor) é uma boa ideia para quem aprecia saladas que levam massa: a meu ver, neste caso, o toque fica por conta da originalidade na modificação de um clássico. Conto mais sobre esta versão, em breve, pois a ideia reforça nossa conversa sobre as criações na cozinha: conhecendo os ingredientes e seus usos possíveis, temos em mãos um infinito de receitas a explorar...! 

Bom Proveito!

Com carinho,
Betina

Referências:
- 'Hors-dóevre and salads', em  'French Provincial Cooking', Elizabeth David, Grub Street, 2007.
-Revista Estilo Zaffari (recorte do meu caderno de receitas-sem data)
-'Pasta- más de 100 irresistibles recetas'- Parragon Books Ltd. 2011



domingo, 19 de janeiro de 2014

Nosso Mascote: ganhando identidade!

 Olá!! Este é o bonequinho simpático que ganhei de uma amiga e leitora do Blog, para acompanhar meus livros de cozinha! Coloquei-o, de imediato, na estante onde estão alguns dos meus favoritos para leitura do tema atual: saladinhas e entradas de verão!

Virou nosso 'Mascote', trazendo ainda mais alegria para a biblioteca de cozinha do "Serendipity in Cucina"!

Qual seu nome? Como ele é nosso mascote e tão pequenino, que tal 'Serendipíto', com a tônica no 'pi'?

Ou 'Cucinito'?

Em votação...! :)

Com carinho,
Betina

Um presente para o 'Serendipity in Cucina': nosso mascote!















quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Criar se aprende...criando!

E então, aqui estamos! Segunda quinzena de janeiro, verão instalado no Hemisfério Sul, dia lindo em Porto Alegre...Pela semana corrida, consegui voltar hoje ao Blog. E venho conversar sobre 'saladinhas', tema propício para a estação.

Abrindo vários capítulos sobre saladas em livros de cozinha, ou mesmo folheando obras só deste campo, penso que o mais importante de nossa conversa não seja que verduras e legumes usar, quais frutas escolher, se este ou aquele ingrediente combinam, e por aí vai...porque há tantas variáveis culinárias e culturais que nos perderíamos na charla. Meu ponto é: o que agrega criatividade nas saladas? Como usar nossa capacidade inventiva: nas combinações? nos adornos? nos temperos? no preparo delicado da mesa? Decidir o que fazer é uma questão de gosto, e o universo de receitas possíveis é tão vasto que não faz sentido dar ideias de 'salada disto' X 'salada daquilo'...O ideal, me parece, é refletirmos sobre os recursos que temos na feira, no supermercado, nas delicatessens, na horta de sacada e na nossa própria despensa: o que podemos criar para dar um toque especial, único, para a receita? Um toque nosso, 'marca registrada'? 

Não é à toa que esta postagem segue aquela sobre o 'olhar estrangeiro' nos mercados da cidade que habitamos, do bairro em que vivemos. Praticar o 'olhar curioso' é um treino diário, muito estimulante! Logo, logo, temos o 'click' de cores combinantes dos alimentos, de cheiros que, juntos, têm sinergia, de texturas crocantes e macias...A partir da observação, aprendemos a ficar atentos a detalhes nos ingredientes, e é este o ponto: a criatividade fica mais intensa, temos um 'vocabulário' maior para usar em nosso idioma culinário. Do mesmo modo, abrir livros de receitas, dos mais antigos aos mais modernos, como uma prática rotineira, nos dá o alicerce de o quê costuma ser combinado com o quê, de quais molhos valem para as saladas, e assim por diante...

Criar é uma delícia, mas não é um ato aleatório: temos um arsenal de ferramentas que vamos adquirindo por nossas vivências de cozinha e, quando menos esperamos, vem o 'plim' que dá uma luxúria aveludada no molho para nossa mais nova salada...Experimentar hipóteses, errar e acertar, arriscar misturas e sabores, treinar o olhar curioso...todos são elementos do aprendizado de um 'idioma' que vamos falar fluentemente, praticando na rotina, nas visitas de amigos, nos finais de semana, nos almoços rápidos na azáfama de um dia corrido. Aprendendo a criar, todo momento é uma possibilidade para nova receita!

Bom proveito!

Em breve, alguns pontos que podem ajudar nas criações...!

Com carinho,
Betina

domingo, 12 de janeiro de 2014

Faz sentido?

Em viagem, passeando na feirinha local...
...com "olhar estrangeiro"

E por falar em vegetais da estação, produtores locais, 'Slow Food' e coisa-e-tal, aqui vai uma dica...quando tiver tempo livre, vá até uma feira de sua cidade, ou mesmo ao supermercado, com olhar 'estrangeiro', como se fosse viajante, e até falasse outro idioma. Tudo ali é novo, as frutas, legumes e verduras, ervas, especiarias, batatas, cogumelos, tudo. Leve uma caderneta em branco. Então olhe, num primeiro instante, com curiosidade, como se nunca tivesse visto aquele alimento. Anote a impressão. Explore com os olhos, toque as texturas, descubra os sons e os silêncios, as cores e formas...registre, se preferir, neste ponto. Ou deixe para depois, usando a memória...anote o nome e o sobrenome de cada dito-cujo, 'Alface-Crespa, Pimentão-Vermelho, Repolho-Roxo"...Como se nunca tivesse visto, de verdade.


E o "olhar local", no Mercado Público de Porto Alegre


 Se tiver ideias para novos pratos, escreva. O mais importante é vivenciar o conhecido como estranho a nós, como a primeira visita ao mercado de um lugar novo, para realmente absorver tudo o que há para ser explorado, desvendado por uma receita. Para realmente perceber os ingredientes em seus pormenores. Para aproximar-se do 'estranho' como desafio. Aliás, pelo Dicionário Houaiss, a etimologia de estranho é "at. extranèus,a,um 'que é de fora', de extra; ver estranh-; f.hist. sXIII estranho, sXIII estranno, sXIII extraneo, sXIII estrayo, sXIII extranyo". Em uma das acepções da palavra, significa "que ou o que é de fora, que ou o que é estrangeiro"; em outra, "que causa espanto ou admiração pela novidade; desconhecido, novo".

Chegue em casa, tente desenhar os legumes, as verduras, as frutas, do modo como se lembra deles, construindo seu próprio glossário, fazendo de conta que está descobrindo uma nova linguagem.

E está.

Quando fazemos isto, nos aproximamos com intimidade daquilo que escolhemos como alimento, e nosso campo de impressões, memórias, ideias e sabores aumenta muito: nos apropriamos mais de nosso paladar, do que gostamos ou não...Podemos descobrir um alimento que nunca nos chamou a atenção, por despertar para ele. É mais fácil realizarmos este processo em um local estranho, desconhecido, porque é quando estamos sedentos pela novidade; em nosso território, muitas vezes, seguimos o cotidiano algo anestesiados, nem percebendo nuances da rotina, das compras, das verduras na prateleira da venda que fica a duas quadras de casa...Em viagem, inundados pela curiosidade, na ânsia pelo inusitado, tocamos em cada coisa como uma criança descobrindo o mundo; no entanto, não o fazemos, em geral, na feira ou supermercado de sempre.

Fotografe, faça Zoom, como você talvez se permitisse se fosse um turista e estivesse ali a passeio.

E está.

Pelo corre-corre, os detalhes de nossas compras rotineiras nos escapam; de um modo semelhante, deixamos de perceber sabores e de nos agradar mais deste ou daquele alimento, simplesmente porque, tantas vezes, não prestamos atenção no que preparamos, no que comemos. Ao realizarmos este 'novo olhar', na feira ou no mercado local, ampliaremos não apenas nosso cardápio de possibilidades culinárias, mas também nosso cardápio de percepções, de exploração sensorial, de linguagem, do prazer de degustar o que nos apetece...Ampliaremos nossa capacidade de vivenciar o fenômeno do sabor, uma 'obra' de autoria totalmente individual, pois depende de nossos registros sensoriais, cognitivos e emocionais. E então descobriremos mais um pouco de nós. E acrescentaremos mais elementos ao nosso campo de sentidos.

Faz sentido?

Bom domingo!!!

Com carinho,
Betina




sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Minha 'Bagna Cauda' de verão: nova mesa de alegria!

Pois estou num desafio, pensando nas propostas de cardápios de verão...Em 2012, contei aqui no Blog sobre a 'Bagna Cauda', algo que considerei mais do que um sabor especial: um ritual de partilha entre os comensais!

"(...) É uma tradição do Piemonte, região italiana, originalmente chamada  'Bagna Caòda'. Conta-se que no passado, no Medievo rural, os camponeses da região, instintivamente, faziam um agradecimento pagão às forças da natureza: através do ritualístico preparo de uma receita tão 'singular e diversa', mantinham sua tradição. Ligavam a realização do prato com um conjunto de manifestações que, pelo que entendo, representavam um encontro de alegria à mesa"*

Seguindo no texto, que escrevi nos frios de 2012, algo me fez pensar...
Leio o trecho em voz alta...

"Então, não é uma experiência de se consumir com pressa, desatenção ou entre poucas pessoas; merece, isto sim, uma refeição longa e festiva, em que desempenha o papel de prato único, completo. Em uma 'panelinha' de barro, aquecida em chama contínua (o fojòt, também usado no Fondue), serve-se uma espécie de molho, composto de anchovas, alho, manteiga, azeite de oliva extravirgem e creme de leite fresco. E ali se embebe, alegremente, verduras e legumes coloridos, espalhados sobre a mesa- alguns crus, outros cozidos-, acompanhados de muitos pães e ovos, em uma pitoresca combinação entre ordem e desordem. É uma deliciosa receita para ser compartilhada nos dias frios!"*

O desafio? Está na ideia de aproveitar-se, no verão, a alegria da partilha e a pluralidade das verduras e legumes coloridos, a 'pitoresca combinação entre ordem e desordem', o 'agradecimento pagão às forças da natureza'...Mas como fazer esta adaptação? Afinal de contas, o 'ritualístico preparo de uma receita' como esta, com tradição indiscutivel, envolve ingredientes densos, fortes, 'quentes', e um modo-de-fazer que em nada combina com o verão. Desistir do projeto? Nem pensar...

E mirabolei, mirabolei...mirei nos ingredientes: o que ali é essencial para manter o cerne da receita? A meu ver, o alho, as anchovas e o azeite de oliva, desde que 'formatados' com outro composto que dê a consistência cremosa da 'Bagna Cauda'. Ênfase aqui: esta consistência é fundamental para banhar os vegetais! Queria, então, um preparado que tivesse os ingredientes e a função deste prato ritualístico - a partilha festiva em torno da mesa - mas que deixasse de lado sua personalidade invernal. 

Fiquei me perguntando, nos últimos dias, o que considero nuclear na tradição da 'Bagna Cauda', pensando no fato de esta festa representar um agradecimento pagão às forças da natureza: para mim, são as verduras e os legumes crus, crocantes e viçosos que mergulhamos no molho, junto com pães e ovos. Neste ponto está o agradecimento , principalmente. E há a partilha alegre em torno da mesa, a 'bagunça feliz' de todos desfrutando, juntos, do resultado das colheitas, celebrando em amizade o trabalho realizado e e os presentes ofertados pelas plantações. Então- pensei eu- o que deve ser mantido é o foco nestes pontos essenciais: os legumes e verduras para banhar no molho, quanto aos elementos, e a partilha, quanto ao propósito de celebração e gratidão. No entanto, não se pode perder de vista que os ingredientes da receita da 'Bagna Cauda' também são parte essencial do contexto; se fizermos outro molho, será outra história. E não é o que desejo. Quero manter a anima do prato, excluindo dele sua essência invernal, adaptando-o sem que perca sua identidade. Difícil...

Então, reuni o alho e as anchovas, formando uma pasta, acrescentei o azeite de oliva e- aqui entra a invenção- as raspas e a espremida de um Limão Siciliano, para o toque veranesco. Misturei os ingredientes. Para o toque cremoso, necessário  à receita, mas com a leveza e a temperatura apropriadas para o verão, usei o Iogurte Grego, mais denso, e mais uma vez misturei o conjunto. Pitadinha de sal e de pimenta preta, a gosto. Para dar 'corpo' ao prato, acrescentei um iogurte natural de qualidade mais líquida, que unificasse o 'banho' dos vegetais, sem tirar sua cremosidade, apenas tornando mais leve a consistência. Servi em temperatura ambiente. Bom, pode-se até dizer: é um 'dip', como se chamam em Inglês os molhos com esta função, mas num recipiente maior.

Apresentei minha invenção em uma bela cumbuca colorida, no centro da mesa, e, em torno, os cruditès- legumes crus-, as folhas verdes e os pães de toda sorte, espalhados em copos e pratos de cores diferentes...Mantive o clima da 'ordem-desordem', da exuberância da natureza sendo homenageada, mas o personagem principal foi o verão, ao invés do inverno.

Uma ideia contemporânea para esta apresentação, seguindo os princípios da filosofia do 'Slow Food', é o conhecimento dos vegetais frescos, próprios da estação e de cada localidade, vendidos na feira pelos produtores locais. Assim, fazemos o preparo ritualístico de agradecimento, seguindo o respeito à produção regional e ao que a natureza nos oferece em cada estação e em cada território.

Acima de tudo, este desafio visa a manter a 'mesa de alegria' que caracteriza a 'Bagna Cauda', com amigos conversando e rindo, saboreando e brindando!!!!!

E viva a partilha!!!

Bom proveito!

Com carinho,
Betina

* Trechos de "A 'Bagna Cauda': uma mesa de alegria!", em "Pequeno Alfarrábio de Acepipes e Doçuras", pg.122. Betina Mariante Cardoso. Casa Editorial Luminara, Porto Alegre: 2012.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Na cozinha, o espírito do verão!!!

E sobre a cozinha de verão, o que mais tem me despertado é a necessidade de prestar atenção a detalhes que podem dar o toque de frescor, até mesmo às refeições cotidianas...uma boa marinada para as carnes e peixes, o uso das ervas frescas, o 'Dressing' das saladas- que não à toa tem este nome, em Inglês. Podemos escolher verduras e legumes parecidos durante a semana, temperá-los com leveza, e no final de semana 'vesti-los' para almoço ou jantar festivo com um molho refrescante e inusitado. Podemos utilizar manteigas temperadas nos preparos...Ou que tal capricharmos na elaboração de pastinhas (Dips), para servir com legumes crus (Cruditès) , aproveitando sua crocância? 

Por exemplo, cito o "Tapenade", receita de uma pastinha de origem provençal, que leva alcaparras, anchovas, azeitonas, alho e azeite de oliva, misturados no pilão ou no processador de alimentos. Pois, numa mesa veranesca, vale um Tapenade adaptado (usamos folhas de manjericão fresco e as raspas e o suco de meio limão, mantendo-se as azeitonas pretas Azapa e deixando de lado as alcaparras- tornando-o, assim, um 'Olivade'). Esta mistura fica refrescante e combina muito bem com os Crudités...

Acima de tudo, a palavra é 'improvisação': um fazer culinário leve, lúdico, que seja refletido em nossas comidinhas criadas ao sabor do momento, sem muitos planos e projetos. O verão é, por si, uma estação mais solta, e nossos quitutes podem seguir este traço, com criações que não nos tomem tanto tempo da praia ou da piscina...e o próprio saborear é mais solto, comemos menos e, muitas vezes, o que 'dá na telha', sem muita elaboração prévia. Entonces, além de priorizarmos os alimentos da época, no mercado ou na feira, minha dica é de levarmos, para a cozinha, também o espírito leve que o verão nos oferece...e criarmos saborices, com o que temos na despensa, na geladeira e no jardim...pra completar a atmosfera, um ventinho que sopra, manso, na mesa que montamos no pátio...

As palavras-chave? Para mim, improviso, criação e leveza.

Bom Proveito! 

Com carinho,
Betina

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O 'onde' no cardápio...! Qual o seu?

Ingredientes da estação, comprados numa manhã de sol, 
para o almoço em casa...
Um almoço no pátio ('Alfresco'), no domingo, 
embaixo das árvores...
Um piquenique na cidade desconhecida...

Aqui, cenários para  compor um almoço de verão...Porque, além do cardápio, o 'onde' é também essencial na atmosfera que desejamos criar...

Um almoço em casa, um piquenique fora de hora, ou uma reunião de amigos, com a mesa no pátio? Claro, temos vontades diferentes: para dias mais contemplativos, aqui; para outros mais vibrantes, acolá...
Com o tempo, criamos nossos cenários favoritos, nossos 'templos de lembrança', onde vamos buscar inspiração para arrumarmos a mesa, num dia especial...
 e sabemos, no íntimo, qual convergência entre lugar e sabor nos fará felizes, quando acordamos num sábado de sol.

Nosso 'onde' faz parte do menu que queremos degustar...!

Qual seu 'onde' predileto?

Com carinho,
Betina





segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Lendo sobre a [Cozinha de Verão], de Elizabeth David...

A leitura da obra da ensaísta inglesa Elizabeth David nos convida a viajar aos destinos que percorreu, aos mercados onde esteve, aos lares por onde passou, em muitos países. A escritora levou a cozinha do Mediterrâneo, da Itália e da França para seu país, para seu idioma, e fez com que ingredientes até então desconhecidos por seus conterrâneos passassem a ser adquiridos, de tão famosos os relatos...Foi uma ensaísta de culinária, sim, e exímia...mas vejo, em seus textos, sua observação a detalhes, a nuances nas paisagens e nos alimentos; vejo seu empenho em trazer notícias de suas pesquisas, pormenores da História daqui e dali, levando o leitor pela mão, para que 'enxergue' suas descrições com os próprios olhos. Sim, esta é a sensação que tenho, de que fui ao mercado e vi todas aquelas cores e formas que ela 'mostra' em palavras. Enfim, o trabalho é fabuloso! 

Lendo a parte de Cozinha de Verão, me deparo com situações inusitadas, como o capítulo em que ela sugere os improvisos possíveis e necessários na culinária, quando vamos a um final de semana de verão em uma casa que não a nossa: que ingredientes levar? De que detalhes não podemos esquecer, ao chegarmos em uma cozinha que nos é estranha? Como termos sucesso improvisando pratos, para que saiam apetitosos e bem apresentados? Além destes pontos,  cito a referência aos piqueniques, ao uso apropriado das ervas e especiarias no verão, aos livros pesquisados e devidamente registrados...

A leitura de suas viagens transcende a informação sobre os resultados da comida ou o próprio 'como-se-faz': trata-se, a meu ver, de uma expressão belíssima de seus percursos, de sua sensibilidade ao perceber a luz de uma feira pela manhã, ou de sua ousadia em 'harmonizar' omelete com vinho em um ensaio bárbaro, que lhe rendeu o nome de um de seus melhores livros, "An omelette and a glass of wine". Além disso, a autora nos comunica, nos idos de 1955, noções que hoje vemos associadas, muitas vezes, à filosofia do 'Slow Food', como a importância de aproveitar os alimentos da estação e do local, e a necessidade da valorização do produtor dos ingredientes que compramos, a força do local e do sazonal na cozinha que praticamos.... traz, também, o amor às panelas e àqueles para quem cozinhamos, elemento essencial do fazer culinário com prazer e qualidade.

O livro, com certeza, ultrapassa a qualidade de um receituário gastronômico, chegando mais perto de uma obra no campo da escrita de viagens, de experiências vividas a pleno pelos 5 sentidos...

Para conhecer uma das obras, os 'Clássicos' de Elizabeth David ('Elizabeth David Classics'), 
clique aqui!

E bom proveito! Ainda há muito a explorar destas riquezas!

Com carinho,
Betina


sábado, 4 de janeiro de 2014

Uma conversa leva à outra....Doces Antigos e a Cozinha de Verão!




 E foi no que deu minha produção de doces antigos aqui em casa, neste final de ano. Era figo pra cá, abóbora pra lá, açúcar espalhado desejando sorte, panelas, brumas de poções misturadas à colher-de-pau...
Confesso: fiz 'releituras' à minha moda, com Vinho Madeira e Noz Moscada na calda do figo; conhaque, pimenta-preta e raspas de laranja, na calda da abóbora...Se a Vó Léia visse, não sei o que diria dessas pitadas de ousadia nos doces caseiros tradicionais, mas ela também, a seu modo, era inventadeira...

Eu quis mesmo foi dar minha assinatura, com toques que caracterizam meu comportamento culinário: a intuição/improvisação, a vida das especiarias, a 'Serendipity'...ao mesmo tempo, procurei manter as formas e consistências que via em muitos doces da Vó: os cristalizados, as chimias...assim, fiz minha homenagem à memória culinária que ela construiu e que hoje me habita, mas ousei em colocar um pouco de mim, ali, como na foto da figada com o queijo Brie e o detalhe do figo cristalizado, compondo o 'traje'. 

Fiz fotos de todos os tipos, para mostrar as tantas perspectivas e horizontes que nos dão os ingredientes, e deixo para cada leitor sua leitura, suas ideias e mudanças, seu toque de doce 'à moda de...', como diziam os receituários de cozinha de antigamente.

Há receitas a contar. Há detalhes, pitadas e, vezes, mancheias a refletir sobre o 'como-se-faz' dos doces e de suas aberturas para inovações, sempre respeitando os ingredientes disponíveis na estação. 
Aos pouquinhos, vamos conversando...

________________________

No momento, estou  na pesquisa dos textos da inglesa Elizabeth David sobre a cozinha de Verão (de seu livro 'Summer Cooking') e adentrando outras de suas obras, escritas, em sua maioria, na metade do Século XX. Incrível como, naquele tempo, ela já trazia noções tão plenas do que hoje em dia sabemos, como a importância da escolha dos vegetais, legumes, ervas e frutas de cada estação no preparo dos alimentos...a necessidade de uso dos ingredientes frescos, puros, dentro do possível, para nosso fazer culinário...a força da inovação, da flexibilidade para criar e fazer diferente uma receita, quando não dispomos do elemento descrito... Ou o desafio da mudança, simples assim, para treinarmos a quebra de paradigma nas combinações (esta carne com aquela erva, por exemplo; este vegetal com este preparo e não com outro...), e por aí vai...Em suma, nas mesas veranescas, o que faz a diferença é o toque de frescor dos alimentos, a Natureza nas cores e aromas, a inovação no modo de apresentar os pratos, sejam quentes ou frios. O que importa mesmo, segundo minha leitura de seus ensaios, é que possamos trazer o verão para a mesa por nossa abertura às possibilidades, pelo respeito à estação e ao potencial de cada ingrediente.

Coincidência ou não, voltamos ao primeiro tema do post de hoje: o múltiplo proveito de frutas disponíveis na estação, para criar os doces...

Estou ainda no começo da pesquisa...Há muito o que contar, refletir, criar...

Com carinho, agradeço a visita ao Blog!
Betina








sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Aprendendo Italiano na mercearia...

E falando em aprender idiomas de um modo prazeroso, conto uma passagem peculiar da minha história...Uma das primeiras experiências que tive com o italiano ocorreu em uma mercearia de Roma, em fevereiro de 1997, nas férias daquele ano. Estava na cidade, entre um passeio turístico e outro, com o grupo da excursão, e não haveria jantar naquela noite- coisa de 'cada um por si'...e havia a fome e o cansaço, depois de um dia todo caminhando por cidades vizinhas. E havia a mercearia, em frente ao hotel, com seus pães, salames, queijos, tomates e aromas intensos. Eu não sabia o nome de nada, exceto do 'pane', claro...e percebi, naquela ocasião, uma bela oportunidade para me avizinhar da língua.

Comecei a perguntar ao senhor no balcão, tentanto um dialeto improvisado e com o dedo apontando para as direções... 'O que é isto?', 'e aquilo?', 'qual o nome disto?', 'e aquele ali?'...a cada resposta sua, eu repetia a palavra, para gravar na memória...lembro até hoje: o tal senhor bradou, já impaciente, num som cavernoso e firme, 'Che voglie, Signorina?????????', acabando com minha remota expectativa de aula e apressando meu paladar indeciso. Certo, ele! Não estava ali para me ensinar nada, e, embora não houvesse nenhum cliente atrás de mim na fila, ele não estava ali para perder tempo. Eu, sim. Em férias, todo tempo é válido para uma vivência inusitada, e de fato a mercearia me pareceu um ótimo lugar para começar as bases do Italiano...afinal de contas, haveria lugar mais propício do que entre pães de casca crocante, azeites em vidros altos, queijos fortes e fiambres avermelhados???

Pois foi ali que ensaiei meu caminho pelo idioma. Acho que o italiano sempre terá aquele cheiro, pra mim...!

Agora, sigo nossa prosa sobre as comidinhas de verão!!

Até breve!

Ciao!!!!

Com carinho,
Betina


Comidinhas de verão: notícias e reflexões...

Olá!!!

Em dezembro, o propósito do Blog era dar sugestões de entradinhas para as festas de fim de ano, que percorrem o mês, em geral. Tive a oportunidade de participar um Happy Hour na casa de amigos, tendo feito alguns acepipes para a comemoração, e compartilhei por aqui. Bom, chegado Janeiro, o cenário muda, o verão se instala dentro e fora de nós, e o estado de espírito quer ingredientes leves, frescos, coloridos, saudáveis...Seguimos encontrando amigos, brindando, fazendo as refeições ao ar livre, servindo petiscos que combinem com a estação...Assim, decidi que além das entradinhas leves, que eu já vinha pesquisando em livros e blogs de cozinha, vou também buscar ideias de saladas propícias. Vegetais e frutas são ótimos nesta época, até mesmo como refeição principal, porque contemplam a leveza e a saúde que o verão requer. É importantíssimo lembrar, também, a necessidade de ingesta de líquido (água, sucos), para manter o organismo hidratado, coisa que, no calorão, é chave. 

Já separei alguns livros como referência, entre eles o "Summer cooking", [ Cozinha de Verão] da renomada ensaísta inglesa Elizabeth David, que dá dicas ótimas nas receitas e no estilo das refeições apropriadas: ingredientes, apresentação da mesa, etc. Outro livro com sugestões muito boas é o "Urban Picnic", 
[Piqieunique Urbano] de dois autores canadenses: as dicas de quitutes fáceis de fazer, de embalar e de servir são fenomenais-e necessárias- para as comidinhas de verão. E por falar nisto, esta é uma boa época para comidinhas ao ar livre, embaixo de uma árvore, em volta de uma mesa ou sentados sobre uma toalha de piquenique. O verão apetece essas mirabolâncias!

Outras referências vou passando durante o período, mas aproveito para contar um dado interessante...

Há pouquíssimo tempo, ganhei de uma amiga um livro de cozinha, pequenino e muito proveitoso, em francês. Sabendo pouquíssimo do idioma, resolvi tomar o presente como desafio, e comecei a trabalhar no aprendizado, pouco-a-pouco, colhendo vocabulário e procurando conhecer novas frases, léxicos, e por aí vai...Encontrei outros livros de cozinha em francês, em casa, e comecei a explorá-los, também. Um deles, de especiarias; outro, de entradinhas; outro, ainda, de doces e sorvetes. É claro que, do ponto de partida em que estou, tudo é muito incipiente, mas refleti que a aproximação a um idioma pode acontecer com prazer quando está aliada a um tema de nosso gosto e com o qual temos familiaridade. 

Muito do processo de conhecer a língua está sendo pictórico, através de fotografias dos pratos e instrumentos, e através  de programas de televisão que relacionam Gastronomia e Viagens, apresentados na televisão francesa. Confesso, entendo pouquíssimo, mas, conhecendo os ingredientes e alguns termos específicos, já é possível compreender um pouquinho do que é dito nos programas.  Buscar fontes em culturas e idiomas diversos amplia o horizonte de nossa vivência culinária, pois passamos a ter acesso a receitas e dicas ainda sem tradução; para mim, isto é fundamental, sou uma curiosa nata. Entretanto, considero esta ampliação muito importante aqui pro blog, já que, vizinhando outro idioma, aumento nossas chances de conhecermos receitas, dicas e ideias novas na culinária e no prazer à mesa de outros países.  Meu primeiro passo está sendo construir um glossário, com os termos que vão surgindo. No meu sentir, a aprendizagem associada a um foco de prazer em nossa vida é muito mais apetitosa e, inclusive, facilitada: ficamos mais permeáveis, mais abertos, quando o tema através do qual estudamos é prazeroso e aplicável em nosso cotidiano. O desafio torna-se lúdico!

Então, começo em breve com receitas de saladinhas, algumas delas no livro de 'Entradas', em francês, que ganhei há anos e que pouco aproveitei...E este é um dos maiores benefícios do Blog, o estímulo a procurar o novo, a descobrir estradas diversas para os próximos escritos. No fim das contas, o objetivo de aprimorar a comunicação e a partilha é o que me move, post a post, a conduzir o 'Serendipity in Cucina' em seu trajeto.
Esta motivação enriquece a troca com os leitores, me instiga a aventuras por novas rotas...Agora, além das entradas, trarei também o uso criativo e saboroso de vegetais e frutas!

Vamos lá?

Com carinho,
Betina

                                

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano Novo: sugestões de preparo!!! E Bom Proveito!

Assim recebemos o Ano Novo: delícias em potencial...
...e a esperança de que o ano dê certo!
E precisamos trabalhar no potencial, ainda cru, de cada possibilidade,
 de cada dia...E esperar que o resultado aconteça, pouco-a-pouco...Nesta etapa da receita,
é necessária a paciência...
Vemos os processos ferverem, o aroma tomar conta da casa,
o aspecto do 'potencial' tornando-se real...Alguns giros da colher-de-pau,
pra sentir o ponto do doce, da calda...Atenção a cada passo da receita,
no correr da elaboração...
Chegando ao final, a maior parte do processo está pronta,
nossas esperanças encontrando suas respostas...
...Ficam prontos, e percebemos: ainda que haja diversos fatores que contam no resultado final, o mais importante é nosso trabalho em cada potencial do ano, o essencial  é a atenção que dedicamos a cada dia, em seu preparo.
 É preciso estarmos ali, presentes, para chegarmos à realização das expectativas.
Observarmos cada dia em suas particularidades, seu aspecto, sua textura, seu aroma...
Percebermos o que oferece, o que dele podemos aproveitar...
Percebermos que foi feito por nós...Cada dia, em especial, é de autoria nossa. Considera-se, claro, temperatura do fogo, quantidades e proporções dos ingredientes, tempo de maturação de nós mesmos,
a cada dia, semana, mês...
Quando vermos o resultado, precisamos constatar: somos nós, ali, por trás de todo o processo.
...Somos nós os autores de cada dia nosso...
Podemos preparar nossos dias como desejarmos, e partilhar nosso resultado...
Partilharmos mais de nós mesmos, em nosso resultado!
...e com aqueles dias que parecem ter passado do ponto, podemos nos surpreender:
se nos propusermos a tentar um caminho desconhecido, podemos atingir uma bela mudança,
com uma nova receita ao final...Bom Proveito!!


 Aos queridos leitores do "Serendipity in Cucina", agradeço muito pela leitura e pelas partilhas neste nosso tempo de um ano e meio de Vida!!! Desejo a todos um 2014 muito feliz, com o proveito do potencial e com as transformações e mudanças de caminho, tantas vezes necessárias...

Vamos lá, agora é 'Mão-na-Massa'!!!!!!!!!!!


Com carinho, 
Betina