quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sabor e Amor: para além da rima

Conversávamos a respeito do fenômeno 'sabor', ontem, nos caminhos do livro "A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin. E lembrei, hoje pela manhã, que certa vez aqui no Blog aproximei, para além da rima, o sabor e o amor. Porque ambos contemplam os cinco sentidos, as emoções e a memória, os sentimentos e nossas reações físicas ao prazer do que estamos degustando ou vivenciando. 

Ainda ontem referi que o autor tem uma forma muito particular de abordar o campo sensorial: ele adiciona um sexto sentido aos cinco estabelecidos, o 'genésico', ou 'amor físico'. É com a multiplicidade de percepções que saboreamos um prato. E é com a mesma multiplicidade que experimentamos a vivência amorosa: o olhar do outro, a sua voz, o toque da pele de quem amamos, o seu cheiro e o seu gosto. Todos os sentidos pulsam para que o corpo registre a impressão como preciosa, e amplie este reconhecimento a vários centros do cérebro e, por conseguinte, do nosso corpo inteiro. O corpo passa a amar, e neste sentido é muito enriquecedor ler que o ilustre gastrônomo Brillat-Savarin, nascido em 1755 e falecido em 1826, já compreendia o amor físico como parte dos sentidos. E esta é a magia da semelhança entre os elementos 'amor' e 'sabor': há o componente perceptivo, sim, mas há, nos dois, a relevância indiscutível da emoção e das lembranças. 


Muitos de nós temos, num estalar de dedos, a memória de um doce que só uma avó ou tia executava com perfeição, ou o registro de um prato que saboreamos numa ocasião de encontro amoroso ou com amigos muito estimados. São circunstâncias que restarão em nós para sempre: quando evocarmos esta ou aquela receita, de imediato estará vivo em nós o momento em que saboreamos a textura do alimento, sua temperatura, seu gosto e cheiro, o som de sua crocância ou o silêncio de sua maciez. No entanto, estes aspectos adquirem significado apenas quando aliados à emoção associada a eles. Por quê? Bom, é um conjunto de fatores que nos faz vibrar  com uma "Lasagna al Sugo', para além do 'como-se-faz', dos ingredientes do molho, do ponto 'al dente' da massa. Eu diria que o processo é anímico: não é só a textura, o apimentado, a temperatura do prato, não é só o som do alimento à mordida ou só o gosto ou cheiro ou as cores dos legumes: importa o que o sabor nos faz sentir. Por isto, ontem referi que, para mim, ele é o sentimento pela comida. E é neste ponto que percebo sua existência como vizinha ao amor: há o teor físico imprescindível (equivalente à matéria alimento, no que tange ao sabor), mas o que conta, o que o torna amor, é vivenciado no campo emotivo:  aqui, importa o que o outro nos faz sentir. 

Do ponto de vista neuroquímico, há muito a contar sobre a compreensão atual do fenômeno 'sabor': há um livro maravilhoso sobre isto, de que já falei aqui, o "Neurogastronomy- How the Brain Creates Flavor and Why it Matters" (Gordon Shepherd, 2012). Em Português, "Neurogastronomia: Como o cérebro cria o sabor e por que isto importa". Na obra,  a abordagem neuroquímica caminha lado a lado ao olhar filosófico  de Brillat-Savarin em sua "A Fisiologia do Gosto", e traz pontos interessantíssimos sobre os circuitos cerebrais envolvidos na composição do sabor como experiência e, mais ainda, sobre o papel das emoções e da memória nestes circuitos.




E foi a partir deste estudo que lembrei do livro "La Natura dell´Amore", da psiquiatra e neurocientista italiana Donatella Marazziti, em que esta propõe explicações biológicas para o amor, baseadas em suas pesquisas na Universidade de Pisa. Em seu livro que estudei ao longo de 2006 e traduzi em 2007 para o Português do Brasil, "A Natureza do Amor", muitas são as aproximações possíveis com a vivência de saborear um alimento que 'nos toca a alma'. E este ponto é incrível: em todas as leituras, ainda que com a busca da explicação científica, se percebe a força daquilo que não pode ser explicado em todos os processos, o que fica sublime em nós: a percepção do sentir, que nos liga ao ser amado; no caso do sabor,  este sentir nos liga a uma vivência específica com um prato de nossa memória emocional. Um prato que nos lembra de algo ou de alguém precioso para nós, em nossa história de vida. 

No cerne de todos estes acontecimentos fisiológicos, encontramos este 'sentir' que ultrapassa a vivência sensorial para contemplar nosso campo subjetivo, recheado de emoções, de registros conscientes e inconscientes, de reflexões, de bagagens de nossas experiências. Apreciar um sabor é, por algum motivo, reconhecê-lo como pertencente ao nosso território de prazer, é aceitar que nos 'toca' e integrá-lo aos nossos códigos de "eu gosto disso". Tantas vezes, não há um único porquê, mas a união de diversos pontos. A sensorialidade é, por certo, a ferramenta que propicia que tenhamos a completa vivência do sabor. Interessante é observar que, algumas vezes, os cinco sentidos não dão conta de capturar a experiência: sentimos, mas a força do alimento é maior do que seu gosto, aroma, textura e por aí vai. Porque o significado que atribuímos a tal prato, ou a tal doce, ou a tal quitute, é tão profundo em nós que não há como gostarmos apenas porque os sentidos permitiram. Gostamos porque nos toca a pele, a emoção. Gostamos porque nos toca a vida, nos faz sentir um prazer maior que o físico: o prazer de estarmos vivos para sentir.


No livro "A Natureza do Amor", citado acima, há um trecho da obra [Conversas em Bolzano], do autor Sándor Márai que, no meu entender, traduz muito desta incógnita que é o sentir:

"Devemos nos resignar ao fato de que, se amamos alguém, não é por suas características, por sua beleza ou por seus dotes individuais; amamos tão-somente porque no Universo age uma vontade, cuja real substância não conseguimos entender, que se manifesta de formas sobretudo casuais para que o mundo possa renovar-se na sua perene rotação. É uma força que toca os corações e os nervos segundo critérios inexplicáveis, estimula o funcionamento dos hormônios e obscurece as mentes mais lúcidas. Nós, seres humanos, (...) estamos aqui para compreender esta força misteriosa, embora incapazes de decifrar suas intenções...".

É possível que o trecho valha também para a vivência do saborear as comidas que fazem parte de nossa história, embora em menor intensidade do que a usada pelo escritor em sua expressão sobre a experiência amorosa. Conhecermos mais do que nos 'toca os corações e os nervos segundo critérios inexplicáveis', sejam eles amores ou sabores, faz com que possamos conhecer mais de nós mesmos, e esta é sempre uma oportunidade de renovação.

Nos próximos posts, mais sobre a Neurobiologia do sabor! 

Obrigada pela visita!

Com carinho,
Betina
                          

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sobre "A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin: folheando sabores



Pois a postagem anterior surge de um instante mágico: esperando o almoço chegar, coloquei sobre a mesa uma das minhas leituras culinárias favoritas: "A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin, livro de que já falei algumas vezes aqui no blog. E, quando vi, era a obra que ocupava o espaço de prato principal, posicionada sobre o jogo americano de palha leve. O guardanapo de tecido, um xadrezinho preto e branco, exibia-se de soslaio, na intimidade da mesa posta. Num relance, percebi no conjunto uma harmonia de cores, de sensações, de prazeres. Porque, se a Literatura nos alimenta, isto é ainda mais real quando falamos nestes escritos sobre a fisiologia do gosto. 

O livro é da editora Companhia das Letras, e meu exemplar é de 95. 

O texto nos faz adentrar no cerne de temas alimentares, vezes cotidianos, vezes inusitados, mas todos os capítulos (que o autor chama de "Meditações") são interessantíssimos, por serem uma reflexão apurada sobre o comer, o saciar, o saborear, e por aí vai. 

Fundamental é a leitura sobre os sentidos, de peculiar abordagem feita por Brillat-Savarin. Agora, há também que avançar os olhos para "Do Apetite", "Teoria da Fritura", "Da sede", "Sobre o fim do mundo", "As Damas", "A Digestão", "Da influência da dieta sobre o repouso, o sono e os sonhos", "Mitologia Gastronômica", e tantos outros. Quem folhear o livro, vai se surpreender- e eu apostaria isto- com os títulos e subtítulos, e não poderá interromper o paginar afoito, buscando outros assuntos e seus nomes curiosos. Por exemplo? "Virtude erótica das trufas", Influência da Gastronomia sobre a felicidade conjugal", "Influência financeira do peru", "efeitos da Gastronomia sobre a sociabilidade"...O índice parece, ao menos para mim, o mapa de uma cidade desconhecida que desejo explorar de canto a canto: leio a chamada "Longevidade anunciada aos gastrônomos", e fico imaginando o que o autor terá a dizer de tão único neste quesito. O índice também é como um  cardápio, vamos degustando cada nome, sentindo a vida de cada sabor imaginado, de cada título.

Esta obra é pura filosofia, através dos assuntos da mesa. Na orelha, encontramos: "(..) um elogio à amizade, à moderação, à delicadeza e à elegância, temperado com certa linguagem científica da época e com o indisfarçável prazer da boa mesa e pratos refinados".

E foi, num ato casual e repentino, que deixei o livro ocupar o centro da mesa enquanto o almoço não vinha. Acarinhando as páginas na passagem lenta de uma a uma, percebi que as "Meditações" do autor nos conduzem a percursos mágicos dentro de nós mesmos, e não apenas sobre a alimentação. É a nossa vivência humana na relação com o prazer que está ali expressa, em meu entender. 

Enfim, é uma leitura a ser vivenciada, esta. Com mastigares lentos, saboreantes, gostos reais ou imaginários, consistências muy particulares. E com força anímica para sentir o texto, com sua delicadeza e profundidade.

Depois de ter lido um dos capítulos, meu almoço chegou, e saboreei com demora cada nuance. Acho que 'sentir o sabor' vai bem além da referência aos sentidos presentes no comer: trata-se do sentimento que nasce, em nós, ao degustarmos a refeição também com nossas emoções, memórias, experiências, aspectos envolvidos neste conceito.

Bom, acho que o sabor é, sim, uma forma de sentimento pela comida. E esta obra nos faz pensar sobre isto.


Bom proveito!

Com carinho,
Betina

                     

A leitura como prato principal: "A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bem-vindo, Setembro!


Setembro é mês de almoço no pátio, com amigos de sempre. De piquenique imprevisto. E de ir à feira em chapéu florido, sol ameno. 
É tempo de amor primaverar, amor sereno. Tempo de bolo macio e fresquinho, 
em louça de vó, lanche da tarde. 
De abrir janelas, arejar a casa.
Tempo de flor abrir, ensolarando o jardim. 
É mês de sentar no campo, na toalha amarela, coisa de passar o dia. 
Descanso feliz, celebrante, 
tim-tim. 
Quitutes? À vontade. 
Preguiças, sonecas, risadas, brisas, sucos, sanduíches, maçãs, sonhares. 
Antes, agora?
 Relógios, fora.


 Setembro é todo primavera, 
 Espera, começo. 
Um ventar em sopro, flor-a-flor. 
Mês de sorriso manso, ritmo de dia nascendo, de ideia nascendo, de esperança nascendo. 
De livro nascendo, palavra-a-palavra. 
De amor nascendo, beijo-a-beijo. 
De trabalho nascendo, sol-a-sol. 
De alegria nascendo, dia-a-dia.

 Ah, todo mês é assim. 
E este é setembro, pra mim. 

A todos os amigos-leitores, 
desejo um belo 
Setembro em flor!


Com carinho,
Betina 
















sábado, 23 de agosto de 2014

Sobre o filme 'Chef', de Jon Favreau!!!

Aproveitando o post de ontem, sobre as novidades do período, lembrei de contar do filme Chef, que assisti na semana passada. E, sem sombra de dúvidas, o filme comunica muitos aspectos interessantes.

Como escrevi em minha página no Facebook, 
" é entusiasmante, prende a atenção do início ao fim. E cabe referir a forma sensível e reflexiva com que o filme aborda a relação do personagem com seu filho de 10 anos, além dos temas tão presentes em nossos tempos, como a 'vida multimídia' favorecida pela redes sociais. O filme é vibrante, profundamente atual, com um apelo 'na medida' ao aspecto sensorial, e vale boas risadas! E, claro, traz a Gastronomia como foco de ação, o que também é de grande relevância nos nossos dias. Uma história divertida, dinâmica e afetiva, traz boas reflexões. Recomendo fortemente!!!!".

Pelo trailer, já se percebe  o ritmo do filme: dinâmico, sensorial, afetivo. E profundamente atual! Hoje pensando, o ponto mais forte da obra, o que mais me tocou, foi a relação do personagem, Carl Casper, com seu filho de 10 anos. Percy é um menino com grandes habilidades no uso das mídias sociais, sim, mas com uma capacidade de afeto e resiliência que nos toca a alma. E a melhora no convívio entre eles, a meu ver, é resultado da capacidade do filho:  pouco a pouco, vai ajudando o pai em seu percurso de descoberta: de si mesmo- como homem, como pai e como chef- e do menino, enquanto trilham um percurso em comum, que é a chave da história. Outro ponto alto é a entrega e a permissão para a criatividade, expressa pela função de Casper como chef, ao longo do filme. Fica a pergunta: como estamos com nossa vida, quando não damos espaço ao nosso potencial criativo, nosso espaço 'em branco'? Quem somos quando presos na moldura rígida do previsível, do 'deve-ser-assim-porque-sempre-foi-assim", como ilustram algumas cenas? Deixamos de perceber que a rigidez em uma área acaba intoxicando as demais, nos tornando endurecidos para outros campos de nossa vida? 

E, refletindo sobre todo o conjunto, senti o evoluir do personagem principal, Casper, neste sentido. A sua flexibilização foi tomando uma proporção maior ao longo do filme, coincidente com a melhora na convivência com o filho e na expressão afetiva com este, além de outros pontos. Vale observar o papel da criança nesta modificação: na minha leitura, o menino é o grande agente de mudança nas dificuldades do pai. Criatividade e afeto crescem juntos em Casper, em sinergia, e isto é lindo de ver. 

Há outras vertentes importantes, como o papel do crítico gastronômico na trajetória profissional do Chef, o papel do proprietário do restaurante na restrição de seu potencial criativo, a figura da ex-esposa de Casper e sua participação na relação deste com o filho, a lealdade do amigo e da namorada de Casper em seu caminho, e tantas outras nuances. Vale a pena assistir, saborear, refletir sobre esta obra, com tanto a nos presentear. Porque, além de todos estes fatores, é divertida, dinâmica, aberta, contemporânea, surpreeendente!

Jon Favreau é autor, diretor e ator principal, no papel de Carl Casper. O elenco inclui também Dustin Hoffman, Robert Downey Jr., Scalett Johansson, Sofia Vergara, entre outros.

Bom proveito, espero que gostem!

Com carinho,
Betina

Contando novidades!

Boa noite!!!

Há quanto tempo não conversamos!!! 

Tem sido um ano de projetos de escrita culinária, em desenvolvimento ao longo das estações, com maior ou menor intensidade. Neste inverno, por exemplo, pouco pude escrever, mas retomo hoje nossas conversas. Como o tempo está corrido, meu plano é postar uma vez por semana, pelo menos, assim nos manteremos atualizados, queridos leitores serendipianos. 

Bom, trago novidades! Uma delas é o vídeo da entrevista com o ensaísta americano Michael Pollan, que esteve recentemente na Flip, em Parati. Sou grande admiradora de seu trabalho, e, nesta entrevista, o autor aborda a importância de a família compartilhar a refeição à mesa, algo sobre o que conversamos muito aqui no blog. Vale a pena conhecer seu site, também. 

Dos projetos de escrita vou contando pouco a pouco. Alguma dica? Um deles aborda meus olhares e vivências em uma viagem culinária, feita no início do ano à Girona, na Catalunha. Não se trata exatamente de um guia turístico do local, nem mesmo de um diário viajeiro ou de um caderno de receitas de cozinha regional. Um pouco de cada, quem sabe. Seria, isto sim, adequado chamá-lo de 'Experenciário', um registro sistematizado das experiências que o local me oportunizou...Tudo o que descobri por lá assumiu proporções maiores do que imaginava quando bolei o livro, porque o encadear dos acontecimentos foi mostrando facetas interessantíssimas dali. Inclusive, por ser a província onde nasceu e morou Salvador Dali. A solução, assim, foi ampliar o projeto e torná-lo um terreno de estudo continuado.

 Por que este entusiasmo todo? A província de Girona, e toda a riqueza que conheci por lá em termos de cultura gastronômica, fornece muitos caminhos para a reflexão sobre temas relevantes: a interação entre produtores locais, distribuidores e proprietários de restaurantes, o uso dos recursos da natureza local para a formação de uma Gastronomia plena de identidade, a força do valor atribuído à sazonalidade e à geografia,  na elaboração dos cardápios. Tantas são as vertentes possíveis, que seria impossível realizar um projeto reduzido, a curto prazo. Mais do que um livro, esta região merece um olhar aprofundado de estudo, sendo conhecida, internacionalmente, como uma espécie de Catalunha Gourmet. Nos próximos posts, vou apresentando alguns aspectos e contando das visitas preciosas que fiz por lá.

O outro projeto de escrita culinária está em seu começo, e ainda é cedo para falar sobre ele. Curiosos? Em breve, contarei novidades por aqui. 

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E há outro assunto, desta vez relacionado a Porto Alegre. Sou fã de almoçar no restaurante Le Bistrot, na Rua Fernando Gomes, com suas mesinnhas na rua, sua atmosfera intimista no ambiente interno, sua equipe de excelência tanto na composição dos sabores, quanto no atendimento. Neste período de julho e de boa parte de agosto, em que estive com a mão esquerda imobilizada por uma fratura, pude usufruir do local, com certa regularidade. Uma vez por semana, por motivo de compromissos na vizinhança, almocei ali e tive a satisfação de contar com um grupo de funcionários muito solícitos, gentis e afetuosos no serviço e no contato com os clientes.

Tive a alegria de me sentir muito acolhida por todos. É já de muito tempo que aprecio e frequento o local, mas foi neste período de limitação temporária que seu significado tornou-se mais amplo. Além de um restaurante bárbaro, é um espaço de memórias muito felizes para mim, com amigos e com a família. Em tantos sábados de sol, os almoços no 'Le' foram a grande pedida. No entanto, foi neste período de almoços em solitude, em que precisei contar com a gentileza da equipe para me servir e para cortar os alimentos, que pude 'carimbar' uma identidade afetiva ao local, acolhedora, relacionada ao conjunto entre o espaço físico e a equipe de funcionários. Foram momentos silenciosos, reflexivos, contrastando com outras ocasiões em que partilhei a mesa com amigos, em boas conversas e risadas. Tudo em mais de 10 anos!

Ontem recebi a notícia de que o restaurante ficará fechado nos próximos dois meses, por motivo de reforma, e que os almoços serão transferidos para o Constantino, ao lado dele. Neste período, me contaram os funcionários, o cardápio será de pratos ligeiros, servidos à mesa, e não mais o bufé que caracteriza os almoços no Le Bistrot. No final de semana, haverá pratos especiais, diferentes do perfil da semana, me contaram.

A surpresa veio com sabor de 'boas novas': os pratos terão uma característica de serem adequados ao público, que em geral trabalha nas redondezas e deve retornar às atividades sem demora: um menu desenvolvido para atender as demandas dos comensais. Finda a reforma, será avaliado o retorno dos almoços ao Le Bistrot. Por enquanto, a mudança definitiva me pareceu uma incógnita, mas, sem sombra de dúvidas, será uma mudança benfazeja. O Constantino é excelente, conta com um pátio encantador com mesas ao ar livre, e tem ambientes muito aconchegantes. E a equipe, parte pulsante e pró-ativa do Le Bistrot, estará ali, com sua gentileza e sorriso pronto no rosto para atender os clientes. 

Os almoços no Le Bistrot estarão em vigência até fins de agosto. A partir de 01 de setembro, o Constantino assume o posto!

Por hoje, são estas as notícias! 


Com carinho, e até breve, 
Betina








quarta-feira, 14 de maio de 2014

...e por falar em sabores: releituras possíveis!

Depois do texto de ontem, sobre os registros de sabores em uma caderneta, numa viagem ou mesmo na rotina, pensei nas receitas que temos internalizadas, mas sem qualquer anotação.  Mais uma vez, a lembrança de que não temos muitas das receitas da Vó Leia  por escrito, tendo que "tocar de ouvido" ou, na melhor das hipóteses,  tendo que recorrer à 'memoria das mãos', como na Pizza de sardinha. Pois procurando reeditar as saborices da Vó,  fui encontrando riquezas pelo caminho. Uma destas foi receber as dicas da Dona 'Lola' sobre os figos cristalizados, no final do ano passado, resultando em uma experiência muito prazerosa de revisitar os figos da Vó. A mãe reproduziu o doce de laranjas azedas, também com os toques da Dona 'Lola', e ficou parecidissimo ao original...fizemos a torta de amendoim com ovos moles e ameixa, há dois anos, adivinhando as quantidades...

E por aí vamos...descobrir, reinventar, fazer a olho, recordar: todos são resultados da ausência de registros escritos, e, ainda bem, da presença da memória,  individual e coletiva, deste ou daquele prato, deste ou daquele doce. Disse ontem, e de fato acredito nisto: o sabor nos fotografa, sim. O sabor captura uma imagem fiel de nós,  de nossas emoções à primeira mordida. Ficamos carimbados nele e, num próximo encontro, mesmo que muito tempo depois, nos reencontramos com a  memoria que temos dele. E com a memória de nossas percepções mais escondidas. É um encontro conosco, no fim das contas, com nosso saborear mais profundo e com a vivência que ele traduz.

Releitura dos figos cristalizados da Vó Léia
Há outro ponto muito especial neste resgate: a receita montada "a várias mãos", pela composição das lembranças de tias e primas que conheciam as delicias feitas pela Vó e, muitas vezes, lembram ainda do "como-se-faz". Para mim, este é um dos melhores aspectos de redes sociais como o Facebook, a possibilidade desta partilha online de detalhes culinários que habitam os registros familiares, na azáfama do cotidiano que vivemos hoje. Nem sempre é possivel organizar o reencontro 'ao vivo', mas como é precioso lançar uma pergunta sobre as medidas de uma receita e, em seguidinha, colher respostas e lembranças de uma prima, dicas de outra, comentários de uma amiga da vida toda que conheceu a Vó. Tudo em tempo real, primas e tias pelo lado da Vó Leia e pelo lado do Vo Hélio, como se estivéssemos naquelas conversas na mesa da copa. De um modo virtual, se instala a realidade da partilha: das recordações,  dos sabores vivenciados, das mesas de café da tarde em que a chimia de uva reinava, viçosa, sobre a fatia do
 pão-de- meio-quilo, com  o miolo macio e a casquinha crocante.

Os figos, na panela...
O doce de laranjas azedas...
...o mesmo doce, em foco!
A pizza de sardinha...
 Todas as reedições dos quitutes da Vó envolveram o compartilhamento de resgates e de prazeres sentidos na memória, sempre houve a colaboração  de alguém que deu uma receita parecida, de outro que disse "faz-assim, faz-assado", de um sabor que conta a propria história através dos registros coletivos, na familia.

Gracias a todos que participam, quer trazendo detalhes, quer partilhando a leitura de minhas revisitas...

A próxima receita? Será a chimia de uva, classica da Vó, de que ja descobri as medidas por lançar a pergunta no Facebook...aproveito para agradecer à prima Lucia Fiorenzano, por ter me dado a pista! Quem mais se aventura a colaborar, contando dicas do preparo?

Obrigada pela visita!
Com carinho,
Betina

terça-feira, 13 de maio de 2014

Visitando anotações de viagem!

Olá! Os escritos no blog têm sido mais espaçados, neste trimestre, mas minhas observações culinárias seguem rotineiras: tomo notas em uma cadernetinha que guardo na bolsa e, cá e lá, sinto que há semente para um novo texto. Uma das coisas boas deste meu novo hábito é a pratica da escrita com caneta, em folha pautada - há quanto tempo eu vinha escrevendo nos teclados...outra descoberta nascida das notas é a intimidade com os registros em forma de diário,  costume surgido em viagem, especie de roteiro de sabores vivenciados.

Sim, vivenciados. Mais do que sentirmos um sabor, o que fazemos quando comemos algo é um processo que abrange nossa fisiologia, nossa psique,  nossa historia pessoal e coletiva, nossas memórias de infância e aquelas de alcova, nossa Literatura, e por aí vai...o sabor conta de nós tempos depois de uma experiência gustativa, porque o sentimos- e o registramos- com todo nosso ser, ele passa a existir como parte de nós. Talvez seja algo parecido com o êxtase do apaixonamento misturado à força calma e perdurante do amor, e não é exagero...o sabor carimba uma cena, e vamos associar esta ou aquela paisagem com a memória afetiva do que comemos ali, e com quem, com qual estado de espirito- sozinhos ou acompanhados, melancolicos, íngremes ou alegres?

Pois é,  uma das notas de cadernetas antigas  me remetia a uma visita à Queijaria Mas Alba, na provincia de Girona, na Catalunha, onde fui para escrever sobre a culinária regional. Folheava, dia desses, notas do período,  e foi incrível perceber como o sabor tambem fotografa- e nos fotografa. Me dei conta de que, ao contar o que sentia enquanto saboreava uma lauta refeição entre amigos-os proprietarios da hospedaria e Queijaria Mas Alba e um grande amigo da familia-, contei de como me senti na cena, através das receitas preparadas pelo grupo. Para além de fascinante a experiência,  o que havia naquela celebração era mágica, era harmonia, era entusiasmo, e pude perceber a riqueza do momento mesmo que os integrantes conversassem em Catalão. O idioma, na cozinha e na sala de jantar, era outro: o idioma era o sabor construido em conjunto, na atmosfera de forno-e-fogao, e partilhado entre risadas e boas conversas.

Há muito o que contar, e as novidades vêm a galope, mas hoje, relendo cadernetas antigas, mais uma vez senti a força revolucionária que o ato de saborear exerce em nossa intimidade. Por sua vez, quando escrevemos sobre isto, a evocação das memórias surgidas pelo texto gera em nós sensações semelhantes àquelas de quando experimentamos o prato, porque temos a lembrança ja interiorizada. Então, a vivência do que comemos conta sobre a cena, e conta sobre nós,  também. E, no caso das anotações manuscritas, este contar nasce com a nossa letra. Daí o beneficio de um diário de impressões culinárias. Ja experimentou??

E como temos um belo arsenal para a imaginação em nosso cérebro, todo este processo funciona quando lemos sobre sabores desconhecidos-criamos a figura do que estamos lendo, pela voz de um narrador interno, só nosso. Isto é especialmente verdade para mim ao "devorar" o livro de memorias culinárias de Josep Pla, escritor catalão de grande e merecido destaque no Sec. XX, "Lo que hemos comido".

Sobre o livro de Pla? Ah, esta é uma outra conversa...!

E você:  como percebe os sabores marcantes de sua historia?

Com carinho, agradeço a visita,

Betina







quarta-feira, 23 de abril de 2014

Homenagem aos Livros de Cozinha!!!



No Dia Mundial do Livro, a homenagem do Serendipity in Cucina aos livros de Cozinha, estes fieis e simpaticos mestres  que ensinam e partilham as Artes Culinárias, que se tornam confidentes e testemunhas das mudanças de ultima hora nas receitas...estes ilustres amigos, alinhados um a um em nossas estantes e presentes na vida dos amantes da boa mesa! Podemos não  usa-los amiúde,  mas os desejamos, belamente expostos  ou em uso no balcão,  comungando conosco a festa de forno-e-fogao. Ah, os livros de cozinha...!!! Estes que nos levam à loucura nas prateleiras de livrarias, estes que nos mantém por horas entre um folhear e outro das paginas, na escolha voluptuosa de abocanhar uns dez de uma so vez, gulosos por suas receitas, por suas historias, por seu sabor. 

Para mim, os livros de cozinha são amigos de longa data, sempre convidados à mesa da copa, para pesquisas, conversas, devaneios, novos ventos... e foram eles que me inspiraram para a realização do meu Pequeno Alfarrabio de Acepipes e Doçuras, juntos aos cadernos de receitas que conheci e que tive. 

A cada novo livro culinario, descubro um novo mundo de ideias, de janelas abertas com cheiro de coisa boa saindo do forno! 

Meu 'Muito Obrigada' a estes personagens de minhas aventuras de cozinha, que inspiram meus escritos e meu prazer na alquimia dos ingredientes!!

E você: qual sua historia com os livros de cozinha? 

Com carinho, 
Betina

domingo, 20 de abril de 2014

Qual sua receita de hoje?

Domingo de Pascoa. Almoço em familia, ou como preferir: com o amor, os amigos, consigo mesmo, em casa, em cidade estranha, no interior, nalguma capital. Em qualquer lugar, hoje é Domingo de Pascoa, se você sente e acredita no simbolismo desta data. É Domingo de Pascoa dentro da gente, uma partilha silenciosa com nossas lembranças,  antes mesmo de celebrarmos o dia com os demais, na hora do almoço. 

E haverá tantos outros que amamos e queremos perto, mas encontraremos noutra ocasião,  com presentes atrasados do Coelhinho, abraços e tin-tins...Bom, não importa: na receita que desejamos preparar, estão todos do nosso querer-bem, próximos ou distantes, e até estes últimos serão parte da cozinha de Páscoa, se você estiver inteiro na realização do prato.  Se estão em seu íntimo,  tornam-se vivos no seu fazer culinário: basta você estar presente na tarefa, focado em cada ato, em cada sensação que os ingredientes gerarem na mistura.

Vivencie a receita como uma experiência única de vida, sem 'perder' um segundo com preocupações ou pensamentos que nao pertencem àquele momento. Esteja ali, pleno, dedicado ao processo, com a pureza da criança que brinca por brincar, consciente apenas do tempo que tem. E qual o tempo da criança? O instante da brincadeira, em que tudo o que sente é verdade, é vivido e colorido. Sem antes ou depois. Seja a receita que estiver preparando, faça parte dela como ingrediente, através de sua atenção. 


Esta é uma das melhores formas de homenagearmos nossos queridos, longe ou perto, pois colocamos nosso amor na delícia que fazemos-doce ou salgado, acido, amargo ou umami,quente ou frio, entrada, prato principal, salada, sobremesa ou merenda. Ali estamos nós, desejando Feliz Páscoa através da nossa receitinha favorita! Ja escolheu a sua?

Feliz Domingo de Páscoa!!
Com carinho,
Betina

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Feriado da Pascoa: o renascimento da criança!

Bom dia! Ha quanto tempo nao escrevo, coisa de um mês ou dois. Correrias de sempre, novos projetos, livro de cozinha viajistica sendo escrito, a descoberta de um território enigmatico que deu origem a uma pesquisa culinaria, o estudo vagaroso do idioma catalão  através de suas receitas...todos foram processos envolventes em tempo e emoção,  explorações externas-e internas-que adiaram meu retorno ao blog. Pois voltei para a Pascoa, festa mais contente do ano, para mim.

Como ja contei certa vez, no meu "Pequeno Alfarrabio de Acepipes e Doçuras", comecei a fazer chocolates para presentear meu irmão,  na Pascoa de 1988...queria surpreendê-lo com uma cesta de minha autoria, e, dali em diante, minha fabriqueta "Cacau Company" fez inumeras invenções e peripecias nas Pascoas familiares. No entanto, sempre esta data foi especial em nossa cozinha, símbolo de calor do forno aquecendo a casa e a alma da gente. 

Bom, nem tudo são lembranças doces...Perdemos a Vó Leia, personagem de tantas das minhas historias de vida culinaria, na Sexta-Feira Santa de 1995,-logo ela, tão cuidadosa com as ressalvas deste dia. Foi uma data triste, tristissima, mas a força animica desta celebração perdurou, e continuo sentindo, a cada ano, o prazer deste festejo.  Foi a mesma Vó Leia que me levou a aprender chocolates, num curso curtissimo de uma tarde chuvosa em Porto Alegre, e foi também ela a participar, com a mãe,  dos preparativos do meu bazar de chocolates para a Páscoa de 1992. Uma das maiores riquezas deste Bazar foi a ajuda incansavel da minha amiga de infancia, Andréa, na feitura dos doces e na organização das vendas. Tudo muito com ares de feito-em-casa, em familia, partilhando com bons amigos a doçura que este tempo significa.

Este periodo é de reunião na cozinha, os aventais em movimento, o cheiro de coisa-boa espalhado pela casa toda e da Macela recem colhida no mato, coelhinhos decorando os lares e as lembranças,  a procura dos ninhos escondidos, o barulho precioso do abrir o papel dos grandes ovos de chocolate, depois de longas buscas...ha uma magia que permeia esta ocasião,  um renascimento da criança dentro de cada um, um brincar saboroso que acredita na vinda do Coelho...sinto, mesmo, é uma inocência que me salva da adultice permanente,  e que me salva do tradicional dito "Ja passei da epoca de acreditar em Coelhinho da Páscoa!"... ha uma parte minha, e talvez sua, que se desveste de aduto e que volta a sentir-se criança procurando pelo ninho, descobrindo as delicias da cesta de palha, numa atmosfera alegre e curiosa em nosso íntimo, como se a Pascoa vitalizasse a criança que fomos. A meu ver, este  também é o renascimento que celebramos no Domingo, mas  num sentido individual. Para além  da conotação religiosa que conhecemos e respeitamos, acredito que este seja um tempo de darmos voz à nossa criança,  na docura, na pureza e na faceirice de surpreender-se ao encontrar o ninho escondido.
Que seja uma Festa de partilha e de felicidade a todos os amigos e leitores!
Gracias pela visita!
Com carinho,
Betina
Chocolates do Bazar de Páscoa,  1992!

terça-feira, 11 de março de 2014

Olhar...e olhar de novo!



Às vezes, a mudança de perspectiva está num 'click', dentro de nós. Olhamos, imaginamos, olhamos de novo e não somos mais os mesmos da cena primeira: nossa imaginação caminhou na frente. Ao re-olhar, já brincamos com o conjunto, já misturamos tons, já borramos o quadro, de propósito.

Somos nós ali, pintando nova vida, no lugar do olhar antigo. Mesma cena, mesmo cenário, mas outra percepção: entre nós e a imagem, interferência recíproca de mudança. Mudamos a cena, a cena nos muda, apenas por modificarmos nosso modo de olhar.  De imaginar.

Numa viagem, este fenômeno é ainda mais forte, e o 'transe de viajante' acontece exatamente quando permitimos que nosso olhar vá além da imagem concreta: olhamos com a imaginação, e o resultado é o 'Plim!', o clímax de nossa relação com o lugar onde estamos. Crucial, neste sentido, é o papel da novidade, mesmo que conheçamos muito onde estamos; o novo pode ser tanto um vilarejo ou uma metrópole desconhecidos, ou pode ser um jeito de enxergar que aconteça em nós. O prazer que sentimos é o da descoberta: a mágica de encontrarmos, na imagem de antes, uma tinta diferente, a nossa! No segundo olhar, ali estamos nós, preenchendo a pintura com nossa anima.

No meu sentir, é o que fazemos nas viagens, quando nos entregamos para a experiência de conhecer uma cidade em detalhes: no local que observamos, há partes de nós, há o nosso modo de percebê-lo.

E isso me faz lembrar de um trecho do livro 'As Cidades Invisíveis', de Italo Calvino...

"(...) Assim- dizem alguns- confirma-se a hipótese de que cada pessoa tem em mente uma cidade feita exclusivamente de diferenças, uma cidade sem figuras e sem forma, preenchida pelas cidades particulares."


Gosto tanto de viajar, vejo esta prática tão ligada aos prazeres da vida, que a agreguei ao nosso 'Serendipity in Cucina', a partir deste março de 2014! Aliás, a boa Serendipity das viagens ocorre quando olhamos com nosso gozo uma simples ruazinha transversal...

Em breve, trechos de literatura viajística, reflexões e mirabolâncias sobre viagens, culinárias ou não...


Bom início de semana!

Com carinho,
Betina

sábado, 8 de março de 2014

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Boa noite!

Às leitoras amigas, Feliz Dia Internacional da Mulher!

Há tempos não escrevo...férias de verão, retorno à rotina e planejamentos para o ano de 2014 me deixaram afastada do Blog. E bem sei que a escrita é um compromisso com os leitores e comigo, com meu espaço interno de criação, e bem sei que a nutrição da escrita é um trabalho diário; ocorre que existem períodos em que a vida nos absorve de tal modo em nossas transformações internas que a impressão é de um esvaziamento pleno. Sim, esvaziamento pleno, o paradoxo maior. E esta é a força do escrever, para mim: pulsação, um absoluto silêncio de palavras na folha branca, um branco cheio de branco, seguido pelo retorno do desejo de soltar as mãos no caderno ou no teclado e seguir o fluxo do texto. Sístole e Diástole de mim. 

Pois é, e hoje a palavra chegou. Pelo Dia Internacional da Mulher, vim fazer minha homenagem a todas nós, mulheres! Haveria muito a dizer, nesta escrita, mas deixo que cada uma de nós se sinta homenageada pelas qualidades que reconheça em si! Que cada uma de nós se sinta homenageada pelas memórias de suas vitórias, de suas forças, de suas vulnerabilidades, de suas emoções, de seus sabores prediletos, de seus amores, de suas raízes e de seus percursos de dentro e de fora! 

Lembrei de referenciar aqui, considerando a culinária como essência do 'Serendipity in Cucina', mulheres que trabalharam com empenho, com prazer e com zelo por sua trajetória de vida, tendo a cozinha como ferramenta de trabalho: Irma Rombauer, Julia Child, Doña Petrona (nas fotos abaixo), M.F.K. Fisher, Elizabeth David, entre tantas outras...Exemplos como os citados são apenas reflexos no espelho de muitas mulheres que, em sua cozinha, travaram batalhas profundas pela sobrevivência física e emocional. Venceram sempre, porque se propuseram a enfrentar as dificuldades, as crises, as faltas, com a mesma força com que celebraram as vitórias e as farturas. Seu vigor e seu valor estavam, acima de tudo, na força-motriz para seguir em frente, com resiliência e propósito, seu caminho. Fosse qual fosse o rumo escolhido.

A todas nós, no campo de vida em que estivermos, Parabéns! 

Com carinho,
Betina


Julia Child
Doña Petrona
Irma Rombauer

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Caminhos que cruzei, caminhos que escolhi...

Este título anda me rondando há semanas, nem sei o porquê. Então, decidi me entregar para a aventura de desvendá-lo. Vamos lá...

Passo uma boa parte do dia escolhendo caminhos, sem mesmo perceber. Decisões simples, do dia-a-dia, acontecem a toda hora, não chego a conscientizar sua importância: são incorporadas pelo hábito. Levantar da cama, tomar café, escolher a roupa, escolher o caminho mais livre para o trabalho, almoçar num restaurante ou almoçar em casa, sair do trabalho mais cedo ou adiantar tarefas para o amanhã, jantar lanche ou comida, driblar a dieta, que ingredientes escolher para a salada do dia,  ler isto ou aquilo...São decisões, são escolhas, sim, e  ainda que subliminares, fazem parte de quem eu sou a cada dia, como peças da vestimenta que uso. E mais: cruzo muitos caminhos até uma definição, em 'modo automático', nem vejo os caminhos que cruzei, passo por eles sem olhar, sem 'mirar' em um específico...até que, 'Plim', está feita a escolha. Bom...Entre os caminhos que cruzo sem atenção e os caminhos que escolho, onde está a chave que abre uma determinada porta, uma em especial?

E comecei a pensar no título, como se fosse confrontada por tudo o que representa: não apenas as decisões simples, rotineiras, mas também as sérias, que impõem reflexão. Quantas vezes cruzamos os trilhos de respostas possíveis às nossas perguntas, sem nem atentarmos a seu significado??? E então?
Não enxergamos respostas que passam por nós, respostas à paisana, porque estamos com a cabeça aqui ou ali. Deixamos de escolher uma resposta possível que recém cruzamos, por falta de atenção...como se passássemos por várias ruas que cortam a avenida do nosso trajeto, todos os dias... a partir de um ponto, nem vemos mais as ruas por onde passamos, vamos seguindo um automatismo veloz, cotidiano, preocupados com outras coisas, com outros dilemas...E assim deixamos de entrar em uma rua diferente, porque nem a vemos, atordoados em fazer o caminho de sempre. Dentro e fora de nós. Escolhemos, deixamos de escolher, a toda hora. 

Abrimos a despensa e, dentre tantos ingredientes, esquecemos este ou aquele menos visados, lá do fundo. Acabamos usando os mesmos, por praticidade, por rapidez, por falta de atenção. Repetimos receitas, não por falta de ideias, mas porque cruzamos elementos possíveis, sem focar no potencial de suas qualidades, e decidimos por aqueles mais à mostra. Cruzamos caminhos em nossa despensa, também, e muitas vezes escolhemos sem pensar. E quem nunca, ao arrumar o armário de roupas, vislumbrou combinações que nem imaginava, apenas por atentar para peças esquecidas?

Cruzamos caminhos, sem perceber. Muitas vezes, escolhemos por hábito, sem reflexão, e vamos seguindo a vida. Cruzando caminhos, escolhendo caminhos. Seja para a salada do dia ou para definições essenciais, há um universo de ingredientes possíveis para compor nossas escolhas; no entanto, terminamos selecionando um número limitado, definindo rumos mais práticos, mais visíveis... apenas por não atentarmos à gama de possibilidades ao nosso redor.

Começarei a prestar mais atenção à minha despensa, quem sabe descubro um vidro de geleia guardado atrás dos enlatados...

E você: presta atenção aos caminhos que cruza?

Com carinho,
Betina


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma prosa pelo "San Valantine´s Day'!


Hoje, ao redor do mundo, é o 'Valantine´s Day', Dia do Amor, em larga escala...e fiquei pensando em uma imagem para ilustrar a homenagem ao dia. Encontrei esta citação do Mia Couto, um de meus escritores favoritos.

Em prosa? Uma ideia de história de amor, com a cozinha como pano de fundo: 
um romance em que ele e ela declaram os sentimentos mais profundos através das comidas que dedicam um ao outro.  Ele cozinha  seu prato mais saboroso, nos encontros de amor; ela produz banquetes de beleza ímpar, um Hors- D´oevre para a união dos corpos.

 Findo o enlevo, nenhum dos dois prepara, para seus novos pares, as mesmas receitas.
Coisa de fidelidade culinária, mesmo.
Ficaram guardadas as lembranças daqueles sabores no álbum de vida de cada um, como memórias gravadas nas fibras mais íntimas. Afinal de contas, dedicar um prato ao outro é, a bem da verdade, a autoria de uma carta de amor.

 Os registros que ficam, num espaço irrestrito dentro do peito, são o gosto bom de uma receita preciosa, o prazer vivenciado a dois, para além do sexo. Um prazer de entrega  de si mesmo, na elaboração da alquimia dos ingredientes- um encontro sinérgico que reproduz a 'liga' do casal...E um prazer de troca, de partilha, de dar e receber afeto e conforto através de um referencial atávico, o alimento. E há o papel do fogo, dos temperos, da mesa posta, do tempo interno para que o encontro das peles se traduza no prazer sexual. Cozinhar para o outro é uma das maiores declarações que se pode fazer a quem amamos, porque, no meu sentir, o ato culinário contempla, de um modo muito particular, alma e corpo numa relação.

Então, um belo dia de amor e quitutes, neste 14 de fevereiro!

Com carinho,
Betina

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Em trabalho de campo: pesquisando receitas e histórias pra contar!

Olá!!

Nossa última conversa foi na semana passada, dia 04 de fevereiro, e, desde então, estive realizando a pesquisa de novas receitas no tema de verão do Blog, as entradinhas e as saladas. Em breve, virei postar as novidades. Estou em trabalho de campo, por enquanto...
 
 Interessante, nesta estação, foi observar que, quando estamos envolvidos em um objetivo, a atenção dirigida nos torna mais alertas, coloca nossos sentidos ainda mais em ação. Percebemos mais as nuances do 'objeto de pesquisa' e até mesmo passamos a enxergar o que nem veríamos, tempo atrás. E digo mais, em prol da  pesquisa, da curiosidade, da 'ânsia pelo novo', ficamos mais disponíveis a arriscar empreitadas que fomentem nossa busca. Ampliamos descobertas, pois estamos aptos - e ávidos- a enveredar por rumos estranhos a nós. Um exemplo? Para escrever aqui no 'Serendipity in Cucina', sobre as saladas, resolvi ampliar meu campo de experimentação, provando ingredientes e misturas que, em geral, olhava de longe nas mesas de buffet e nos cardápios aqui e acolá. Me propus a provar a salada de feijão, de que já contei num post de fins de janeiro, e avancei. Nesta semana, provei uma deliciosa salada de Quinua e outra de massa-esta última surpreendeu minha implicância com saladas de massa! Vou contar a vocês nos próximos dias...
 
A verdade é que, mesmo quando estou à paisana, sem papel e caneta na mão, tenho comigo minha principal ferramenta para as pesquisas: os sentidos...além deles, a vontade de conhecer também é um elemento e tanto no meu processo de ampliação de horizontes culinários. Sim, tenho me proposto a saborear saladas até então fora das minhas prediletas, para compartilhar com vocês, leitores. E esta vivência tem sido muito prazerosa, porque me sinto em uma missão lúdica: aventurar-me, conhecer ingredientes e suas combinações, sentir o resultado como proveitoso ou não, e elaborar o 'prato' na página em branco, o texto. Transformar sabores e sensações em palavras é um desafio que merece muito zelo, leitura, pesquisa e dedicação, para que a leitura seja apetitosa como é o prato que apresentamos... e, claro, este é um desafio que merece e que precisa de muito trabalho prático: provar, provar, provar, colocando no exercício o gosto, o olfato, o tato, a visão e a audição...todos fundamentais na composição do fenômeno 'sabor'.
 
Um dos aspectos de maior aprendizado deste período, para mim, é a quebra de paradigmas do 'não gosto desse ingrediente', 'tal salada não me apetece': estou arriscando mais nos sabores, às vezes com boas surpresas, como foi o caso da salada de feijões de janeiro e da salada de massa, de hoje à noite. Sim, o propósito é a pesquisa de novas receitas sobre as quais escrever, mas também há nisto um pretexto: a motivação para a ruptura do conhecido, em primeir o lugar. Em segundo, o simptrles fato de 'ter um objetivo' a seguir é foco de prazer, de jogo, de descoberta e de encontro com um novo sabor, ou com um antigo reinventado.
 
Na pesquisa, há também o encontro com textos de autores clássicos que 'ensinam' através de sua escrita, como tem sido, para mim, a leitura de ' An omelette and a glass of wine', livro de crônicas culinárias da inglesa Elizabeth David. A vivência destes textos é tão rica que merece um post inteirinho. E há, ainda, no pesquisar dos temas culinários, a comunicação com quem faz o prato, o modo como conta seu fazer, seus truques, suas percepções. Na leitura e nas conversas, o elemento em comum é a presença do outro em nossa história, em nossa busca, e é esta interação que dá o tempero especial para o trabalho de escrita de cozinha: do referencial que lemos e que escutamos ao interlocutor-leitor, comensal de nossas palavras.
 
Agradeço a visita dos leitores, que movem para adiante o entusiasmo para que o 'Serendipity in Cucina' traga receitas e novas histórias pra contar!!
 
Com carinho,
Betina

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Palheta de verdes...

Ontem, o almoço em casa foi bem veranesco: saladinha de atum com rabanete ralado e vinagrete de limão, um conjunto leve e picante, ao mesmo tempo, com um 'ardido' bom de sentir e...uma salada de elementos que, entre si, compunham uma palheta de verdes, entre tons claros e outros mais vigorosos desta cor.

Os elementos e seu preparo: Zucchini, cortado no sentido longitudinal e grelhado em ambos os lados,  xuxu em fatias, também grelhado, batata-doce cozida, folhas de manjericão. Cortar em pedaços as metades da Zucchini, as fatias grelhadas do xuxu e a batata-doce; temperar com três ou quatro burrifadas do Vinagre Balsâmico, sal e azeite de oliva...e finalizar com as folhas do manjericão.

A salada se destaca pela leveza do resultado final, além da suavidade do prato, em tons variados e mansos de verde. A zucchini e o xuxu, por terem sido grelhados, assumem uma textura firme e um 'quê' no sabor; a batata-doce permanece fiel à sua qualidade, a calmaria...e o manjericão dá o tônus da refrescância à receita. O todo, em tons esverdeados, agrada os comensais pela harmonia do conjunto...

O sabor final é leve, equilibrado, e oferece ternura em sua palheta de verdes...e um sabor surpreendente!

Bom proveito!

Com carinho,
Betina

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Panzanella de Domingo!!!

Começando um novo mês, aqui estamos nós em nossa prosa, autora e leitores do 'Serendipity in Cucina'! Seguiremos com saladinhas e petiscos veranescos, enquanto durar a estação...Hoje realizei minha versão da Panzanella, com Pão integral em fatias banhado na limonada de  1 Limão Siciliano, espremido (para tirar o excesso de líquido) e despedaçado, com as mãos, na vasilha. Então, fiz camadas com os ingedientes: 

Primeira camada: na base, o pão umidecido, em migalhas; por cima,  tomates-cereja partidos ao meio, pitada de sal, as raspas do Limão Siciliano,   lascas finas e irregulares de mussarela de búfala, folhas do manjericão e o vinagrete.
Camadas seguintes: repeti a primeira camada por mais duas vezes, terminando o prato com o vinagrete sobre as folhas de manjericão. Por último, moí pimenta preta, até que o aroma sobrevoasse. Deixei uma hora na geladeira, antes de servir. Fiz a saladinha ouvindo UB40, um raegge leve para harmonizar com o preparo: com certeza, fez toda a diferença no entusiasmo da cozinha!

Usei o pão integral novinho, macio, mas a indicação é para usar pão já endurecido que, ao ser molhado, forma pedaços mais consistentes. No vinagrete, usei 1 parte de limão Siciliano e 3 partes de azeite de oliva.

Uma variação interessante, de caráter exótico e intenso, é molhar o pão na laranjada, usar cebola roxa em aros esparsos, azeitonas pretas sem caroço, tomate-cereja e lascas de queijo Feta.
Em ambas as versões,  molhar o pão no suco, ao invés de fazê-lo na água pura, é um modo de acrescentar o viço cítrico à salada.

O frescor dos elementos (limão Siciliano-raspa e suco, tomate cereja,  manjericão e mussarela de búfalo), agregada  à substância dada pelo pão umidecido, faz desta receita uma ótima alternativa para um almoço de verão!

Bom Proveito!

Com carinho,
Betina

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

28/01/1754: nascimento do termo 'Serendipity'!!!

E foi no dia de hoje, 28 de janeiro, no ano de 1754, que Horace Walpole (1717-1797), Historiador e novelista inglês, cunhou o termo 'Serendipity', em uma carta a Horace Mann, educador americano. Walpole referiu que criara o termo a partir do conto de fada 'Os três príncipes de Serendip', em que os heróis estavam sempre fazendo descobertas, por acaso ou por sagacidade, de coisas que não estavam procurando. A raiz do nome é Serendip, um antigo nome para Sri Lanka, do Sânscrito Simhaladvipa e do Persa Sarandïp...E aqui começa nova pesquisa, com surpresas e Serendipices no folhear das páginas...

Uma pesquisa dentro de outra dentro de outra, com achados que levam a achados que levam a achados, com links para links e então para hiperlinks inimagináveis, que levam a outros trajetos onde faremos novas descobertas, e então novos percursos e labirintos e piqueniques entre um trecho e outro...

Assim, foi no dia de hoje, há 260 anos, que foi dado o primeiro passo para o nascimento de nosso 'Serendipity in Cucina'! Agradeço a  Horace Walpole, pois sua 'invenção' traz muitas peripécias divertidas para minhas viagens e receitas...

E você: encontra a 'Serendipity' em sua cozinha?

Com carinho,
Betina



Fonte: Wikipedia

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mais um pouquinho sobre a 'Panzanella'!!!

E hoje pensei: se a proposta da 'Panzanella' é a de ser uma salada de verão, a tônica está na refrescância: este é o ponto que devemos manter em foco, ao escolhermos os ingredientes! Como sempre, podemos criar alternativas à receita tradicional, adaptações a produtos da região, mudanças na paleta de cores dos legumes e verduras...As variações são infinitas, desde que se tenha em mente o propósito do prato, a coerência com o que ele tem a dizer. No caso da Panzanella, estamos falando em verão, frescor, leveza! 

Foi, então, que me ocorreu: e se, ao invés de molharmos o pão na água, o fizermos numa água com o sumo de um limão Siciliano? Com isto, a 'anima' do limão poderá se incorporar da porosidade das fatias de pão, deixando, na salada, um 'quê' cítrico que fique discreto, sem berros, sem quebrar o espírito do conjunto. Pode-se, também, adicionar as raspas da fruta aos demais componentes, dando a alegria do amarelo para nossa salada, junto ao vermelho do tomate, ao roxo da cebola, ao verde do manjericão...

Existem outras versões, como a interessantíssima 'Green Panzanella', [Panzanella Verde], também do blog da italiana Giulia Scarpaleggia, 'Juls´Kitchen'! Vale a pena conferir!

Bom proveito!

Com carinho,
Betina

domingo, 26 de janeiro de 2014

Panzanella: uma salada toscana típica!

A Panzanella é uma salada fria, típica de verão, que leva pão Toscano (endurecido de uns dias) e  tomates, em sua essência, tendo outros ingredientes para completar a receita. Diz-se que o nome do prato viria de Pan (redução de 'Pane', para 'pão', em italiano) e Zanella, uma palavra antiga de origem italiana, significando 'bowl', vasilha. A origem da receita remonta à metade do Século XIV, e  teria sido mencionada por Bocaccio, naquela época...Bronzino, pintor fiorentino famoso, da Renascença, até mesmo teria escrito um poema para celebrar esta saborosa salada, que seria feita com cebolas, pois os tomates ainda não teriam chegado na Itália.

A salada tem um aspecto de conforto, maciez, refrescância...um sossego para dias quentíssimos de verão! O pão molhado e em pedaços suaviza a textura da receita, dando-lhe substância com leveza, o que vale ouro para almoços veranescos! E os tomates, as cebolas, o pepino e o manjericão também proporcionam este frescor, ao saborearmos o conjunto!
A salada cumpre o destino da Serendipity: o pão que sobrava, nas casas dos camponeses italianos, precisava ser reaproveitado, e os ingredientes produzidos no local, e na estação, eram parte da receita. A 'Panzanella', então, surge da necessidade de 'reinventar' um ingrediente, a partir de estratégias que o tornem viável (molhar o pão na água e esmigalhá-lo depois) e de elementos que sejam próprios da estação. Por que foi feita no verão, não se sabe, mas a salada tem um equilíbrio interessante para os dias quentes: a leveza e o frescor, fundamental para o organismo em dias tórridos.
E, com certeza, muito saborosa!

Ingredientes: 

2 xícaras de pão Toscano (sem sal)
3 tomates, partidos em 8 partes
2 cebolas roxas, em fatias bem finas
1 pepino, sem casca e fatiado
Folhas de manjericão
Azeite de oliva
Vinagre
Sal

Preparação, para 4 comensais!

Molhe as fatias do pão em água fria, por 10 minutos; escorra a água e despedace o pão em uma vasilha. Adicione os tomates, os pepinos, as cebolas e as folhas de manjericão. Tempere com azeite de oliva e sal.. Misture bem e deixe repousar. Antes de servir, adicione vinagre e misture novamente. Deixe à vontade seus convidados, mantendo na mesa o azeite de oliva, vinagre e sal. Assegure-se de que a salada está fria ao servir.

Amanhã, outras versões do preparo!

Com carinho,
Betina

Fonte: Tuscanycious

Sugestão: o Blog 'Juls´Kitchen', da italiana Giulia Scarpaleggia, em uma receita bárbara!


E que tal um Antipasto italiano com feijões???

E como uma receita leva à outra, procurei no livro "Italian Food" [ Comida Italiana], da ensaísta inglesa que tenho citado, Elizabeth David, se havia alguma salada ou entradinha com feijões, algo típico. E encontrei uma especialidade da Toscana, o Antipasto 'Fagioli Toscani col Tonno' [Feijão Toscano com Atum]. Este é um dos pratos mais conhecidos da cozinha de Florença, e deve ser apresentado e servido em abundância. Feito com feijões brancos, gordos e macios (tão amados pelos toscanos), devem ser cozidos em água que cubra a quantidade desejada. Levam em torno de três horas para cozinhar. Quantidades? Em torno de uma xícara é suficiente para 4 pessoas, para um Hors D´oevre. Coloque o sal no final do cozimento. Escorra, agregue cebolas cruas, envolva a combinação com bastante azeite de oliva e, quando o conjunto estiver frio, adicione atum (em lata), em pedaços grandes. 

Estes feijões são  tão especiais para os toscanos, em sua história culinária, que há até uma travessa especial para cozinhá-los sobre o fogo, a 'Fagiolara'. Conto mais sobre este utensílio, em breve...

Na receita, Elizabeth David recomendou que se usasse o atum em óleo; minha sugestão é que se experimente fazer com o atum natural, enlatado, sem o óleo. Sugiro isto pois, na mistura, tem-se já boa porção do azeite de oliva, e adaptações que favoreçam a saúde são sempre bem-vindas. Além disto, na minha receita, usaria cebola roxa, ao invés da branca: além de seu sabor, um detalhe assim colorido enfeita a salada! Acrescentaria, também, vinagre Balsâmico e pimenta preta moída na hora...e faria algum outro improviso, no preparo, com certeza...

Afinal, inventar é a alma da coisa!

E por falar em Toscana, nossa próxima receita será a Panzanella, uma salada típica desta região da Itália...Aguarde!

Gracias pela visita!

Com carinho,
Betina

Salada de feijão preto: receita veranesca!!!

Minha 'bíblia' de cozinha, 'The Joy of Cooking',
na versão de 2006 (Scribner) e naquela de 1931,
publicada por  investimentos próprios da autora
 e vendida em sua casa!

Bom dia!

Inspirada pelo almoço de ontem, fui a uma de minhas fontes prediletas, buscando uma receita de salada de feijões: 'Joy of Cooking', clássico da americana Irma Rombauer, na edição comemorativa de 75 anos do livro. Encontrei uma das versões que mais me apeteceu: salada de feijão preto com tomates-cereja, cebola roxa e grãos de milho, adornada com  coentro ou  manjericão frescos. No tempero, um vinagrete simples ou de manjericão (o próprio vinagrete com as folhas picadinhas). De acordo com a referência, uma xícara de feijão cru rende 3 xícaras dele quando cozido.

Aqui, minha leitura, com conversão de medidas já realizada. Também é possível fazer esta salada com feijões diferentes: feijão branco ou mistura de feijão branco e vermelho, como na versão referida no post de ontem, do restaurante Le Bistrot. A receita é só um ponto de partida para a criação; invente você mesmo!

Salada de feijão preto (pg.170)

3 xícaras de feijão preto, cozido.
1 1/2 xícara de milho (se usar o enlatado, drenar o líquido)
4-5 xícaras de tomates-cereja, partidos à metade
1 xícara de cebola roxa picada
coentro ou manjericão frescos, para adornar. 

Vinagrete (pg.572):

Se aprecia alho, faça uma mistura, (sugestão minha: amassar no pilão):
1 dente de alho pequeno, sem pele
2-3 pitadas de sal

Remover para uma vasilha, adicionando:
1/2 colher (das de chá) de sal
1/8 colher (das de chá) de pimenta preta em grão
1/4 xícara de vinagre de vinho ou suco de limão
Cebola pequena (Shallot), picadinha (1 colher das de chá)
1/4 a 1/2 colher (das de chá) de mostarda

Bata no processador de alimentos, até misturar bem; adicione gradualmente, batendo de modo constante após cada adição: 
3/4 xícara de azeite de oliva 

Para o Vinagrete de manjericão (pg.573), adicione à receita acima 1/2 xícara de folhas de manjericão finamente picadas, ou 1/4 xícara de folhas de manjericão e 1/4 xícara de cebolinha picada, misturando bem ao vinagrete.

Se fizer com antecipação o vinagrete, cobrir e deixar na geladeira; sacudir bem antes de servir.

Adorei esta ideia para a salada de feijão, num colorido veranesco dado pelo milho, pelos tomates-cereja, e pelas folhas verdes do coentro ou manjericão, além do próprio preto dos grãos. Teremos, nesta receita, um prato substancioso que pode ser o principal, até, num dia de verão:  a 'substância', pelo feijão e pelo milho, contrastando com o frescor, dado pelos tomatinhos, pela cebola roxa, pelas ervas e pelo vinagrete.

Irma Rombauer, autora do
 best seller de cozinha de 1931,
 'The Joy of Cooking'!

Bom proveito, e um belo domingo!!!

Com carinho,
Betina

Referência: 'Joy of Cooking', Irma Rombauer - edição comemorativa de 75 anos. Scribner, 2006