quarta-feira, 25 de setembro de 2013

As artes da Dona Lola

Estou bolando o texto para apresentar aos leitores a Dona Lola, a senhora que prepara as frutas para doces e divulga seu trabalho pela rua. A bem da verdade, ela é uma heroína: prepara a laranja pra doce, trabalha a abóbora na cal, tira  a pele dos figos para jogá-los na calda e aprontá-los para as festas de fim de ano. E vende as frutas assim, esperançosas por doceiras de mão cheia que, logo logo, exibirão seus feitos na sobremesa ou nos regalos aos amigos. Sabe as receitas decor e salteado, ensina seu como-se-faz com dados exatos, é capaz de revelar truques, até. E sabe a época de cada fruta, fazendo propaganda de suas produções da estação seguinte. 

Há algo de especial na Dona Lola, um não-sei-quê de poção mágica...faz o trabalho pesado e é doce que só ela. Tem as mãos calejadas, isso tem, de mexer com as asperezas das cascas, da cal, da pele do figo, que queima. No entanto, é terna, atenta, engorduchada pelo tempo e pelas comilanças. E parece uma personagem: fosse uma, atravessaria páginas e páginas num silêncio comedido, percebendo nos arredores as mudanças que a vida faz. Conversa consigo mesma, no seu ofício; murmura, de si para si, devaneios e saborices,  amores recônditos, ventos incertos. Avermelha-se com as lembranças e com a labuta manual das laranjas, abóboras, figos..

...e não é que, por um destes encantos que não se pode explicar, dona Lola tem cara de doce?

Pois é dela que estou querendo contar, num próximo post.
Por hoje, fico por aqui.

Com carinho, 
Betina


O doce feito com as laranjas oferecidas pela Dona Lola!

domingo, 22 de setembro de 2013

A Primavera na mesa da copa...!


Bom dia, Queridos Leitores! 

Pois bem...tive meu inverno da escrita: as palavras hibernaram nas últimas semanas. E agora, chegada a Primavera, estão abrindo a porta de casa, as janelas, ocupando a mesa da copa, devagarinho. Estão recém acordando, não façamos alarde, falemos quase em sussurro. Há muito o que contar, há muitos devaneios só esperando que o cheiro de café tome conta...

Em retrospectiva...fiz o pão de azeitonas Azapa, queijo Pecorino e funcho, ficou bom, mas muitos retoques devem ser feitos até que a receita possa ser escrita com precisão: mais do queijo, menos da azeitona,  em busca de um equilíbrio prazeroso. Não alcançou, por exemplo, a vivência pulsante do pão de salame e funcho.

E houve a tarde da Dona Lola, nome fictício que atribuí a uma senhora valiosíssima, aquela que passa pela rua onde trabalho, vezes, bradando "Laranja pra doce???????". Quase uma personagem, merece um texto especial.

Tantas outras foram as notas disso ou daquilo, nestas três semanas de ausência. Estive em Gramado, na Serra Gaúcha, e me propus a desvendar outros cenários nos lugares já conhecidos. Como assim? Cheguei na cidade com olhar inédito, sabores em branco, feito a página da caderneta em que escrevi minhas impressões. E percebi como, de fato, a descoberta está na disposição para encontrar o novo, mesmo em paisagens já tão nossas.

Temos muito a conversar!!

Uma Feliz Primavera!!!

Com carinho,
Betina