segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Meu "Queijos e Vinhos de Verão"

E estamos chegando em Dezembro! Agenda lotada no fim de ano: celebrações, festas de amigo-secreto, comes-e-bebes natalinos e todos os formatos possíveis, com colegas de trabalho, amigos de sempre, primos aqui e acolá, e assim por diante. Muita gente prefere marcar os brindes comemorativos em bares e restaurantes da cidade, outros oferecem a casa e agendam o delicioso "cada um traz uma coisa!"...E há, ainda, quem decida preparar todos os quitutes, arrumar a mesa, esperar os convidados. Em geral, muitos destes encontros antecedem as Festas 'oficiais', são 'mini-Natais', em que aproveitamos dias 'comuns' para comemorar as datas festivas com os vários grupos que fazem parte de nossa vida. Com tantos eventos  a cumprir, a comilança é inevitável. Isto que nem estou falando das noites de Natal e Ano Novo, em que quitutes e saborices são a regra.

Então, uma das coisas que gosto de fazer, nestas comemorações entre amigos, é o que chamo de 'Queijos e Vinhos de Verão". Funciona bem como os clássicos, que fazemos no Inverno, mas com acepipes mais leves, escolha dos queijos e embutidos apropriados para a temperatura, pães diversos e coloridos, bebidas que possam ser servidas geladas, geléias das frutas da estação para acompanhar os frios. E sempre incluo uma saladinha no cardápio, mesmo que pareça fora da proposta, pela refrescância e luminosidade que os verdes trazem à mesa.  

O que me agrada nesta ideia é o fato de propiciar um encontro acolhedor, típico dos 'Queijos e Vinhos', adaptado à leveza e ao dinamismo proporcionados pelo calor da época. Reunimos os comensais em torno do balcão: ali, todos os queijos, pãezinhos, pastinhas e geléias, presuntos, blanquet de peru, folhas verdes e seus enfeites, sanduíches e quiches com ingredientes mais leves, bebidas, entornos, pratinhos variados, guardanapos festivos, talheres, taças...Tudo! Assim, mantemos a essência deste formato de comemoração, dando o toque suave aos alimentos que decidirmos servir. Outro ponto que me agrada é a espontaneidade destas reuniões, pois deixamos, em Serviço Americano, todas as delícias disponíveis sobre o balcão ou mesa de jantar, permitindo o circular dos convidados durante o encontro. Conversam bastante enquanto podem provar de tudo, fazer sua pausa, provar mais isto ou aquilo, nova pausa, e então o recomeço...Por este motivo, é fundamental que todo os componentes do cardápio sejam próprios para as temperaturas mais altas. A decoração também deve seguir as cores e o espírito de leveza, típicos dos meses quentes.

 E, aproveitando que a sustentabilidade é uma das marcas principais dos nossos tempos, vale a pena atentar para seus princípios, na escolha dos copos, talheres e guardanapos, adornos, etc. Vale também o cuidado de confirmar a presença com os convidados, para preparar os quitutes em quantidade adequada, evitando de esbanjar; com isto, fazemos um encontro alegre e sem as mil sobras que resultam de um preparo excessivo. Quando a informalidade e as regras de convivência permitem, compro recipientes para oferecer os quitutes aos convidados, para que levem uma porção da festa para casa, como se fazia antigamente. A distribuição é uma estratégia simpática e, além do mais, ajuda a não somar comilanças na geladeira. Numa época de tantas festas, a atenção ao peso - e à saúde, principalmente- deve ser uma realidade. 

Bom, compartilho, neste texto, minha proposta de 'Queijos e Vinhos de Verão', em linhas gerais. Receitinhas? Nos próximos dias! E você terá também as suas... O ponto central, no meu sentir, é que esta apresentação reúne, em si, o poder agregador dos 'Queijos e Vinhos' e a leveza da estação.

Escolha suas receitas: o que você faria para oferecer? 

Nesta semana, novas dicas!

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

sábado, 24 de novembro de 2012

Eu vi o Papai Noel comprando frios!!!!!!!

Hoje à tarde, numa hora comum. Distraída no Super, olhando uma daquelas prateleiras de ingredientes rotineiros e pensando se tinha cumprido a lista, fui surpreendida por um Papai Noel à paisana, de bermudas vermelhas, chinelos, camiseta branca e um chapéu vermelho-bem tipo chapéu, mesmo...O traje passaria sem maiores observações, não fosse....o cabelo, a barba, as bochechas rosadas, o sorriso de sempre. Não deixou dúvidas, era Ele.  Passou por mim como um transeunte normal de supermercado, sem carrinho, e parecia olhar em torno para descobrir se estava sendo reconhecido. Ou não. 

No passeio vespertino, levei um susto. Acompanhei com os olhos o destino do dito-cujo, e foi parar no balcão dos frios!!! Olhei de novo: ele recebia, das mãos da atendente, o primeiro pacotinho, e então o segundo...Mordadela? Queijo lanche? Copa e salame? Blanquet de peru? Queijo Cheddar? 
Morri de curiosidade de saber quais seriam as escolhas do velhinho, se faria um bom sanduíche com as compras, ou se eram encomenda da Mamãe Noel para o final de semana. 

Bom, sem saber a resposta, mudei de corredor, deixando-o ali, nas andanças de compras supermercadinas. Uma alegria infantil tomava conta de mim, dizendo: "Eu vi o Papai Noel comprando frios!!!!!!!!!!!"

O espírito de Natal é de fato surpreendente, nos absorve onde menos esperamos...(risos)....

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Tomate-Manjericão: um recinto silencioso

Pois hoje tive um almocinho tardio, pelas duas e pouco da tarde, num lugar que adoro, seja  para compartilhar, seja para desfrutar sozinha da refeição. Lembra de quando escrevi o texto "A Solitude dos Cardápios"? A sensação desta experiência de hoje me fez reviver aqueles encontros comigo. 

Eu tinha algumas opções ainda, naquele horário, para um almoço 'decente', de prato bem servido de uma carne, legumes, uma porção de carbohidrato, tudo direitinho, como manda o figurino. Pensei em vários locais nas redondezas, fiz um mapa ligeiro de onde estaria aberto, próximo, viável, apetitoso, etc. Desejava era o sanduíche de tomates frescos e manjericão do Press Café, na Hilário Ribeiro, em Porto Alegre. Ao contrário de tudo o que sei sobre a importância das refeições balanceadas, coisa-e-tal, o desejo falou mais alto. Era soberana a volúpia pela combinação do tomate com o manjericão e a mussarela de búfalo, no baguete crocante e viçoso. Um óleo de oliva, uma pimentinha preta a mais, e estava feita a festa. Para harmonizar? Água mineral, com limão e gelo. Que sem graça? Uma plenitude, isto sim! E algo de mágico que só encontro no dueto tomate com manjericão: um silêncio confidente, uma quietude mansa. Bom, inquietei o conjunto, desta vez, colocando mais da pimenta, mas ainda assim me sentia no conforto de partilhar segredos com aqueles ingredientes, que sempre conhecem muito de meus labirintos. 

Já contei da importância que dou ao tomate, no texto "Chimia de tomates"; já disse, também, o que vivencio pelo manjericão, no "Manjericando"...São mais do que sabores, no meu sentir: são espaços de mim. Espaços de aconchego, de leveza, de um respiro pleno. Busco contemplar o horizonte inteiro na mordida vagarosa, busco silenciar ruídos e tumultos, deixando só uma brisa nos meus vazios. Tudo isso por um sanduíche de tomate com manjericão??????????? Não, não estou exagerando! Hoje fui lá para cumprir este desejo. E  saciei mais do que a fome: saciei as dúvidas, a parafernália de pensamentos e estupores que a mente vezenquando fomenta, aquietei infernos populosos.
 Permiti, na calma dos gostos, aromas, texturas do sanduíche, na anima do dueto tomate-manjericão, encontrar uma paisagem pacífica, num horário inusitado, em meio às correrias.

Nesta vivência, muitas vezes repetida, há muito da intimidade com os ingredientes, há muito do que confidenciamos conosco, enquanto degustamos sabores que nos nutrem e nos confortam.  Idílico sentir a crocância do pão quentinho em contraste com a maciez da mussarela, o frescor do dueto tomate-manjericão mesclado com a volúpia barulhenta da pimenta, a força do azeite de oliva numa primazia leve, dizendo a que veio, sem gritar. Nos intervalos, a água com limão, acompanhando o desfrutar sereno do almoço.

Estar neste recinto silencioso, com sabores que conheço e que me conhecem há tantas histórias e receitas, é reconhecer que existem momentos tão intimistas e reflexivos que merecem esta atenção: a solitude dos cardápios...

E você, com que sabores compartilha segredos?

Gracias pela visita!
Até breve!

Betina Mariante Cardoso

domingo, 18 de novembro de 2012

O primeiro da série: " Maria das Claras-Prosa de Cozinha"!

Bom, seguindo a prosa...

O livro tem cinco capítulos, distribuídos numas cento e setenta e cinco páginas...O primeiro deles é 'Pisa além da Torre', em que conto de minha quarentena em Pisa, na Itália, com alguns textos não publicados aqui no blog e outros já presentes nas páginas virtuais, mas com modificações...O segundo capítulo é 'Nossas Avós', que reúne meus escritos sobre a presença da 'Vó', seja ela quem for, nas cozinhas do (nosso) imaginário. Vem então o 'Encontros', em que conto histórias de comensalidade, convívio, afeto e cozinha, tanto com os amigos, quanto com a família e com gente que é parte de meu percurso. O penúltimo, 'Prosa de Forno e Fogão', traz conversas sobre a escrita culinária, reflexões gastronômicas e divagações em torno dos sabores e de sua importância em nossa vida. No último, 'Outras Viagens" , conto de viagens a lugares que fizeram diferença no meu percorrer, viagens 'para dentro e para fora' de mim, associadas a memórias que o paladar carimbou.
O livro é dividido em duas partes: esta, dos escritos, e a segunda, destinada a ser o caderno de receitas do leitor. Quis compartilhar, no meu projeto-trajeto, a minha experiência de ter um caderno de receitas escrito com a própria letra, vivo e pulsante, esperando para ser 'manchado' com a massa do pão, com os respingos do molho que saltam da panela, com o transbordar do doce pelas bordas do 'tacho'...Por muitas ocasiões, tenho a possibilidade de contar meu 'como-se-faz', e o livro-caderno é o resultado de histórias que vivi aqui e acolá, de reflexões à beira do fogão, de exercícios de criatividade com os sabores. Ao mesmo tempo em que conto sobre ingredientes e modos-de-fazer, abro espaço, nas folhas seguintes, para que você construa seus relatos de cozinha, suas peripécias, faça suas releituras deste ou daquele prato...É um projeto, então, para ser compartilhado, um projeto em que seremos comensais das letras de cozinha, na comunhão típica de quem gosta de uma boa prosa na mesa da copa. Ou amassando o pão, ou mexendo o bolo, ou inventando moda.
O propósito? Tornar você co-autor desta ideia, encorajando suas aventuras culinárias e lançando, quem sabe, as sementes para novas invenções de cozinha...vindas do SEU caderno!

O livro é o primeiro da série de publicações em Culinária de nossa Casa Editorial Luminara. A tal da série que começa agora, já com novas produções em andamento, tem o nome de 'Maria das Claras-Prosa de Cozinha'...Virei e revirei a caixa de mirabolâncias até chegar a este nome, que traz, em si, como me sinto quando visto o avental e boto a mão na massa...

E o nome do livro? E o lançamento?

...Em breve...!!!

Gracias pela visita!
Um abraço afetuoso,

Betina Mariante Cardoso


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Um trechinho da introdução...!


Compartilho, aqui no blog, um trechinho da introdução, em que explico (um pouco) dos porquês do livro e de seu formato...

"De viagens, amores, amizades e festejos, a coleção de criações e prazeres na
cozinha se ampliava. O fazer culinário era sempre alinhavado às minhas experiências
de vida. Os atributos que aprendi, desde a infância, eram associados com
outros ensinamentos e percepções, e eu descobria, pouco a pouco, como a cozinha
se tornava parte intrínseca do meu modo de ser. Posso garantir que meus
principais aprendizados foram a permissão (e a entrega) para a criatividade, a
liberdade de expressão e a persistência na realização das ideias; estas características,
uma vez incorporadas, tornaram-se parte de quem eu sou hoje e de como
vivencio as situações cotidianas – e as extraordinárias – na minha história.

Reuniões festivas em casa, visitas a amigos, reuniões de equipe no período
da faculdade e da especialização, viagens e descobertas intimistas resultaram
no desejo de compilar minhas reflexões e as receitas que fazem parte de meus
trajetos. Minha intenção mais profunda é a de partilhar experiências e emoções
com amigos passados, presentes e futuros, com minha família e com as
crianças que fazem parte da minha vida.

Há um propósito, também, de colocar uma lupa no processo de criação que
envolve a culinária, por este traduzir, in vivo, o que a execução das receitas
representa in vitro. Explicando: busco compreender o papel das reações químicas,
físicas e fisiológicas, próprias do fazer culinário, em minha vida. Sempre
gostei de criar receitas, e fui criando ao longo de acontecimentos significativos
para mim. Acredito de fato que o preparo de uma receita, considerando o exercício
dos nossos cinco sentidos, carimbe impressões ao acontecimento, como
se cada situação especial tivesse um sabor, uma textura, um aroma, uma melodia,
uma apresentação visual. Nada disso foi intencional, mas hoje, olhando
para trás, vejo quantas de minhas memórias têm receitas próprias.

Muitas pessoas importantes para mim estão nestes escritos, muitos sabores
e saberes que fazem parte de minhas vivências estão registrados aqui, fixados
pela memória das impressões sensoriais e afetivas. Quando me perguntei por
que desejava fazer meu próprio livro de cozinha, pensei que de fato me encanta
compartilhar as receitinhas que invento, que adapto, ou que reproduzo dos
originais clássicos. Fiz este livro porque, cá e lá, me pedem as receitas, mas,
principalmente, porque desejo compartilhar meu aprendizado contínuo de
tudo o que envolve a cozinha em sua subjetividade.
O ato culinário é, ao mesmo tempo, uma experiência individual e coletiva,
uma oportunidade de autoconhecimento, de entrega a mim mesma e, simultaneamente,
de partilha, de doação, de expressão de afetos positivos. Exercício
contínuo de liberdade e de disciplina, de firmeza e de flexibilidade, de
gratificação e de tolerância às frustrações. De foco e de atenção no presente
em cada ato, pondo em ação cada um dos nossos cinco sentidos. Exercício de
resiliência, a cada receita.

Sobretudo, o ato culinário representa uma das circunstâncias mais propícias
para experimentar singular e plural, para nos aproximar de nós mesmos e daqueles
a quem admiramos, amamos e que são parte de nossa história.

Descobri que criar minhas receitas e seguir estritamente receitas de livros ou
de cadernos são exercícios diversos, mas ambos imprescindíveis no estabelecimento
de características pessoais, de atributos aplicáveis dentro e fora do ambiente
culinário. Assim, minha ideia de elaborar um livro de cozinha e caderno
de receitas, no mesmo volume, tem o propósito de compartilhar o laboratório
de vida que a cozinha sempre foi para mim.
Espero que você possa usufruir deste projeto, tornando-o seu, com suas receitas,
histórias e impressões. 

Bom proveito!"

Há bem mais a contar...Entretanto, para aguçar a curiosidade, vou postando, aos pouquinhos, um 'quê' novo do livro-caderno.

Gracias pela visita! Volte sempre!
Abraço,
Betina Mariante Cardoso

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Comemorando no arco de um dia!

Hoje comecei a bolar a ocasião do lançamento do livro...Não queria um acontecimento com hora agendada,   formalidades, acepipes no coquetel, coisa-e-tal. Pensei, isto sim, foi em algo que se encaixasse na rotina do dia, nos entremeios do cotidiano dos amigos, para que estes fossem celebrar comigo o nascimento do meu projeto, nalgum momento entre o café da manhã e o jantar. Como assim?

Pois é, a ideia é a seguinte: visto que se trata de um livro de cozinha, comensalidade, refeições e vivências culinárias, percebi que lançá-lo durante o arco de um dia, entre as 8hs e as 20hs, num local agradabilíssimo que serve desde o café da manhã até a janta, poderia ser o ideal! Entonses, haverá aqueles que dispõem da primeira hora para compartilhar, e chegarão para o desjejum: lá estarei; existem os amigos que têm sua hora do cafezinho, lá pelas dez da manhã, e pedem um quitute para acompanhar: brindemos, pois, com a xicrinha de café (e uma empada, quem sabe?); há os queridos que decidirão pelo conforto do almoço, pelo chá-com-doce no pós-prandial, pela prosa no lanche da tarde, pelo brinde no Happy Hour, pelas originalidades da janta...Estarei lá, celebrando o dia com amigos, com a família, com a equipe de criação, com os leitores, com gente que passa para conhecer meu projeto-trajeto-tornado-realidade.

Buenas, não será, então, um lançamento; chamemos de partilha, de encontro, de tim-tim. E por quê? No meu sentir, a culinária é circunstância especial que faz parte de um conjunto de atividades rotineiras de nossa vida- situações que, muitas vezes repentinas, incluímos por prazer em nossa agenda. Em meio a  figurinos, cenários, personagens e roteiros diversos, damos espaço para a mágica da cozinha em nosso tempo curto; damos espaço, também, para cozinhar com os amigos, para os amigos, ou simplesmente para uma conversa no cafezinho, no meio do turno.E assim também a apresentação dos meus escritos poderia seguir este formato: durante um dia quase-comum, como a sexta-feira, misturando as atmosferas de rotina e de final de semana, a comemoração acompanha refeições, intervalinhos, tumultos de agenda que, no final de ano, precisam contemplar mil afazeres...Brindamos, proseamos, rimos, e, além de tudo, os amigos adquirem meu projeto: um livro com crônicas de cozinha que é, também, um caderno de receitas! 

Acompanhe o blog! Aos pouquinhos, vou contando como se desenrola o livro, seus capítulos, propósitos e horizontes...!

Quando será esta sexta-feira? Aguarde! Em breve, a comunicação!

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O mapa que virou trajeto!

Olá! Está chegando o tempo de eu começar a contar sobre meu livro, que nasceu deste blog...Um blog que, por sua vez, nasceu do projeto do livro, em março deste ano...E eis que, em novembro, percebo a existência de dois percursos paralelos, com vida própria.. Pura Serendipity... Duas identidades de suma importância na minha rotina de criações de cozinha, de escrita, de escrita de forno e fogão. 
De agora em diante, que rumo segue o blog, se foi projetado para alimentar o livro? Esta pergunta fiz a mim mesma, em outubro, quando finalizei o conjunto de textos a serem publicados. E foi quando percebi exatamente isto: cada projeto com sua rotina, seu caminho, seus quereres. Claro, Leitor, você deve ter notado: os escritos no 'Serendipity in Cucina', que em tantos meses tiveram um padrão quase diário, tornaram-se mais escassos, isto é verdade. 

Bom, o que aconteceu foi o acúmulo de afazeres...Além  do recebimento da revisão pela Revisora Gabriela Koza, e da entrega do material para a equipe de projeto gráfico da Porto DG, coordenada pela Designer Évelyn Bisconsin, tive um período atribulado desde o início de outubro, conforme já havia contado. Agora, com o projeto enfornado, meus ventos mais briseiros e a rotina de escrita tomando nova forma, começo a definir ao menos uma mudança para o blog, a partir de janeiro. Tudo igual, mas uma cousa diferente: entrevistas entremeadas a textos de visitantes, quinzenais. Há umas outras surpresas, mas estas quero reservar para a época de chegada do novo ano, mesmo. Pensei em relatos das 'visitas-de-campo', como a que realizei à casa da Amiga e Chef Michele Valent no final de outubro, em seu 'Giardin', na cidade de Teutônia. 

Sim, o blog teve início para alimentar o livro, como referi, mas é impressionante: esta não é uma decisão da autora!!! O tempo foi passando, os leitores participando, o entusiasmo crescendo. Internalizei estes gerúndios todos, compreendi que o percurso das páginas virtuais seguia, por ironia do destino, uma 'Serendipity' própria. Algo semelhante ao que prego nas viagens: um caminhar sem mapa. Explico: entendo, hoje, que o blog foi criado para ser o mapa do livro e, qual não foi minha surpresa: desistiu de ser mapa, decidiu tornar-se trajeto. Emancipou-se o blog, isto sim!!!

E vou querer 'mandar' no rumo a seguir? 

Então, leitores, as ideias estão surgindo...Participem, comentem, escrevam-me com desejos desse ou daquele sabor, curiosidade por uma receita, pausas para reflexão, anseios culinários! E mais: enviem textos, receitas, histórias e mágicas de cozinha! Vocês são parte fundamental do percurso  que estamos trilhando... Chegamos aos 7150 acessos nestes 7 meses, e este é um espaço de que vocês fazem parte, visitando os textos, comentando, 'curtindo' no Facebook!

Sejam leitores e participantes desta conversa na mesa da copa!

E gracias pela visita...

Abraço,
Betina Mariante Cardoso



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Por uma tenda que faça sorrir...



E há dias tão incógnitos que a única coisa certa é o desejo por uma tenda de doces que acalente as intempéries. Não uma tenda qualquer: uma daquelas com toldo vermelho e branco, com guloseimas e brinquedos, com jeito de filme, recebendo o sol. Uma tenda que me faça sorrir por inteiro, só de passar por seus aromas, por sua alegria, por sua música própria.
 Nos dias em que me sinto em branco, tenho saudades é de um aconchego assim, disfarçando meus ventos inquietos com a faceirice das doçuras. 

Chego a sentir o cheirinho...

Gracias pela visita!

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O 'código de barras' do alimento...

Depois de contar do começo da minha nova leitura, ontem, uma série de reflexões tomou espaço. 'A Fisiologia do Gosto", de Brillat-Savarin, apresenta escritos sobre aspectos universais, não apenas ligados à Gastronomia, mas há temas ligados à nossa humanidade mais profunda, como o fato de ele referir que os Prazeres da Mesa não estão associados tanto à fome, ao apetite, mas à capacidade humana de convívio, de comunicação, de interação e afeto, de recepção do viajante, de surgimento dos idiomas, e por aí vai...Então, o prazer de comer, como referi ontem, é ligado à nossa biologia, algo para satisfazer a necessidade de o sujeito alimentar-se, assim como ocorre também com os animais. A diferença ocorre na vivência prazerosa da mesa, onde há a reunião e a comensalidade, a ligação com o outro, algo que é exclusivamente nosso.
Escrevi sobre esta diferença entre a satisfação da sobrevivência, o papel das emoções e da compreensão e elaboração racional, quando trabalhei no texto 'Nossos três cérebros por um chocolate quente'. 

Pois é, e Brillat-Savarin trata do assunto de um modo surpreendente para sua época. Há um capítulo exclusivo sobre o apetite, outro sobre os sentidos, este sobre o prazer, e tantos os horizontes que a comida pode despertar em nossos campos da memória, das emoções, da imaginação. No entanto, podemos 'adormecer' para estas possibilidades, por exemplo, ao comer correndo, ao não saborearmos, ao perdermos o apetite, ao exagerarmos no estímulo aos sentidos. Todos estes comportamentos são formas de não valorizarmos a riqueza que temos à disposição através da vivência do comer.

E onde está um segredo para usufruirmos do alimento nos nossos vários domínios? 
Considero que um dos principais segredos esteja no corpo. É ele que decodifica a satisfação das necessidades, do prazer, da reflexão, do entusiasmo. É o corpo que 'lê o código de barras' do alimento, e conta para o cérebro, através dos nossos cinco sentidos, como compreender o que estamos vivendo, em termos de sensações, de sentimentos, de lembranças. Então, é essencial estarmos atentos à saúde do corpo, para que possamos receber, na refeição, todos os benefícios de corpo e de alma que a cozinha tem o potencial de nutrir. Nesta atenção à saúde, está o foco no presente de nossa realidade física. Sentimos calor? Sentimos frio? Sentimos fome ou ausência dela? Temos desejo de doce ou salgado? Ou amargo ou ácido? O que esta acontecendo dentro de nós?

Se voltamos nosso olhar para nós mesmos, redescobrimos caminhos nossos que havíamos esquecido. E o alimento é um personagem fundamental desta descoberta.

Até amanhã! E obrigada pela visita!!

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Do prazer de comer aos prazeres da mesa!

Olá!!! Outubro foi um mês turbulento e corrido, o que provocou uma ausência minha aqui no blog, com apenas cinco textos publicados durante todo o período...Que barbaridade!
Hoje, 05 de novembro, estou retomando o ritmo, combinando comigo mesma escrever (quase) diariamente. Lembra de quando escrevi 'Amadora por Paixão'? Pois é, em que armadilha me coloquei: acabei deixando meu hobby 'de lado' em prol da rotina e das atribulações que, vez ou outra, acometem a gente por inteiro. Parece mentira, mas há tempos em que não sobra espaço para a criação, para a escrita, ou para o prazer puro e simples de curtir uma boa refeição. E todos estes aspectos são indispensáveis para as reflexões culinárias.
Até o dia em que o horizonte se acalma, as mãos sentem desejo de escrever de novo, o apetite (pelas palavras e pela mesa) ressurge. E eis que estou aqui.
Bom, começo contando da leitura que comecei neste feriado, há muito esperada: 'A Fisiologia do Gosto', de Jean Anthelme Brillat-Savarin. O livro que tenho em mãos é uma tradução comentada, do original fancês para o Inglês, feita pela escritora Mary Frances Kennedy Fisher (M.F.K.Fisher), com um exímio trabalho feito por ela. A tradutora também escreveu diversas obras no campo da escrita culinária, sendo um de seus mais conhecidos a compilação de seus trabalhos, sob o nome de "The Art of Eating" (A Arte de Comer). Eu fiquei exultante ao saber que ela tinha traduzido Brillat-Savarin para o Inglês, e encomendei o livro, há meses atrás.

Do autor:
Jean-Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826) estudou Direito, Química e Medicina, antes de tornar-se prefeito de sua cidade de Belley, na França. Durante a Revolução Francesa, passou por um período de exílio; depois disto, assumiu o cargo de juiz em Paris, onde passou os últimos 25 anos de sua vida escrevendo 'A Fisiologia do Gosto'. Divide o livro no que chama de 'meditações', abordando uma série de temas relacionados aos prazeres da mesa e das vicissitudes humanas em torno do comer e do saborear. A obra foi publicada, pela primeira vez, em 1825 e continuamente impressa desde então. Ocupa um espaço único no campo da escrita culinária (o campo conhecido, hoje em dia, em âmbito internacional, como 'Food Writing'; aliás, a tradutora Mary Frances é a criadora deste gênero). Este 'espaço único' deve-se ao fato de o autor ter reunido, em seu trabalho, uma coleção histórica, filosófica e epícura de receitas, reflexões, anedotas e e passagens em tudo o que se refere à Gastronomia. Do surgimento dos restaurantes ao sabor e sensibilidade, passando por capítulos sobre a dieta e o peso, sobre a digestão, sobre a diferença entre o prazer de comer e os prazeres da mesa: todos são tópicos de profundo refletir do autor.

Como é de costume em livros curiosos, resolvi ler de modo desordenado, num indo-e-vindo que me permita divagar sobre algum tema, voltar ao anterior, degustar o início e o final do livro num dia e as porções centrais em outro, podendo mudar de ideia sobre a ordem durante o percurso. Por quê? Este zigue-zague me permite ampliar a reflexão, relacionar os temas com as vivências cotidianas, inverter e quebrar protocolos definidos pelo sumário-coisa que adoro experimentar quando conheço novas cidades sem prender-me aos mapas. Coisa que, nunca contei por aqui, adoro fazer com alguns livros, também!

Então, dei partida à minha leitura na página 188, Meditação 14: 'Dos Prazeres da Mesa'.
Um dos parágrafos de que mais gostei:

"(...)Nas primeiras etapas da refeição, no início da festa, todos comem com fome, falando pouco, prestando pouca atenção ao que ocorre ao redor; não importando sua posição ou status, o homem ignora tudo para devotar-se à grande tarefa em suas mãos. Entretanto, assim que estes desejos são satisfeitos, o intelecto faz-se perceber, a conversa tem início, uma nova ordem de comportamento se define. E  ele, que era não mais do que alguém que se alimenta, até então, torna-se uma companhia prazerosa-em maior ou em menor intensidade, de acordo com sua habilidade natural."

Brillat-Savarin está falando sobre as diferenças entre o Prazer de Comer, de ordem biológica, e os Prazeres da Mesa, de natureza exclusivamente humana. Em que reside o contraste? No fato de que os últimos relacionam-se ao prazer refletido e compartilhado com os amigos, família, colegas, amores. Nossa dimensão humana, que pensa, sente e socializa, expressa-se pela vivência prazerosa ligada à alimentação, e o comer nos satisfaz para além da fome: a plenitude de uma refeição compartilhada ocorre nos vários domínios do nosso existir.

Por isto, ressalto sempre a importância de prestar atenção no saborear, algo de que, em tempos de correrias, acabamos esquecendo....!

Amanhã conto mais...

Gracias pela visita!

Abraço,
Betina