domingo, 30 de setembro de 2012

Da 'Orelha' de Funghi Porcini, para Piqueniques


Do Preparo do 'rolo'...

1) Compre a massa folhada já pronta; abra-a em uma superfície enfarinhada, em um retângulo de 40cm X 30cm.

2) Passe a pasta de funghi (receita abaixo) sobre a massa estendida, dobrando as extremidades em direção ao centro, mantendo o retângulo. Espalhe levemente o azeite de oliva sobre a base já dobrada, e dobre novamente as extremidades em direção ao centro, formando uma espécie de 'rolo'. Pressione, firmando as porções  sobre o centro do retângulo. Leve ao congelador por 30 minutos.

3) Enquanto isto, pré-aqueça o forno. Após retirar o rolo do congelador, corte-o em fatias de aprox. 1cm de espessura. Coloque em uma forma untada, levando ao forno a 180ºC por em média 15-20 minutos.

Da Pasta de Funghi Porcini...

Prepare de véspera. Use um generoso punhado de funghi Porcini (secchi), que poderá ser 'adormecido' em um vinho licoroso, para hidratar. Pela manhã, pique em porções de  aprox. 1cm, misture à ricota. Adicione queijo Grana ralado na hora. Tempere, salgue à gosto. Use 2 a 3 colheres das de sopa de creme de leite (tipo nata), para deixar a pasta homogênea e macia. Pode-se, também, versar sobre a mistura o  vinho utilizado, com parcimônia (a cada colherinha das de chá, provar o sabor. A bebida deve ficar na sombra da presença dos Funghi.). Deve-se tomar cuidado para que o vinho não altere a textura da pasta, que deve ser consistente e firme, para rechear a massa. Se ficar muito mole, o recheio 'escapa' da contenção da massa folhada, dificultando que se chegue à forma de 'Orelha'.

4) Além de delicioso de fazer, este quitute é versátil e pode receber outros recheios. O resultado é apetitoso e crocante, fácil de manusear durante um piquenique, e bem original.

Bom Proveito!

Abraços,
Betina Mariante Cardoso


Fonte: Entrées- Col. Cuisine d´hier et d´aujourd´hui. Éditions de la Joconde. France, 2002
ISBN: 2-85922-131-x

Um Paradoxo Irresistível


 ...E aqui a página do diário de viagem de Pisa, onde escrevi sobre o sanduíche de Presunto de Parma com Alcachofra...
  
"Segunda-feira. Saí do estágio no Hospital num horário avançado, pelas três da tarde, cansada. Faminta também, mas desejosa de um almoço incidental: uma refeição leve que cruzasse por mim sem procura. Estou começando a explorar a cidade, e estabeleço, pouco a pouco, meus hábitos locais.
Estranha ao mapa, sou  pega de surpresa tantas vezes: lugares surgem sem aviso, no descuido de uma caminhada simples. Então prossegui num passo lento e reflexivo, me deixando  conduzir pelo imprevisto.
Andando pelas ruazinhas próximas ao Hospital, cheguei à Piazza dei Miracoli, onde estão os principais monumentos de Pisa. E a Torre, delicada e imponente, um paradoxo irresistível. Eu tinha feito o passeio pelos pontos turísticos,  e tinha pedido uma fatia de Panforte com ‘espresso’ no Bar Duomo, em frente à Torre, dias antes. Seria ali.
Pois bem, encontrara o lugar. Novamente, soltei as expectativas e me permiti ser chamada de imprevisto. Desta vez, pelo apetite. ‘Fui escolhida’ por um sanduíche de Presunto de Parma com Alcachofra, em um pão de fatia fina, semelhante ao Pão de Miga da Argentina. Espalhada nas fatias, uma camada suave de queijo cremoso. Algo no conjunto me despertou o paladar, lembro do instante. Não tive dúvidas, seria meu pedido.
E o veredicto. O presunto, de textura áspera e força imperativa, combinava de fato com o macio da alcachofra. Ele, contundente, visceral; ela, de um leve amargo, com uma doçura tortuosa. Degustei o lanche tardio, em no balcão, mordendo o conforto macio do pão, saboreando  as sensações contrastantes: um conjunto delicado e imponente. Assim como a Torre.
Em silêncio, me sentia realizada, pelo encontro daquela constelação de impressões, num elemento tão informal quanto um sanduícheEfeitos do Fator Surpresa, que desafia o viajante nas esquinas insuspeitas de seu percurso. A alcachofra, o presunto, a mistura, a consistência, a Torre de Pisa ali em frente, quase por acaso: um misto de novidades que me conquistou. Saí do Bar Duomo com desejo de receber o vento no rosto.
Pois voltei ao hospital com o encanto de quem conheceu uma nova cidade na hora do almoço. Retornarei ali muitas vezes. O impacto da surpresa passou, claro, mas o prazer do costumeiro me fará repetir e repetir o sanduíche de Presunto de Parma com Alcachofra.  Também sou paradoxal: gosto de visitar o novo, mas, na maior parte do tempo, moro em meus hábitos."

(07/06/2004)


Um abraço,
Betina Mariante Cardoso

Planejando receitas de Piquenique...

Hoje o tempo foi curto, e consegui há pouco começar a leitura do "Urban Picnic"...O livro tem virtudes interessantíssimas, como a harmonização dos pratos com a bebida, como é de costume, e...Com as músicas ideais para acompanhar os quitutes! Há comentários valiosos no início dos cardápios, das escolhas, tudo criando uma atmosfera propícia para a expectativa da festa ao ar livre. 
E hoje ganhei, a propósito da temática do Blog nesta estação, um livro de comidinhas para comer com as mãos: Fantástico!!
Bom, ontem comecei a preparar um 'Menu fantasia' para um piquenique, tomando nota, num 'brain storm', de todos os acepipes e doçuras que poderiam compor a cesta. Foi bem divertido, ainda hoje   rabisquei umas ideias. 


Da Natureza do Cardápio...
Claro que este tipo de celebração evoca liberdade, amplidão, natureza, simplicidade no preparo dos alimentos, colaboração('cada um leva uma coisa'), tudo isso. Não vou 'inventar moda' e criar mil elaborações complexas, mas algumas receitas, mais complicadinhas, também dão um charme ao evento.
Pois quero contar da 'Orelha' de Funghi Porcini que preparei há uns meses, e do sanduichinho de presunto de Parma com Alcachofra. O primeiro dá um pouco mais de trabalho para fazer; o segundo, para encontrar os ingredientes num valor acessível. De qualquer modo, em ocasiões especiais, valem os pequenos luxos...Aqui no 'Serendipity in Cucina', também, é possível adaptar várias das propostas para um piquenique, como o 'Pão-de-minuto de três queijos', os patês, a folha de mussarela (já acondicionada em fatias para o passeio), e tantos outros. A 'orelha' foi fruto de uma adaptação que fiz de uma receita presente num livro de entradas, onde ela estava apresentada com recheio de manjericão. Modifiquei o recheio, mas segui à risca as indicações, e ficou uma delícia, modéstia à parte...O sanduíche é a minha versão de um destes que comi num bar rotineiro, em frente à Torre de Pisa, num achado incidental. Gostei tanto que registrei no meu diário de viagem, manuscrito que nutria na época em que estive por lá (a página está na postagem seguinte). A leveza na textura e o sabor delicado e, ao mesmo tempo, impetuoso, fazem desta receita uma boa possibilidade para inovar naqueles sanduichinhos práticos de piquenique. 

Amanhã, as orientações e curiosidades para a elaboração!

Abraços,
Betina Mariante Cardoso

sábado, 29 de setembro de 2012

O livro dos Piqueniques!


Meu livro sobre Piqueniques chegou!!! Tem História e histórias, trechos da Literatura, Menus, receitas, dicas de segurança e transporte dos alimentos, reflexões, matérias clássicas de jornais...Chegou aqui em casa antes do previsto, e me surpreendeu muito: é consistente, colorido, viçoso! Recebi feito criança que ganha um brinquedo fora de qualquer data: a vontade instantânea é de brincar, brincar, brincar, só para celebrar a surpresa!!!

Sim, eu tinha encomendado, mas chegar num dia imprevisto aumentou ainda mais meu gosto pela obra. A  sensação é  de algo aconchegante, vivo, pleno de novidade...Um brinquedo, mesmo!!!

Aos poucos, vou registrando aqui no blog minhas leituras!

Por enquanto, visitem o link! Vale a pena!

Abraços,
Betina Mariante Cardoso

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Gerúndio na 'mesa da copa'...



Enquanto preparo a pesquisa sobre a origem do 'Potluck', compartilho aqui minha alegria por comemorar os seis meses deste blog, 'Serendipity in Cucina'. 

Quando comecei, não poderia sequer imaginar como seria a experiência, em termos de tempo para manter a escrita, em termos de assiduidade, de persistência, de temas a serem abordados...Era um mapa incerto a trilhar.  No entanto, ao longo do percurso, encontrei leitores-comensais muito dispostos a explorar estas 'novas terras' junto comigo: comentando, lendo, lendo, lendo, comentando...

Esta motivação aumentava meu ímpeto de avançar, de realizar a partilha do 'quitute-conversa', de ter ideias, de buscar novos temas, livros, receitas, de refletir e, claro, de cozinhar. No caminho, muitas situações interessantes aconteceram, progressivamente, como conseqüência dos escritos; estas, por sua vez, geravam novos escritos. Encontrei gentes, vivenciei o laboratório de vida que é a culinária, me propus a escrever como rotina, o que me proporcionou grande prazer. Pela escrita, pela troca com os leitores e amigos, pelo envolvimento neste propósito. 

Este é o início de um percurso, nas conversas em nossa 'mesa da copa'. Os textos foram escritos durante o planejamento de meu livro de escrita de cozinha. O blog, em todos estes meses, fomentou o projeto desta realização, embora não se restringisse a ele: teve, desde o início, vida própria, e recebeu meu amor e empenho independentes da finalização do livro. Assim, fechamos o número de escritos para publicação, e segui postando, pesquisando, partilhando. 

Este blog vive no gerúndio, para mim. Em processo. E esta é a magia! Sinto-me motivada a refletir, quando o dia termina, sobre o que escrever à noite. Motivada a encontrar temas que me deem prazer e que também sejam estimulantes ao leitor. O 'Serendipity in Cucina', hoje, é um dos meus hobbies, é parte do meu plano-livro mas ultrapassou a esfera de estar nos 'bastidores'. Andar sem mapa por estas páginas, me perder para encontrar um novo tema, pelo acaso feliz, é sempre uma rica descoberta, como percorrer uma cidade desconhecida.

Estamos chegando a 6000 acessos, este número passará e seguiremos a partilha. Somos comensais de escritos culinários, sim, mas o que repartimos, nesta 'mesa da copa', é nosso gosto pelas vivências de forno-e-fogão. Saboreando, inventando, mexendo, ouvindo o som da colher mergulhando no doce, tocando na massa do pão para encontrar sua mágica.

No gerúndio, estamos seguindo trajetos improváveis, prontos para um piquenique no meio da viagem.

Vamos?

Abraço, e obrigada pela participação!
Betina Mariante Cardoso


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Potluck: uma partilha original!

Acabo de ler, na obra da clássica cozinheira e autora americana Irma Rombauer ("The Joy of Cooking", edição comemorativa dos 75 anos do livro), uma dica que vale a pena experimentar. Refere-se ao tipo de celebração que, em Inglês, é chamada de 'Potluck', designando encontros de amigos em que cada um leva um quitute para compartilhar, modelo apresentado em forma de buffet, geralmente; o propósito alinha-se ao princípio da palavra 'convescote', em Português.

Estas festas podem acontecer ao ar livre, em mesas no pátio, durante o dia, numa atmosfera semelhante à do Piquenique. Aqui, o ponto central é a divisão: de pratos a preparar, de tarefas a cumprir, de bebidas a escolher. Esta prática torna o encontro mais festivo, sendo saboreado já no seu preparo, dias antes da comemoração.

Agora, o que achei genial na ideia: O livro apresenta o 'potluck' como uma oportunidade fantástica para a troca de anotações dos pratos produzidos para o evento. Sugere que, na próxima ocasião, os donos da casa peçam para todos os convidados levarem, além do quitute, cópias da receita preparada para distribuir a todos. Imagine que divertido receber e, ao mesmo tempo, passar adiante, as páginas sobre os 'feitos' de todos os integrantes! Esta é, acima de tudo, uma possibilidade de interação, de comunhão de experiências, de partilha do 'como-se-faz'. Ao mesmo tempo, um belíssimo registro das memórias da festa, através da 'coleção' com receitas de todos. No futuro, ficarão as lembranças de quem esteve presente, da especialidade que levou, do fazer culinário especial e diverso em cada um...Afinal de contas, uma riquíssima troca!

Vou experimentar! Dá vontade de criar um 'Potluck', para colocar em prática a novidade!

E...Por que 'potluck'? 

Aguarde!

Abraço, e obrigada pela visita!
Betina Mariante Cardoso


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Feito criança...

Para mim, o elemento essencial do Piquenique, o elemento que de fato me desperta para esta proposta, é a liberdade: de sentar no chão, de comer com a mão, de me sentir criança brincando. A liberdade de perceber o vento mansinho se exibindo, fazendo voar guardanapos, derrubando copos,  espalhando farelos de bolo. Esta atmosfera vibrante é exclusiva dos convescotes, desde o momento de espichar a toalha, abrir a cesta e colocar, espalhados, todos os quitutes. Sem ordem, regra, protocolo, ofício. É uma grande brincadeira, o piquenique. Me alegra a vivência de prazer, de 'descompromisso', de permissão; olhar ao longe uma paisagem e pertencer a ela, do lado de cá. Estar embaixo   d´árvore, em silêncio ou conversando. 

Pois o piquenique dá esta liberdade, esta lonjura: somos parte daquela amplidão. Nossa toalha sobre a grama é parte de uma cena maior, a leveza, a 'desimportância' com fatores não controláveis. Estamos ali, e pronto. Naquele campo, podemos soltar as rédeas, sujar nossa roupa com terra, deixar as formigas habitarem a cena. Podemos vestir a fantasia, o 'faz-de-conta', que ali pode. 

Há tantos outros elementos...A amizade, a partilha, as músicas, os jogos, os quitutes...No meu sentir, todos estes têm força. No entanto, a sensação de liberdade, de soltura, é  o que dá o toque final de mágica.  De verdade? Acredito que haja mesmo um fascínio neste prazer de brincar, sentado no chão. Feito criança...

Abraços,
Betina Mariante Cardoso

terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um prazer arejado!

Thomas Cole, "The Picnic" (anterior a 1860)


Enquanto espero chegar meu livro encomendado, pesquiso o material sobre a origem do Piquenique, suas motivações, história, personagens, Menus, receitas, e assim por diante...

Descobri uma bela obra sobre o tema, para fazer a busca em uma referência interessante e plena de curiosidades. O livro se chama "The Urban Picnic (...)", com um subtítulo incrivelmente amplo. Dentre tantos materiais, este me pareceu o mais completo em termos de abordagem da relevância histórica e, ao mesmo tempo, dos Menus e ideias para um bom convescote urbano. http://www.amazon.ca/The-Urban-Picnic-John-Burns/dp/1551521555 . 

A liberdade de comer 'na rua' e de sentar no chão, ao redor da toalha, a magia de montar (e de abrir) a cesta de comidas, a gostosura de estar 'à fresco', o encontro de amigos, amores, família, colegas: todos são parte da 'fenomenologia' do piquenique. Parece que a palavra teria sido apresentada, pela primeira vez, em torno de 1692,  em edição de Tony Willis, de Origines de la Langue Française, que aponta pique-nique como uma prática 'recente' para a época (pelo que li, neste trabalho a palavra definiria um grupo de pessoas em um restaurante, em que cada um leva seu próprio vinho). O conceito de Piquenique, desde há muito tempo, designa uma refeição em que cada um contribui com algo, definição que é parte do termo 'Convescote', desenvolvido pelo filólogo brasileiro Antônio Lopes de Castro, como contei no post de hoje à tarde. Parece, também, que a palavra significaria algo como 'Pegar/picar coisas de pouca importância', considerando o verbo francês 'piquer' aliado à rima nique, mas este significado é duvidoso. De qualquer forma, pensando sob o ângulo das comidinhas de piquenique, dou votos ao termo, mesmo de origem incerta. 'Piquer' poderia se referir ao tipo de alimentos que se leva para estas refeições, em geral de 'pegar' com as mãos, enquanto 'Nique' faria referência ao aspecto leve, rápido e prático dos quitutes; daí a ideia do 
'coisas de pouca importância'. 

Há tantas outras referências, circunstâncias e particularidades que, para mim, se fez necessária a busca de um livro que trouxesse uma pesquisa sólida. O Wikipedia traz as informações acima, mas, a fim de compartilhar com os leitores meu aprendizado sobre o tema, quis aprofundar as buscas.

Há um sem-fim de reflexões, dados históricos, dicas de Menus ou de segurança no transporte de alimentos, etc. Pelo que vi do sumário, meu novo livro é fascinante, e poderei contar das minhas leituras, por aqui.
Há um imaginário coletivo ligado à esta prática: uma percepção de prazer livre, arejado. 
Do pouco que já li, pude confirmar o que estas vivências representam no meu sentir: despojamento, leveza, aventura, partilha...

E você, leitor, o que sente pelos convescotes?

Um abraço,
Betina Mariante Cardoso





Convescote????????


No post 'A Mesa no Pátio', mencionei o termo 'convescote' e percebi, ao escrever a palavra, que nunca tinha pesquisado seu porquê. Pois é uma criação de Antônio de Castro Lopes (1827-1901, filólogo brasileiro), e combina conv(ívio), 'banquete', + escote. Fui buscar, então, o significado do termo 'escote', aprendendo que se refere à contribuição por pessoa, à parte que deve ser paga por cada um daqueles que fizeram uma despesa. 

Adorei esta descoberta! Em 'convescote' habita toda anima dos piqueniques, tanto a porção da reunião, do encontro, do convívio, quanto o compartilhar dos alimentos, aquele sabor especial do 'cada um leva um quitute', que, a meu ver, é a grande magia da coisa toda. Cada participante leva sua contribuição para dividir com os demais, celebrando, no festejo, a experiência coletiva. 

Agora, estou curiosa pela origem deste fenômeno, por sua história, pela etimologia da palavra original, 'Picnic'. Enquanto pesquiso, vou contando receitinhas propícias para colocar na cesta, num próximo convescote de Primavera...!

Alguma sugestão?

Obrigada pela visita!

Abraço,
Betina Mariante Cardoso

Ref. Dicionários Aurélio e Houaiss.

Link para o texto: "A Mesa no Pátio"

domingo, 23 de setembro de 2012

Oficina de 'Jardinoterapia', da Michele Valent, dia 06 de outubro!!!



Falando sobre 'a mesa no pátio' na postagem anterior, riqueza que a Primavera nos oportuniza, vem à mente a figura de um pátio com tudo o que se tem direito: um jardim bem cultivado, todo feliz, pleno e vicejante. Então vem, em seguida, a pergunta: 'mas como eu vou fazer um destes no meu apartamento? A sacada é tão pequeninha!' Bom...Está na hora de conhecer a Michele Valent!

Pois conheço a Michele há alguns anos, como colega Psiquiatra, mas foi no ano passado que tive a alegria de conhecer a beleza do hobby que ela cultiva com tanto amor e empenho, a Jardinagem urbana. A Michele fez uma revolução em sua vida, e leva esta revolução para a vida das pessoas. Como? Ensinando como plantar um jardim mesmo em espaços reduzidos, como o dos apartamentos compactos de hoje em dia. E o que é mais legal: ensina o quanto esta prática é saudável e relevante para a nossa qualidade de vida, tanto em termos da própria jardinagem quanto em relação aos seus 'frutos', os alimentos que plantamos e colhemos na nossa sacada, janela, ou no espaço que encontrarmos do lar.  

Este é outro ponto do belíssimo trabalho da colega e amiga Michele, a Gastronomia, campo em que atua como Professora na Escola ICIF da Universidade de Caxias do Sul, unidade de Flores da Cunha. E uma das suas aulas no Curso é do uso de ervas aromáticas e flores comestíveis na culinária: o que, como e quando plantar, e o proveito da colheita na cozinha. Então, neste ponto, ela vivencia e compartilha com os alunos dois de seus hobbies: Jardinagem e Gastronomia. Hobbies que se tornaram uma segunda profissão, sem que ela perdesse, com isto, o prazer em realizá-los- bem pelo contrário! Seu exemplo é excelente para nos mostrar o quanto um hobby pode fazer bem à saúde, tanto pelo próprio exercício de prazer, quanto pelos produtos que pode gerar: jardins, ervas, flores,  mais saúde, comida saborosa e festiva!
Foi pensando em todo este percurso que a convidei para ministrar sua oficina em nossa 'Escola de Hobby', cujo fundamento principal é aliar a saúde ao lazer. E fiquei muito contente quando ela me passou o nome da atividade: '"Jardinoterapia"-  jardinagem urbana e gastronomia a serviço da qualidade de vida!'
Decidimos transferir a programação do dia de hoje, 22 de setembro, para dia 06 de outubro, em virtude do feriadão gaúcho. Assim, possibilitamos àqueles que se interessaram que se inscrevam para a nova data; possibilitamos, também, que novos  amigos conheçam a ideia e queiram participar. 
A atividade envolverá todo o dia, das 9:00 às 17:00, com almoço e merenda. A programação detalhada está abaixo. O dia, com certeza, será muito lúdico e produtivo a todos nós, que vamos usufruir dos ensinamentos e da satisfação da 'Profe'!
E, além do mais, teremos belas propostas de quitutes para nossos almoços e convescotes da Primavera!!!

Para a inscrição, me envie um e-mail (bmariant@terra.com.br ou editorialluminara@hotmail.com). Os detalhes da Oficina estão abaixo.

Obrigada pela visita!
Abraço,
Betina Mariante Cardoso

_____________________

Oficina: “Jardinoterapia” – jardinagem urbana e gastronomia a serviço da qualidade de vida

Professor: Michele Valent

Carga Horária: 8h (sábado, 06 de outubro, das 9 às 17:00h)

Local: Casemiro de Abreu, n. 662 - Porto Alegre

Súmula:
Conceito e virtudes da “jardinoterapia” na promoção da qualidade de vida;
Panorama das ervas aromáticas, verduraslegumes e flores comestíveis de mais fácil cultivoem vasos;
Elementos de plantiocaracterísticas do ambiente e cuidados (regapoda, adubação, combatepragas).

Objetivos:
·        Despertar para a possibilidade e para as vantagens do cultivo com fins alimentares em apartamentos e espaços reduzidos;
·        Apropriar-se dos rudimentos de jardinagem necessários para iniciar o próprio cultivo;
·        Conhecer espécies alimentares adaptáveis a esse tipo de cultivo.

Conteúdo Programático:

MÓDULO
CONTEÚDO
CH
TEÓRICA

·  Apresentação audiovisual: o 
que é jardinagem gastronômica
·  Exibição do Programa 
Vida&Saúde
Jardinagem como Hobby
·   Exibição do documentário
Homestead Revolution
·  Panorama das ervas
verduras e flores cultiváveis em apartamento
3h
ALMOÇO
·  Degustação de almoço a base 
de ervas cultivadas em apartamento
massa com ervas e filésalada, cheesecake
2h
TEÓRICO - PRÁTICA
·  Montagem de uma jardineira
 com três espécies
·  Princípios de plantio,
 regapoda, adubação e combate às      pragas
·  Exibição de vídeo
compostagem em apartamento
·   Lanchebiscoitos de lavanda
3h


Recursos Metodológicos:
·        Data-show
·        Apostila comprogramareceitas e resumo dos slides
·        Cozinha prática e almoço
·        Jardineira plásticamanta de drenagemterra e três mudas por participante

Valor: 170,00
(incluídos materiais e refeições)

Serão fornecidos certificados aos participantes ao final da Oficina.

Inscrições: editorialluminara@hotmail.com
bmariant@terra.com.br

sábado, 22 de setembro de 2012

'A Mesa no Pátio'!

Para mim, a Primavera é a estação oficial da mesa no pátio, seja no campo ou na cidade. Tempo de escolhas ensolaradas, de toalhas mansas para os festejos, de louças alegres, com uma ou várias cores. Buscando inspirações, leio, no livro  clássico de cozinha 'A Arte de Comer Bem', da autora Rosa Maria, uma carta à filha sobre as refeições na fazenda: '(...)Lembro-te, também, que aí só deves usar toalhas de mesa alvas,cheirando a ervas aromáticas' e, no centro da mesa, nunca deve faltar a pesada jarra de faiança cheia de flores agrestes'. Pois, no meu sentir, esta é a atmosfera das refeições primaveris. Se não houver pátio, então que se faça um convescote, de toalha no chão e tudo o mais, na sombra das árvores, onde haja terra, grama, flores, formigas. E a leveza nos quereres, sempre essencial.

Boa estação!

Betina Mariante Cardoso



Homenagem à Primavera!

Equinócio.
Ócio 
De Primavera.
Espera.
De flores.
De Ventos.
De Ardores.

Quimeras.

Tempo.

De cores.

De riscos.

De brisa.
Tempo.
Passa
Venta
Tenta
Gira.
Tempo.
Que arde,
Amanhece,
florece.
Quermesse.
Equinócio.
Ócio
De Primavera


Betina Mariante Cardoso

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cantuccini: meu 'como-se-faz'...



 Cantuccini

Ingredientes:
350g de farinha de trigo, 350g de açúcar, 160g de amêndoas tostadas (sem a película), 3 ovos, ½ pacote de fermento químico (1 colher média de fermento químico, rasa), 1 pitadinha de sal, essência de amêndoas, 2 ovos adicionais(para pincelar).

Modo de fazer: Extraia a película escura das amêndoas (colocando-as na água fervente e retirando a casca com as mãos). Misture a farinha com o açúcar e o sal, faça uma fonte e ponha, no centro, os ovos e o fermento. Misture os ingredientes, e adicione as amêndoas inteiras. Trabalhe a massa por alguns minutos; depois, faça duas tiras de aprox. 2cm de largura. Deixe repousar a massa  por 30 min. Pincele cada tira com a mistura de uma gema diluída em (pouquíssima) água. Coloque no forno (pré-aquecido em temperatura máxima) e abaixe para a 165ºC por 30 min., depois retire, cortando emfatias’ oblíquas, de espessura de 1cm. Estas fatias deverão ser colocadas novamente no forno 165º C., por 5-10 minutos de cada lado. Estes serão os ‘biscotti’, ou ‘cantuccini’.

Bom trabalho!
Betina Mariante Cardoso

Fonte: ‘Dolci della Toscana’- Sandra Lotti-Maria Paccini Fazzi Editore-Lucca-Itália


a) Extrair a película das amêndoas

b)Uma das 'tiras' de massa

c) medindo a 'tira' de massa
d) as fatias oblíquas, depois
da primeira etapa de forno


e) Prontos, à espera do Vinsanto!




Cantuccini: um silêncio crocante...

A memória crocante, introspectiva e dourada das rapadurinhas me fez lembrar de uma experiência que, para mim, é unica: degustar os biscoitos toscanos chamados de 'Cantuccini'. O nome parece dever-se à forma dessas guloseimas, umas fatias irregulares e escantilhadas. Na região da Toscana, a tradição é servir uns oito destes num prato, com uma tacinha de Vinsanto ao centro, e molhar cada um neste vinho licoroso.

Um pouco mais sobre esta vivência, num texto do meu diário de cozinha...



Houve um dia na Toscana em que fui apresentada aos "biscotti con vinsanto", quase que por acaso. Era um domingo nublado de junho, eu passara por todas as escalas do cardápio: antipasti, primo, secondo, dessert. E restava enigmático e silencioso, no canto inferior direito da última página, o item: "biscotti con vinsanto". Arrisquei. Percebi que a norma era molhar os biscoitos na bebida, uma luxúria até então vetada a outros biscoitos, apesar de ter sido sempre minha transgressão favorita.
Enigmático e silencioso é exatamente a descrição deste item. Os cantuccini, como são chamados- provavelmente por sua forma característica com cantinhos- trazem consigo um silêncio confortável. É como se o vinsanto guardasse os segredos e expectativas mergulhados nele junto a cada biscoito. A crocância da massa e das amêndoas inteiras reportam a uma sensação rústica de biscoitos oferecidos pela vó, recém-saídos do forno. O sabor tem um amargo misterioso, e a cor lembra aquela das construções toscanas, dum ocre antigo. E o que dizer do vinsanto? É indescritível este vinho de passas de uva, um gostinho doce perolado, uma espécie de enlevo, uma estranheza sem igual. E esta é a sensação que a pós-sobremesa traz: é uma aventura introspectiva o ato de mergulhar, atentamente, cada biscotto no copinho da bebida, umedecendo sua identidade crocante. Talvez ainda maior seja a delícia pela permissão do ato.
O mais interessante deste item do cardápio, que virou obrigatório nas refeições seguintes daquele junho em diante, é que, mesmo compartilhando a mesa com familiares e amigos, pedir "cantuccini con vinsanto" é uma experiência totalmente individual e intransferível. Cada um recebe seu prato de biscotti e seu copinho no centro, e a riqueza é degustar devagarinho, um a um dos biscotti mergulhados ali, silenciando segredos com aquele doce antigo.

Amanhã, meu 'como-se-faz'.

Obrigada pela visita!
Betina Mariante Cardoso

terça-feira, 18 de setembro de 2012

...E a receita das 'Rapadurinhas"!

Então, conforme registrei no meu primeiro 'caderno de culinária', feito no verão de 1987, esta é a receita, bem como foi escrita por mim na época.

"Rapadurinhas de Leite - por Vó Léia

Ingredientes:

1 1/2 kg de açúcar
2 litros de leite

Modo de fazer:

Misture bem o leite com o açúcar. Coloque na panela (para o doce não transbordar, ponha um pires virado, dentro dela). Deixe o doce no fogo e vá mexendo de vez em quando, até engrossar. Tire a panela do fogo e vá batendo até ficar em consistência de rapadurinha.

Unte a forma com manteiga, e coloque o doce dentro. Deixe esfriar. Antes que esteja completamente frio, corte em pedaços."


Bom proveito, e gracias pela visita!
Betina Mariante Cardoso